domingo, 10 de maio de 2009

Seduz-me outra vez

Dança comigo…
Deixa-Te envolver
Nesta magia de acordes em que os corpos se
buscam
Os olhares se cruzam
E o ritmo comanda o pulsar dos nossos
corações em sintonia…
As tuas mãos bailam pelo meu corpo
Impondo o ritmo da paixão
O teu olhar inebria o meu numa sedução em
descompasso
Os corpos juntos acertam o passo
No desalinho da Loucura
Um, dois
Ternura
Três, quatro
Doçura...
Dança comigo…
Seduz-me outra vez

Sandra Nóbrega (Fly)
in "Pedaços D'Alma", edições Temas Originais

Força do vento que passa

Ainda corre veloz o vento
por entre a vegetação...
agora um pouco mais lento,
com menos sofreguidão.

Minutos atrás demais correu
e de uma outra feição...
com força bateu na janela,
causou imensa aflição.

Os arbustos sucumbiram
ao demolidor movimento,
num ápice do seu fulgor!

Agora as plantas sorriram
(apenas com algum lamento)
e voltaram a dar amor!...

sábado, 9 de maio de 2009

Quando Acordei

Quando acordei,
Estava nu na areia da praia,
Era manhã e estava frio,
Havia alguma roupa ao lado
E vesti-a.
Caminhei e a praia estava deserta.

Quando acordei,
Estava na cama,
Olhei um despertador com a forma de uma bola de futebol,
Era cedo,
Ela a meu lado, mexeu-se
E não lhe reconheci o rosto,
Apalpei o meu
E as rugas não condiziam
Com a noção de mim.

Quando acordei,
Era tarde e estendia a roupa
Senti-me demasiado gordo
E com bafo a bagaço.

Quando acordei,
Estava no meio do trânsito,
Tinha uma farda estranha
E doía-me os braços de acenar
Á multidão de bicicletas e
Carros de bois,
Gritavam comigo.

Quando acordei,
Cortavam partes do meu corpo
E doía-me,
Não conseguia falar.

Quando acordei,
Era pardal
E cai,
Um cão abocanhou-me
E largou-me numa relva suja.

Quando acordei,
Era mulher e algo saia pelas pernas
Com dores excruciantes,
Gente de branco incitava-me
Mas não ouvia as suas vozes.

Quando acordei,
Soprei um balão perto do carro da policia,
E vomitei junto a roda,
Uma mão forte
Agarrou-me no braço.

Quando acordei,
Era sol
E deixei de brilhar
A escuridão instalou-se
Para sempre.

Quando acordei,
Era eu,
E juro que não beberei mais.

Carlos Teixeira Luís

Uivo de dor

Neste encontro desconforme,
que o terror tenta abalar...
oiço o ladrar de um cão.

Que raivoso está,
mais parece uivar!...

Uivo de dor,
de ódio
e de contestação.

Neste lugar uniforme,
nesta imensa escuridão,
apenas se ouve
um uivo de cão!...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

[a raiz demanda a água, demanda]

a raiz demanda a água, demanda
a palavra que habita o coração
da sede. cada coisa que há no mundo,
qual sede, é demandada. uma raiz
a demanda, mas nós o que detemos
não é palavra exacta, antes reflexo.
por isso, persistimos na demanda.

Xavier Zarco

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Lua nossa


Lua
nossa perdição,
brilhante,
visão esplendorosa...
reflectida em azul
de forma airosa.

Estrela
de outra estação,
ampla e majestosa,
fulcral
e predominante.

Lua
êmbolo
de um sonhador,
que te sonha,
sempre,
com amor!...

foto, em cima à direita, RF Royalty Free

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A pobre vaidade

Vai segura
E espampanante
A convencida
Bamboleando-se pela rua...

Julga-se a mais bela
Quando despreza
Quem de si se aproxima

Coitada...
Soubera ela
Que se o vestido
Se prendesse num pico
A desnudaria num segundo
E poria a descoberto
As meias rotas
E o elástico lasso das cuecas!

Vai segura
A trote pela rua
Pedantes são os seus tiques
Que ridícula vaidade é a sua!...

Lurdes Dias (Cleo)

Dos insectos

Da formiga a firmeza,
da abelha a gratidão,
da libelinha a beleza,
do gafanhoto ser saltitão.
Da cigarra a melodia,
da mosca a irritação,
da borboleta a magia,
do pirilampo a sedução.
Do escaravelho a penitência,
do louvadeus a altivez,
da vespa a imponência,
que na carocha se desfez.
Do grilo em sentinela,
da aranha a armadilha,
do besouro a aguarela
e da joaninha a maravilha!...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Barca da fantasia

Em meus olhos horizontes de mar
Cujos limites não encontro
Nas ondas do meu divagar
Busco sinais do meu paradoxo

Rumo ao mar alto da minha fantasia
Na barca de sonhos que me serve de nau
Enfuno as velas, viro popa á paralisia
Proa ao norte, faço-me ao largo

Reviro formas na nau catrineta
Afogo as duvidas, as tristezas
Marinheiro sem jeito para treta
Gume entre os dentes, afago o real

Que aos olhos de outrem
Será loucura, paranóia alucinação (?)
Assomos da onda que vai e que vem
Rusgas do ser que procuro

Nos salpicos que me batem no rosto
Prelúdios de realidade que me assaltam
Sou almirante, comandante no meu posto
A bússola são meus olhos no firmamento

Longínquo mas que sei estar lá
Dou ordens ao homem do leme
Que me fixe e encontre o destino lá
Onde a proa cavalga as ondas

A cada uma que me bate no casco
Temo pela minha fragilidade
Com medo que a ultima seja o carrasco
Da minha nau onde embarco

Vai ao largo a barca da fantasia
Vai ao largo meu ser, amado e odiado
Tantas vezes, no rumo que ninguém desvia
Áh barca minha, barca da minha vida

José Alberto Valente "Jaber"

Sonhar de ti

Cedo ontem me deitei…
atitude fora do comum;
logo o sono espreitei,
sonhos foram mais que um.

