terça-feira, 13 de abril de 2010

Mensagem em embrião

Silvestres
Esses frutos

Brotados
Nesse teu campo

Primor
De refluxos

Leve deusa
Sem seu manto

Os outros
Retiraram-se

Por serem astutos


António MR Martins

in Encontro de Escritas 2009.09.05
foto in Lushpix Value - RF Royalty Free, na net

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Antologia de Escritas nº 7 - Março 2010 (com a minha participação)




Já se encontra publicada a “Antologia de Escritas nº 7”, referente ao ano de 2010, cuja 1ª edição está datada do mês de Março. Com a habitual organização do escritor José Félix, esta antologia, onde participei pela primeira vez, traz-nos à leitura alguns textos dos autores que foram interagindo, no ano de 2009, com a sua escrita (pelo gmail, como é o meu caso) para o endereço na net do grupo Escritas. Neste trabalho vejo-me rodeado de enormes itens da poesia e da escrita em geral, o que me vem satisfazer sobremaneira.

Passo a indicar o nome dos autores participantes, por ordem alfabética:

- Ana Lúcia Merij, Ana Maria Costa, António MR Martins, Basílio Miranda, Clodomir Monteiro, Constantino Alves, David Fernandes, Francisco Coimbra, Geraldes de Carvalho, Gonçalo B. de Sousa, João C. Santos, João S. Martins, Joaquim Evónio, Jorge Vicente, José Dias Egipto, José Félix, José Gil, Manuel C. Amor, Sônia Regina, Walter Cabral de Moura e Xavier Zarco.

Alguém que esteja interessado nesta obra poderá contactar qualquer um dos autores indicados e/ou o organizador deste trabalho, José Félix, para o endereço seguinte: - jonasfel@netcabo.pt

Eventos da Temas Originais para 17 de Abril

Estimado/a Leitor/a,
Em Lisboa: 17 de Abril, pelas 15:00
Apresentação do livro de Poesia

O autor, Hugo Costeira, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Manual da Ilusão” a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 17 de Abril, pelas 15:00.
Obra e autor serão apresentados por Maria Anadon.

Manual da Ilusão
(Poesia)

Sinopse: "uma compilação de vários textos de ensaio e prosa poética sobre variados temas, desde a felicidade à desilusão, passando pelo amor e pela solidão, caminhando pela vida e pelos vários momentos que vão marcando um percurso ainda não acabado" (da Introdução).


No Porto: 17 de Abril, pelas 16:00
Lançamento do livro de Poesia “Cardio.grafia” de Vera L. T. Santos
A autora, Vera L. T. Santos, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Cardio.grafia” a ter lugar no Ateneu Comercial do Porto, sito na Rua Passos Manuel, 44, Porto, no próximo dia 17 de Abril, pelas 16:00.
Obra e autor serão apresentados pelo poeta Hugo Milhanas Machado.


Cardio.grafia
(Poesia)

Sinopse: "um livro de paixão por um tu, a que o corpo (tópico que aparece constantemente, como tal ou metonimicamente, através das mãos, da boca, do rosto, dos seios, do peito, dos olhos, do ventre, etc.) se entrega totalmente." (do prefácio, Vítor Oliveira Jorge)

Sobre a Autora: Vera L. T. Santos

Vera L. T. Santos (n. 20 de Abril 1982, Porto). Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (variante de Estudos Portugueses – Ingleses) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo a par desta uma Especialização em Gestão e Organização da Formação realizada na Universidade Católica do Porto. Participou, na qualidade de colaboradora eventual, nas revistas Callema, Minguante e na folha de poesia Músculo. Reside, actualmente, na Irlanda.



Em Lisboa: 17 de Abril, pelas 19:00

Lançamento do Romance “O Último Beijo” de Manuela Fonseca

A autora, Manuela Fonseca, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “O Último Beijo” a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 17 de Abril, pelas 19:00.

Obra e autora serão apresentados pelo escritor Paulo Afonso Ramos.
O Último Beijo
(Romance)

Sinopse: Entre os registos poético e epistolográfico, uma história que nos cativa e que tem como centro o valor da amizade.

