domingo, 16 de agosto de 2009

Vem de ti


Vem de ti…
A pujança do teu carácter,
a firmeza do decidir.

Vem de ti…
A beleza do teu sorriso,
a magia do teu encanto.

Vem de ti…
O enlevo que pressinto
na razão do existir.

Vem de ti…
As pétalas da esperança,
que envolvem nosso manto.

Vem de ti…
A simplicidade das coisas,
numa áurea de felicidade.

Vem de ti…
O eminente rejubilar
no colmatar o sofrer.

Vem de ti…
A voz da proeminência
no relato da verdade.

Vem de ti…
O afago que sempre sinto
e que tento acolher.

Vem de ti…
Entre tantas outras coisas,
saudadas sem preconceito,
a carícia que em mim poisas
nesse teu sublime jeito!...

Vem de ti…
Tudo o que preciso em mim:
- A amizade no seu esplendor
e o auge de me sentir assim:
- Aconchegado no teu amor!...

António MR Martins
foto de Alzira Martins, ano de 1977

Resto de luz

É no tempo que nos resta
Que encontramos a vida
Aguarela cinzelada
No dourado solar
Escondido
Na lua prateada

Um labirinto caminho
Com becos cicatrizados
Espiral de horas
Promessas imaginárias
Erguem-se as pálpebras
Descalças
No fundo do túnel em breu
Um resto de luz
Espreita ao longe
Arranca no sangue
O grito agudo
Enraizado no desalento
Rasga o véu
Em busca da força divina
Tempo perdido
Agarrado no sussurro
Sem lamento…

Ana Coelho

9 - Escolhas

todos os instantes futuros
serão passado.
ditames do fluir,
pois nada é cativo senão livre.
fundamentos da consciência?
o pensamento do coração
a redenção não é opção. é escolha!
como a luz,
a bondade,
o ser universal
e o aceitar do místico que nos faz no uno.
o tempo é maior do que o tempo humano!

Vicente Ferreira da Silva

in livro "Interlúdios da Certeza", edições Temas Originais, Março de 2009

Grande festança

Naquele grandioso repasto
para o qual fui convidado
deparámos com menú vasto,
nunca antes saboreado
Foi degustar carne e peixe
sobremesas até mais não;
regados com vinho a desleixe,
até tombar ao "caixão"!...
Alimentos em demasia...
jamais foram recusados,
sempre com enorme alegria.
Nunca, por nunca pensado
aquela ementa por magia...
teve seu teor reprovado!...
António MR Martins
foto in blogue "Momento", de Sara Ramos (Gula)

sábado, 15 de agosto de 2009

As voltas que uma folha dá

E a folha enrola no vento
Prisioneira arrebatada
Num inquieto sentimento
De leveza sustentada.
Num sopro se ergue ao céu
Repescando o nosso olhar
Lá no alto tudo é seu
E a alma segue-a a pairar.
Quebra-se o ar e a vontade
Soltam-se os laços sustento
Cai a folha em liberdade
E morre junto com o vento.
E a alma segue-a também
Num movimento sem jeito
Liberta-se no que a mantém
Presa num amor perfeito

Conceição Roque Silveira

Banco de jardim

Apetece-me!
Hoje sento-me no banco do jardim.
Aqui espero a tua chegada.
Hás-de vir um dia, eu sei.
Rodeiam-me os passos do sossego.
Ao virar a face creio em ti no horizonte.
Não estou aqui a todo o momento;
Vou e venho amiúde, e me tolero
Neste jogo de anseio.
Entretanto se chegares e não me vires,
Pergunta por aí onde me encontro.
Não creio que o banco de jardim te responda
Pois nele não mais me sentei.
29 de Julho de 2009

© Gonçalo Lobo Pinheiro

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Deixem-me em paz

Arranquem-me das entranhas
pela vil desobediência
e pelas causas tamanhas,
já me falta a paciência!...
Deixem-me da mão um segundo,
de vós já não faço caso...
querem ser senhores do mundo,
para isso não vos dou azo!...
Vão lixar-se e outro tanto,
bugiar para outro lado...
da vida perdi o encanto!...
Estou de merda atolado,
deixem de emitir esse canto,
dele já estou escaldado!...

António MR Martins
foto RF Royalty Free "Ira"

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Terra é sempre Terra!

Ainda há terra em minhas unhas
Onde arava a vida em verve!
Em brados de sonhos da alcunha
Da minha querida Baixa Verde
Ainda ouço o baque do balde no poço
E o trote dos burros mansos,
O crepitar da lenha cozinhando o almoço,
A rede no alpendre, embalando o descanso...
Mesmo quando algum dia, velhinha
Envolta em lembranças que me definham
Ainda terei seguro nas mãos, o sonho
Agasalhando meus ossos gelados
E erguendo meu olhar, já ignorado
Alçando vôo a procura de meu ninho!

