terça-feira, 8 de setembro de 2009

Por ti

Por ti
conquistarei
o Sol, a Lua,
a Vida!
Por ti
serei alegre,
romântico
e generoso!
Por ti
encontrei a Luz,
a paz,
a harmonia,
a serenidade!
Por ti
conquistei a felicidade!
José Manuel Brazão

Brindar com este vinho

Sede de um vinho
que não bebo

Propósito
indefinido

Essa a protecção
sem saber

De um paladar
pretendido

Brindemos
com esse vinho

Seja de quem for
o proveito

O golpe
foi desferido

De um
ou outro jeito

António MR Martins

foto in: www.fotosearch.com.br/IMR177/ie007-008/, na net

domingo, 6 de setembro de 2009

«« Mãe cativa ««

Deslizas em espiral pela beira do pesadelo
Desgarrada medonha em forma de agonia
És filho imaturo de uma mãe que asfixia
Num rio de tormentas, por um filho, um apelo

Entrelaças a esperança por entre o feio novelo
Imaginas num relance que vistes a luz do dia
Mãe cativa chora lágrimas de alegria
Filho perdido abraçaste um duelo

Num rasgo de lucidez e desesperança
Agarras um raio de sol feito criança
Embrenhaste numa luta desigual

Entre o vicio, a dor o prazer imaginado
Numa seringa, na calma de um dardo
E essa mãe que reza, sua fé é abismal.

Antónia Ruivo

Por terras de Monsaraz

Deste Telheiro
do Sem Fim

Do instante
do presente
irradiante
que consente

Olhar em redor
e vislumbrar

Uma beleza
contagiante
de exultar

Deslumbrante

Assim

António MR Martins
foto de A. Caeiro (fonte do Telheiro), in blogue "Monsaraz" (na net)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

... ( à mesa)

O poeta está sentado
numa mesa de canto,
perfumada e assepsiada
com essência de pinho,
com os primeiros raios do sol...
O poeta está de cara
para o espelho enterrado
na mesa e vê,
além da sinfonia das moscas,
recortes entorpecidos
de fotografias
vazando dos copos trincados,
deitados...
Sim:
é mais uma biografia dos dias.

Edilson José

Coimbra em simbiose

Destas amarras
me desprendo

Nesta cidade
das letras

Este é o templo
em que aprendo

Aqui reflicto
nos versos que soletras

Coimbra
de muitos amores
de uns
e de outros

Gosto de ti
sem favores

Na premência
do encanto

Com toda
a sensatez

Ergui a voz
para um canto

Que em ti
libertei de vez

António MR Martins
foto de António Martins - Hotel Quinta das Lágrimas, em Coimbra - Janeiro de 2008

domingo, 30 de agosto de 2009

A flor do sonho

Quando o luar beijar a terra adormecida
E as guitarras do vento gemerem baixinho
Tu virás
Como sempre
Na forma de um lírio
Branco como a neve
Enfeitar o meu sonho

Conceição Bernardino

Completa secura

Resvalo
Nas margens
Do rio que não corre

Suas águas secaram

Como se fora
Uma estrada sem trânsito
Ou com um fim
Por saída

Depois
Me seca a garganta

Os raios solares
Me envolvem
Fortemente

Lentamente
Desiderato

É profunda
A secura

António MR Martins
foto in "Photographers Choise" - RF Royalty Free (na net)

sábado, 29 de agosto de 2009

Fogacho

Arde o olhar
num fogo vivo
arde a alma
arde a dor
e em nada morro
e nas cinzas sobrevivo

Paulo Afonso Ramos

Luísa


Luísa diz
Luísa sente
Luísa feliz
Luísa não mente

Luísa sofre
Luísa faz
Luísa nobre
Luísa capaz

Luísa sol
Luísa luz
Luísa rol
Luísa seduz

Luísa lua
Luísa dor
Luísa nua
Luísa amor

Simplesmente Luísa

António MR Martins

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

«Os anos passam...»

Aos 10 anos és um garoto,
ainda em casa dos pais,
mas aos 15 seu maroto
já pensas em coisas tais.
Quando aos 20 mais afoito
pensas saber para onde vais,
aos 30, 40, quarenta e oito,
aos 50 muito mais.
Aos 60 te reformas,
e aos 70 já não tornas
a fazer grandes planos.
Mas se aos 80 chegares,
já com poucos dos teus pares,
tu serás um «veterano»...

António Boavida Pinheiro "António dos Santos"

(Re)encontro definitivo

Parto lentamente,
sem para trás olhar.

Ocultado
pela suja vidraça,
suspensa
naquela velha parede!…

Parto
sem o elaborado destino,
mas intencionado,
com a esperança,
no retomar da viagem!...

Os sons poderão
ser diferentes,
os registos desiguais;
pela fuga são prementes
ansiados por todos
os mortais!...

Mas, parto
para aquele lugar, outra paragem…
essa é a minha radical sentença!...
Ofuscarei, de vez, essa miragem…
pois lá poderei reencontrar tua presença…

Para sempre!
António MR Martins
foto de Brand X Pictures, RF Royalty Free (net)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Alma Coerente

Se visses o que eu sofri…
Em tempos idos que foram
Talhados de muita amargura,
Mas sempre coerente comigo!
Se visses o que eu sofri…
Por um ser que muito amo
Não lhe trazer maiores mágoas,
Mas sempre coerente comigo!
Se visses o que eu sofri…
Por outros que pensei me amarem
Hoje uma certeza marcante,
Mas sempre coerente comigo!
Se visses o que eu sofri…
Quando um dia eu descobri
Que sofrer não vale a pena,
Mas sempre coerente comigo!

Luísa Simões Martins

As fontes de tantas vidas - Ao ilustre poeta Xavier Zarco

O poeta fala das fontes
Da sua vontade
E do anseio
Pela sua cidade
Mítico tesouro
Da universidade da vida
Centro de um universo histórico
Que lhe deu guarida

Num misto de sublimação
E história
Num retrato de euforia
E felicidade
Preservado pela sapiência
E pela memória
Em fantasia ao encontro
Da realidade

Realça a água que corre
Das fontes
A meias com o caminhar
Do Mondego
Dessa Coimbra entre serras
E montes
E do seu constante percurso
Para se alhear do degredo

Conflitos de gerações
Amores divinais
Das ilusões
E de todos os vitrais

Desse espólio
Dessas fontes de cristal
Do amor de Pedro e Inês sem igual
De Coimbra de Portugal

Do embalar da História
Do apogeu e da glória
De cultura com apego
De Santa Clara do seu aconchego

Quem faz um hino
Fá-lo por gosto
António MR Martins
foto de António Martins (junto à Fonte dos Amores, árvore secular, Coimbra - 15 de janeiro de 2008)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Estudo

Do que sei de mim
Sei do mar.
Sei das formas, sei das cores.
Que a onda nasce, cresce e cai
E que, a cada recomeço,
Já não vai ser mais a mesma
Que desperta, sobe e seca
Mas a luz do seu avesso.
E corres e corres mas afundas
Percorres, percorres mas perdes
E morres e morres mas demoras.

Diana Correia