Tais, que não sei definir,
entravas em quase todos;
nuns triste, noutros a sorrir,
mas sempre com bons modos.

Era tua morena pele macia,
o teu lindo olhar reluzente
e a tua voz cheia de magia.

O teu belo ser proeminente…
que envolto em fantasia
empolgava o seres gente!...

domingo, 3 de maio de 2009

Lançamento do livro "Pedaços D'Alma", de Sandra Nóbrega (Fly)

A Autora, Sandra Nóbrega (Fly) e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "Pedaços D´Alma", a ter lugar na Galeria Municipal do Montijo, sito na Rua Almirante Cândido dos Reis, 12, Montijo, no próximo dia 9 de Maio pelas 16:00.

Obra e Autora serão apresentados pelo Mestre Rogério Borges Pereira Mota.

Se puderem, não faltem.


Lembra de mim?

Lembra de mim?

Seguindo os passos das tuas palavras pelos
canais intelectuais
Identificando seus gestos pelas vogais
Nas consoantes dos teus portais...

Lembra de mim?

Ouvindo tuas canções mais preferidas
Sonhando com um rosto de mulher sem face
Presente em teu coração saudoso...

Lembra de mim?

Olhando nos meus olhos sorrindo pros teus
No instante inesquecível do nosso primeiro encontro
Eternizado pelo nosso abraço...

Lembra de mim?

Eu sou aquela que nunca te esqueceu
Esperando por ti todos os dias da minha vida
Na incerteza de te reencontrar...

Lembra de mim?

Helen De Rose

Decisões entre paredes

Se essa parede falasse…
em réplica à sua lateral,
certamente dialogariam
sobre as urdidas atitudes,
tomadas pela calada.
Se elas pudessem transmitir
o desiderato dos passos,
que junto delas vagueiam,
e a relutância
com que percorrem a indiferença,
nesse caminhar
onde omitem o vasto leque social.
Se alguém, com poder,
extorquisse o relato
de tanto passado,
factos subjugados pelo esquecimento,
por ventura,
desafiados do adormecimento…

Se simplesmente
se soubesse, um pouco,
desses negros hábitos
e dessas conjunturas,
que nos oprimem?!...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

«A alma do poeta...»

"O Poeta é um fingidor...
"todos ouvimos dizer.
Mas é comunicador,
diga ele o que disser...

Podem ser rimas de amor,
felicidade ou prazer...
Podem ser rimas de dor,
de pezar ou de sofrer...

Mas porém a poesia
que brota da sua pena,
com pesar... ou alegria...

é pois comunicação,
de uma alma, não pequena,
com o fervor do coração...

António Boavida Pinheiro "António dos Santos"

A nossa tomada mútua


Tudo começou numa brincadeira... Após sorrirmo-nos toquei-te... Um olhar diferente se expressou, sede de outro toque, e outro. Chegam abraços de parte a parte, nossas bocas se encostam e suas línguas desbravam múltiplos caminhos... nossas salivas se trocam. Os corpos estremecem, desde logo se aquecem e as mãos, que são as nossas, se entrelaçam. Uma das minhas (a direita) retira-se... faço-a deslizar pelo teu corpo, tacteando tua suave pele e tuas onduladas formas, minha mente exulta. Procuro com simbiose os pontos fulcrais. As bocas...essas continuam em grandiosa labuta e ouvem-se os primeiros arfares... já estamos fora de nós sempre em si interiorizados. Porque estivemos todo aquele tempo nus, sem nos tocarmos?... julgamos pensar agora aquilo que já não pensamos. Eis que tudo se torna deveras intenso e simultaneamente impreciso, mas muito mais enleante e fervoroso... agitamos, entretemo-nos, iniciamos, produzimos, enroscamo-nos, continuamos, culminamos, invadimo-nos. Aprontaste-te, penetrei-te... sem estratégias. Introduzi em ti um pouco de mim. Um acontecer de irregulares movimentos, descabidos de compasso, aumentam loucamente o teor da efusividade, estonteante... Qual aura de felicidade?! Num misto de prazer e brusquidão, levamos nossos seres à sublimação, em plena exaustão. Finalmente despojamo-nos... desde logo nos abraçamos, com força, extasiados... corpos transpirados, respiração ofegante... Dou-te um beijo na testa, transmites-me um sorriso... nossos olhares transbordam de alegria, tudo é brilhante à nossa volta... e tudo começou numa brincadeira... como muitas vezes!...
in "Ser Poeta", de António MR Martins, da editora Temas Originais
foto em cima, ao centro, RF Royalty Free