Gladys F. Kogl "Maria verde"

domingo, 9 de agosto de 2009

Perde-se o homem, não o valor

Perde-se o homem
Não o valor
Fica o autor
Por ele meu clamor.
Perde-se o homem
Não o valor
Fica o humanista
O poeta, o cantor.
Perde-se o homem
Não o valor
Fica o companheiro
O sagaz apresentador
Perde-se o homem
Não o valor
Fica a sua razão
De simples sofredor.
Perde-se o homem
Não o valor
Fica a sua imensidão
O sorriso libertador.
Perde-se o homem
Não o valor
Fica o seu pundonor
O ser lutador.
Perde-se o homem
Não o valor
Fica o belo azul
A sua grata cor.
Perde-se o homem
Não o valor
Fica a sua criatividade
O ser inventor.
Perde-se o homem
Não o valor
Fica a recordação
Do seu bom humor.
Perde-se o homem
Não o valor
Fica-nos na alma
O seu eterno amor!...
A minha singela homenagem ao grande homem da cultura portuguesa, meu consócio azul de Belém, que deixou a vivência terrena a 8 de Agosto de 2009.

Até lá!
2009.08.09
António MR Martins
foto de Raul Solnado, tvuniverso.com (net)

domingo, 2 de agosto de 2009

Diálogo impossível

- Acontecem-me coisas sem falar.
Disse como se não tivesse ouvido.
- E digo-lhe mais:
- O que é que você disse?
- Disse que você ouve coisas a mais.
- Ah! Pensei que você tinha dito que eu falava pouco.
Queira desculpar.

José Ilídio Torres

sábado, 1 de agosto de 2009

rasga tudo

rasga que é papel, rasga que é verso,
rasga calvário acima, rasga calvário abaixo.
rasga e crucifica a paciência,
rasga tudo que a mentira virou ciência.
rasga a fictícia tempestade,
rasga que é álcool nas pernas e água a ferver.
rasga esse estalar de ossos,
rasga que não passa de arroto débil da mente.
rasga e tropeça no fragmento,
rasga e não choques ovos na alcova do jumento.
rasga tudo que são cólicas,
rasga a gargalhadinha de raiva que idiotice virou talento.

António Paiva

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Amar! Amar!

Eu,
hei-de voar mais alto
que as estrelas,
Abraçar o mundo
com meus braços,
Rasgar infinitos
em amplas janelas...
Caminhar,
muito no Além dos espaços !
Perder-me em infìmos
e mágicos matagais,
Onde os lobos uivam
á noite gritos infernais !...
Sombras,
no verde dos olivais ,
Cantar dos teus olhos,
no gorjeio dos pardais !
Eu e Tu!
suspirando gritos! ...
(Vagas enamoradas)
flutuam ao som do vento .
Palácios e estrelas,
ao longe os infinitos!...
Juntos...
Sempre!
Em pensamento!...

Luísa Raposo

Parado no aconchego

Num conceito apropriado
sem pretexto pelo tempo
ancoro-me bem situado
simulando um passatempo.

Desisto de todo o esforço
de índole física ou mental
no descanso vem o reforço
que consolida meu astral.
Não incomodem meu ser,
seja lá pelo que for,
mesmo que chovam calhaus.
Nada há que queira fazer,
pela fome de tamanha dor
e na vida subir degraus!...
foto R F Royalty Free (net) "Preguiça"

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sentimentos escondidos

Já repararam que, na sociedade em que vivemos é, cada vez mais, raro ouvir alguém dizer “amo-te” ou “gosto de ti”? E que aqueles que o dizem, muitas vezes, fazem-no com receio de serem mal interpretados? É claro que muitas vezes demonstramos, pelos nossos actos, que amamos alguém. Mas será que a outra pessoa o percebe? Será que não vai pensar que reagimos assim com todos os outros?Não é fácil, eu sei e assumo. Gostava de ter a coragem necessária para ser a primeira a dizer: “Amo-te. Gosto de ti”. Parece fácil… Mas não é! Porque não sei o que vão pensar de mim, nem sequer sei se sentem o mesmo. Podem reagir assim com outras pessoas e eu ser apenas mais uma. Ou não... Enquanto não me dizem o que sentem, eu não terei a certeza. E com vocês, também é assim, não é?Mas, pensem lá comigo… Se nós não o dissermos, também não vamos ouvir! Se não o dissermos não vamos saber se sentem o mesmo ou não! Não temos de esconder o que sentimos a quem é o objecto da nossa afeição. Porque, se o fizermos, estaremos a esconder uma parte fundamental de nós a quem mais nos importa. E para quem somos importantes. E se não quiserem que o resto do mundo saiba, não interessa. Basta que os envolvidos saibam!
Magda Pais "Pedra Filosofal"

Continuada submissão

Este interposto bloqueio
Que tarda em debandar…
Ramifica seus tentáculos
No sentido de aprisionar.
No estábulo da realidade
Esta liberdade ligeira…
Galopa sem limites…
(Sem eira, nem beira!...)
foto Beyond Foto/R F Royalty Free