terça-feira, 17 de março de 2009

Mulher

Tão leve como uma pena
passa um tempo sem destino
tão leve… na pura cena
nasce ao som do sino
a Mulher…

Tão leve,
nasce cada dia por preencher
e na essência de como se deve
ouso olhar para a mulher
que no silêncio caminha
dá,
entrega-se ao momento
e numa voz ausente
nada teme
quando leva o barco
pelo leme
ao seu porto seguro.

Tão leve nesse corpo angelical
moram os fragmentos
dos caminhos cortados
das insónias da vida
dos incómodos das palavras…

Tão leve…
Nasce cada sorriso matinal
que se perpétua
se mostra
e se diz feliz
no rosto de Mulher.

Paulo Afonso Ramos

segunda-feira, 16 de março de 2009

Nem com todo o dinheiro do mundo

Pedem-se alvíssaras...
pela entrega dos criminosos,
seres mesquinhos, asquerosos,
sombrios e impetuosos,
mesmo muito numerosos.

Dão-se alvíssaras...
por colecção de muitos desses seres.
Estão prontos para os prazeres
e para outros afazeres...
ou para aquilo que apeteceres.

Não dou nem quero dinheiro...
não os quero por preconceito,
não estou nada satisfeito.

Levem-nos daqui!...
porque não vão embora?
Não gostei nada do que vi...
saiam já daqui para fora!...

Se não quiserem, permaneçam,
desde esta curta hora.
Fiquem pela vida fora,
mas por favor não me enlouqueçam!...

domingo, 15 de março de 2009

Melhor o Silêncio

Não pretendo saber segredos,
Ungir as chagas dos feridos,
Nem perder-me nos sentidos
Dos insanos beijos-torpedos,
E d'amores malsucedidos...

Silencie seus versos vinhedos,
De poemas d'alma despidos,
Com tintos tons deprimidos,
E seus paladares azedos,
Que só estimulam as libidos!

Quero silêncios e degredos,
Solidões dos fracos gemidos,
Quero os abraços reprimidos,
Cravados de gelos e medos,
No meu peito enfim diluídos...

Betha M. Costa

O Cavalo Lusitano

Registo elegante
no seu saltar,
sua montada
estonteante,
bem dotada
a improvisar.
A sua origem
vem de Portugal,
outro não há,
assim, igual...
utilizado para
o trabalho,
para o desporto
e Alta Escola...
nas lezírias
do Ribatejo
e nos montes e planícies
do Alentejo.
Rigoroso na
aprendizagem...
pelos campinos
cavalo amado,
já os Romanos
o tinham pelo melhor...
na sela estava provado!
Todos o querem
nas cudelarias,
Alter do Chão
sua razão!...
Na elegância
é um primor,
para o hipismo
é espectacular,
mas no toureio
ele é exímio...
seu rodopiar
é de encantar,
apresenta-se na cara do touro,
sem medo, sem receio,
dando ao cavaleiro
saboroso louro.
Como é belo
seu soberbo porte,
elevativa
sua pujança,
tanto a galope
como a trote...
na cavalgada
com substância.
Como são esbeltos
estes cavalos,
preferidos pela
instância,
no decurso
de milhares de anos...
são Lusos...são Lusitanos!

foto em cima, à direita, de Gonçalo Lobo Pinheiro

quarta-feira, 11 de março de 2009

Simbiose

És Boca e eu Sorriso
És Brisa e eu sou Ar
És o Tudo que eu preciso
Nesta História de Encantar
És lenha e eu sou lume
És Fogo e eu sou Frágua
És Montanha e eu o Cume
És a Sede e eu sou a Água
És Areal e eu Maresia
És Onda e eu sou Mar
És Júbilo e eu Alegria
Nesta História de Encantar
És Deserto e eu Oásis
És Beleza e eu Flor
És a Folha e eu o Lápis
Que escreve este doce Amor
És Sentimento e eu Sentidos
Sou a História e tu o Tempo
Destes tantos instantes vividos
Que me invadem Coração adentro!!!!
Eu e Tu somos assim
Somos Loucura e Cumplicidade
Somos Simbiose sem fim
De Amor, Ternura e Verdade
Sandra Nóbrega "Fly"

Janela de luz

Permanecias
por entre a luz,
dimensionando
a luminosidade,
que se reflectia
através
daquela velha
janela.

Lembranças
de um passado
remoto
na quantificação
da minha
existência
terrena.

Momentos
de contornada
ternura
pela leitura
da poesia
mais bela.

Saudades
de outras horas
sumidas,
pelo declinar
da vida,
por pena...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Faço vinho das tuas lágrimas

Falo uma língua tão antiga
Que trago as mãos em calos
Nascem letras para uma cantiga
Nos enxertos dos teus bardos
Amo-te mulher em todas as prosas
Sou o maior dos perversos
Não despedaço corações, nem faço mossas
mas nascem-me espinhos nos versos
Tua alma espreita-me na poda
É mosto a fermentar os segredos
vício de vinho que não sai de moda
Por isso esmago com os pés os medos
Por isso sou farinha nesta roda
E o pão cresce no teu corpo de vinhedos
José Ilídio Torres

Naquela praia

Descansaram
nossos corpos,
debilitados,
pelo caminhar
extasiante
e continuo
no imenso
areal...

