sábado, 25 de julho de 2009

OS TEUS LÁBIOS

Os teus lábios são um Mundo
Onde me perco a viajar
Vou e volto perdida
E perdida torno a voltar
Os teus lábios são frenesim
Que palpitam de doçura
Sinto-os tão quentes em mim
Perdidos de tanta Ternura


Sandra Nóbrega "Fly"

Pela comemoração do 2º aniversário como usuária do "site" da escrita "Luso-Poemas"

Aperto no respirar da poesia

Dobrei o espaço
que me contornava os movimentos.

Pude respirar um pouco melhor!...

O verso continha uma palavra a mais!…

Retirei uma delas,
mas não era a aludida.

O sufoco me envolveu,
em apoteose!…

Fiquei sem hipótese de fuga!...

Quase não consigo respirar!...

O ar já não me envolve,
o puro!...

foto de Emanuel Oliveira (Falta de AR)
in Olhares - fotografia online

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ciúmes


Impiedosamente lanças o grito
e destróis-me com a vaidade
do teu ego desmedido,
lançando olhares e gentilezas,
palavras e graças
que m’atraiçoam.
Enquanto ardo na fogueira
que ateei com despeito,
rogo para que as chamas
te queimem o orgulho
e que os desvios dos caminhos
te tragam tão somente a mim.
A cegueira que m’atinge
levanta o punhal
e crava-to no peito!
Vera Sousa Silva

À vila alentejana de Mourão


Terra de sangue alentejano
presa a um braço do Guadiana,
na sua matiz de branca cor,
num casario que rodeia o castelo,
quase proferindo um apelo
a todos os que passam clama,
sempre com o mesmo amor…
em canto de grande emoção,
na voz de superior soprano.
É com relevante chama…
não esquecendo a gratidão,
que rejubilo e aqui revelo:
- Te adoro, vila de Mourão!...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Lançamento do livro "Continuando assim...", de Teresa Queiroz

A autora, Teresa Queiroz, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Continuando assim...”, a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, Lisboa, no próximo dia 18 de Julho, pelas 19:00.
Obra e autora serão apresentadas pela Dr.ª Isabel Basto.



Apareça!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dueto com o meu cão

O meu nome é Gaspar
Sou um libertino Podengo
Já devem ter ouvido falar
Deste cão que não é trengo
O Zé Torres, esse febril
É o meu dono sem ser
Foi-me buscar ao canil
Mesmo antes de eu nascer

Que o seu desejo por um cão
Era uma coisa do destino
Lida na palma da sua mão
Por uma cigana sem tino

Ainda me lembro quando cheguei
Embrulhado do enjoo
Do susto enorme que apanhei
Neste meu primeiro voo

Lá onde eu estava hospedado
Nunca avistei o céu
Era uma espécie de condenado
Sem antes ter sido réu
Hoje vivo perto do paraíso
Sou dono e senhor do lugar
Agradeço ao poeta sem juízo
Tudo o que me fez ganhar

Eu, é que aqui te agradeço
Gaspar que não és cão
O mais homem que conheço
Neste mundo sem perdão

Sou o Zé Torres poeta
Disso podes ter a certeza
Uma espécie de pateta
Sem direito a sobremesa

E estas nossas conversas
Nem precisam de sofá
Basta o olhar com que versas
Na conversa que não é vã

Também eu bem me lembro
Quando aqui chegaste agoniado
Seria Agosto ou Setembro
E fui eu que limpei o vomitado

Recordas-te do texto que te dei(1)
Em conversas já passadas?
Do primeiro livro que editei
Nas tuas lágrimas molhadas?


Eras como hoje, cão mais homem
Que muito homem que por aí anda
Sem esperança que o retomem
No canil de quem nele manda


José Ilídio Torres

Mais trabalho, menos salário

Hoje te dou mais trabalho
que me dará mais dinheiro...
de certeza não atrapalho
teu labor do mês inteiro.

Com trabalho extraordinário
cumpriste o teu objectivo;
tenho de encurtar teu salário,
mesmo que não haja motivo.

Com grande rigor e mais valia
consegues manter o emprego,
se aos sábados vieres, seria

muito melhor, eu não nego...
e demonstraste valentia,
não dou dinheiro, dou um prego!...