Descansaram
nossos seres,
numa duna
daquela praia,
exaustos
por a percorrer
ao sol quente
que em nós
se instala...

Descansaram
nossos físicos,
desta vez
constrangidos,
naquele espaço
amplo e terno,
eleito
para a poesia
ideal...

Descansaram
nossos portes,
depois de
muitas lacunas,
num fugir...
a sofrer
e na saudade
que nos
abala...

foto em cima, à direita, de Paulo A. Lopes

domingo, 8 de março de 2009

O Sonho (de "Amores")

Levas-me a mão
e, contigo, sou inteira.
Flutua a sensação
de que o reflexo
dos meus olhos
nos teus olhos
vale mais que uma vida.
Canto-te e pinto-te…
E, enquanto sonho,
adio a despedida.
Diana Correia

Simplesmente Mulher

Mulher
que tanto queria...
não fosses escrava
do tempo,
não agisses
por sequência,
não lutasses
por contratempo,
não fosses sujeito
por eminência!...
Mulher
que tanto queria...
pudesses sê-lo
a preceito,
pudesses ignorar
um defeito,
pudesses ultrapassar
o conceito e
proceder sempre
do teu jeito!...
Mulher
que enalteço
nestas singelas
palavras,
a quem humildemente
peço,
pela tua vivência
que agravas,
não pensando
sequer em ti,
de quem às vezes
esqueço
e por quem
nunca morri...
jamais de ti
me despeço!...
Mulher
mais belo jardim
do mundo,
suporte da
natureza,
ser sem ter
um rival...
celebras
por desengano
este dia
sem a certeza
de um dia te verem
por igual!..
À minha mulher, à dos outros e a todas as outras...
Ninguém é de ninguém, ou seja... Alguém a ninguém pertence.
Dia Internacional da Mulher
(Que não deveria existir... para bem da própria mulher!)
Domingo, 8 de Março de 2009

sábado, 7 de março de 2009

Momentos

Estou aqui,
mas por momentos,
saio, voo,
procuro novos caminhos,
novas mentes,
novas ideias.
Paro
e contemplo o horizonte,
parece-me infinito!
Não vejo ninguém,
mas sinto alguém!
É o amor
que não me deixa
e partilho-o:
com quem encontro;
uns sorriem,
outros perturbam-se!
Reflexos:
dum mundo distraído,
egoísta,
de costas voltadas,
com poucos guerreiros,
na luta dum mundo melhor!
São momentos,
para a minha esperança.
De tristeza,
mas com a certeza,
que sou um dos guerreiros …
José Manuel Brazão

Eliminado

Castram-me
os desígnios da mente!

Atam-me
os membros e sou gente!

Ofuscam-me
o pensar permanente!

Logram-me
o evoluír influente!

Sugam-me
o sangue das veias!

Exploram-me
pelo fogo que ateias!

Devoram-me
como se fossem alcateias!

Prendem-me
no emaranhado das teias!

Tapam-me
os olhos, não vejo!

Negam-me
um último desejo!

Findam-me
como não prevejo!

Matam-me
e eu não antevejo!...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Lábios, flor de Maio


Chegas-te a mim, teu corpo de corça
Delineado pelas mãos que te percorrem,
Minhas, ávidas e perscrutantes,
Sedentas que ansioso te escorrem
Nos teus lábios flor de Maio
Saboreio a primavera em flor
Arrebato-te, penetras-me a alma
Entrego-me a ti nesse ardor
O beijo surge vindo do nada
Num roçagar de lábios e afectos
Línguas procuram-se em suave alento
Flores desabrocham em caules rectos
Sentes-me a germinar ao teu toque
Sinto teu corpo tomado ao meu, encostado
Tua pele que me inebria por baixo da camisa
Na sala tudo se aquietou, o tempo ficou parado
Só o teu sorriso gorjeia entretanto
Quando sentes que te quero…tanto.
José Alberto Valente "Jaber"

quinta-feira, 5 de março de 2009

Guerras

Corpos despojados
na terra,
resquício de
rude batalha.
Esquecida a primavera
no frio ocultar
humano...
entendimento
que falha
por consciente
desengano.
Cadáveres de
seres antes vivos,
que nada pediram
para sucumbir...
mas dos comandos
altivos
veio a ordem
que não rejeitaram.
Dos que orientam
a guerra,
dos que mandaram
partir...
de forma abrupta
e severa.
A morte de um
semelhante,
pela cor da
sua farda
é deveras
ultrajante...
conclusão
que tanto tarda!...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Inquietações da alma


Inquietações da alma
Que não suporta o vazio
De um lugar frio...

Que não esquece
Que não quer esquecer
O que em tempos foi riso
Vida
Alegria

E que hoje...
...é apenas uma sombra
Que deambula nos escombros
De uma casa vazia
Tão fria...!

Por isso chora
E lambe o sal
Que lhe escorre da face
Em silêncio...

E prefere sentir
O frio lancinante
Do vazio
Que lhe trespassa o corpo
Com o gume
De uma espada
Afiada
Com que se vai alimentando...

Ao nada
Que a deixasse morrer
De fome
Por nada mais
... sentir!


Lurdes Dias "Cleo"