António MR Martins

foto de Luísa Luís, in Olhares Fotografia Online , "Avareza"


domingo, 5 de julho de 2009

tu criança

tu criança
que do amor
és o fruto perfeito

sim tu criança

porque hão-de
almas satãs
roubar-te o que é teu por direito

sim tu criança

porque hão-de
infernos humanos
destroçar o teu arco-íris

sim tu criança

porque hão-de
canalhas malfeitores
apoderar-se do teu sonho inocente

António Paiva, in "Janela do Pensamento"

sábado, 4 de julho de 2009

Que não morra a esperança

Me empolam os poros do prazer
numa incontida persistência,
desarvorada...

Me enrolam na plenitude do ser,
incutindo-me a penitência,
alcandorada...

Me tornam suspeito
de uma presença
irreconhecível...
num desenrolar
desanuviado...
no acalmar a besta
da intolerância.

É neste discernir,
neste descobrir...
que atento o valor
do elevado sentir da esperança!...

domingo, 28 de junho de 2009

O rouxinol de Bernardim

O rouxinol de Bernardim
era teu ou era meu
quando veio de madrugada
tecer seu canto no muro do jardim?
E após breve pousada
levou os séculos voando
quando perto já de ti,
vim abrir para dentro as portadas.
Ouviam-se carros nas estradas
o rouxinol desaparecia, voava.
À procura de uma árvore
destroçada sobre a terra exangue
na paisagem, vidros partidos, papéis,
galhos, jornais, a tinta a sangue
No jardim de minha casa
há sempre uma rima de Bernardim
que canta aflita de madrugada,
como se houvesse uma levada
e essa fosse, a do teu amor por mim!

José Ribeiro Marto
in livro "Pastoreio", edições Temas Originais (Junho de 2009)

Horas tardias da noite

Horas tardias se esfumam…
não sei se
por magia ou negrura
do desenrolar deste tempo.
Mostras do cansaço
saturam
no rasgo de mais uma noite,
acumulado nas mentes
que aturam.
Horas sombrias se desvanecem…
num corolário da agrura,
tristes pedaços da vida
em nostálgica cena,
num misto de verdura.
Mescla de episódios sofridos,
numa vivência vivida…
recortes por demais esbatidos
de um golpe sem ferida.
Horas que passam por nós,
num tempo que já o não tem…
Horas que não servem
a ninguém!...

foto in blogue "Pessoas e Poetas", Desamor

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Corpo esquecido

Libertem-me
desta liberdade estigmatizada
que apregoa nas esquinas
um corpo que se vende
a uma prostituição
de vícios perniciosos.
Saciem a vontade
da insatisfação prematura
de quem não encontra
aquilo que procura.
O infortúnio encosta-se
em bustos maquilhados
que disfarçam
brutais bocados,
dissimulando o prazer,
em busca de uns cambiados.
A rotina repete-se,
o corpo embranquece,
fecham-se as portas,
já ninguém se lembra dela
naquele sobe e desce
onde o cheiro da podridão
explora o sadismo
dos vagidos promíscuos,
das corjas da solidão.
Conceição Bernardino
in livro "Linhas Incertas", edições Mosaico de Palavras (Maio de 2009)

Os Esquecidos de Sempre

Oiço os passos da verdade
com emoção repartida...
em conflito com a realidade
no contorno da própria vida!...
Paradigma de contextos
anunciados num momento,
revolvidos na memória
vazia de outros pretextos
entregues ao lamento
dos esquecidos da História!...

domingo, 21 de junho de 2009

Lançamento do livro "Canção do Exílio", de Gonçalo B. de Sousa

O autor, Gonçalo B. de Sousa, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Canção do Exílio”, a ter lugar na Casa do Alentejo, Rua Portas de Santo Antão, 58, Lisboa, no próximo dia 27 de Junho, pelas 19:00.
Obra e autor serão apresentados por José Félix.

A sua presença será fulcral!...

Lançamento do livro "Do Mar e de Nós", de José-Augusto de Carvalho

O autor, José-Augusto de Carvalho, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Do Mar e de Nós”, a ter lugar na Casa do Alentejo, Rua Portas de Santo Antão, 58, Lisboa, no próximo dia 27 de Junho, pelas 16:00.
Obra e autor serão apresentados por Xavier Zarco.
Aguardamos a sua presença.