Sobre a Autora: Manuela Fonseca

Maria Manuela Félix da Fonseca dos Santos Amaral nasceu a 6 de Março de 1956, em Moscavide. Andou na escola até à frequência do 9º ano, que nunca chegou a terminar, pelas vicissitudes da vida. Começou a despontar para a escrita na adolescência. Mais tarde, em 1986, redigiu o seu 1º poema: "O Meu Alento". Paralelamente, escreveu Histórias Infantis e alguns Textos Humorísticos. De 1988 a 1990, muitos dos seus trabalhos (poesia, prosa e outros textos) foram publicados nos jornais "Correio da Manhã" e "Diário de Notícias". Em 1991, num concurso realizado pela Rádio Comercial, num programa da Filomena Crespo, ganhou o 1º prémio com o texto "2012 – Ano do Tédio ". Foi animadora de uma rádio local, decorria o ano 1992, em dois programas: um de informação e outro virado para a poesia e música portuguesa. Fez um curso livre de Literatura Portuguesa, durante três meses, no ano 1993. Participou em Jogos Florais “Literatura Oral e Conto”, integrados no programa Leitura & Cultura da Fundação Calouste Gulbenkian, onde obteve um diploma de participação. Em Novembro de 2006, realizou um evento cultural de Música, Poesia e Dança, ao qual deu o nome - “No Limiar das Palavras” – uma das suas poesias. Em 13 de Junho de 2007, teve conhecimento do site “Luso Poemas” pela mão da amiga e poetisa Conceição Bernardino. Actualmente, escreve no seu blogue: http://ensaios-poéticos.blogspot.com. E em Setembro de 2007, publicou o seu primeiro e único livro de poesia: “No Limiar das Palavras”.

“Brinco com as letras, nos momentos em que saio de mim, e, volto um pouco mais tarde, para te mostrar onde fui. Depois, sento-me na poltrona do Tempo e, cheia de paciência, ponho-me a olhar... “


Os nossos eventos têm Entrada Livre!
Se puder, apareça!
Se puder, divulgue, s.f.f.

Saiba mais em:
http://www.temas-originais.pt/
Muito Obrigado
Temas Originais
Torre Arnado
Rua João de Ruão, 12 – 1.º, Escrit. 19
3000-229 Coimbra Telef: 239 100 670
Site: www.temas-originais.pt
Blog: http://www.temasoriginais.blogspot.com/

sábado, 10 de abril de 2010

Três poemas do livro "Intermitência dos Sentidos", de Octávio da Cunha



Olhos nos olhos


Com a lágrima escondida no canto,
olhei os teus olhos,
e neles vi…
os teus olhos, lindos e sofridos…
E sei que vi…
nos teus olhos, encanto…
um desencontro sofrido,
o desencontro, com que sempre sofri…
Olhos nos olhos…
olhei os teus olhos,
e neles vi…
os teus olhos, lindos e sofridos…
e sei que vi…
nos teus olhos, o pranto…
lançado dos teus olhos…
chorando… por mim,
pelos meus olhos…
que choram… quando te vêm assim…
E sei que vi…
nos teus olhos, a paixão… as lágrimas escondidas…
as palavras perdidas, na garganta muda…
mas que aos meus olhos, se revelaram…
como gritos de dor, queridos dar.
Mas dos teus olhos, no fim,
saíram as faíscas do Amor,
que acabas-te por revelar.

Olhos nos olhos… sei que vi!

…………

Amor


Já alguma vez sentiste esta dor?
Esta dor…
… sentida no coração?
Esta estranha sensação…
Este incómodo… este bem-estar…?
Este estar, sem estar…
Este sentir, sem sentir…
… flutuar, sem estar…
este estar, sem fluir?
Não!?
Então… nunca amaste…!

…………

Enigma…


Enigma…
Sou um enigma por decifrar,
tenho anátemas por contar…
fúrias por revelar…
segredos secretos contenho…
conservo-os com desdém,
guardo-os, no pensamento,
e sem um lamento…
deito fora a chave do cofre,
de chofre…
… sou um enigma…
até para mim…

…………

Octávio da Cunha

::::::::::::

Octávio da Cunha foi o primeiro autor da Temas Originais (eu o segundo) a ser editado com “A Intermitência dos Sentidos”. Recordo aquele dia 14 de Março de 2009, como uma bela recordação… tratamo-nos de companheiros. O Octávio hoje afastou-se deste mundo das palavras, pôs fim ao seu blogue (onde interagíamos amiudadas vezes) e deixou de publicar textos no site “Luso-Poemas”, local onde cruzámos nossas palavras inúmeras vezes. Diz ele que não está destinado a escrever e não mais vai produzir poesia, pelo menos no sentido de a tornar pública. Tenho um especial carinho pelo Octávio e uma grande admiração, disso já lhe fiz referência. Talvez nos voltemos a encontrar neste, para mim, inolvidável universo da palavra. Todavia aquele dia de Março do ano passado, jamais o esquecerei. Assisti ao lançamento do seu livro (li três dos poemas da sua obra), ele ao do meu e depois jantámos juntos. O Octávio da Cunha escreveu neste “A Intermitência dos Sentidos”, o seu primeiro e único livro, como se estivesse expressando oralmente para com o(a) destinatário(a) das suas palavras, à sua maneira. Um abraço companheiro!...

António MR Martins





Lógica de um ego em L

Ledo
Se deteve
Inconscientemente

Lisura
No processo
Que designou tal fim

Lerdo
O ocaso
Abundantemente

Lírico
O efeito
De quem fica assim

Lateral
A penitência
Da sua insuficiência

Léxico
Desconhecido
Pelo analfabetismo

Lama
Penetrante
De enorme aderência

Louco
Pela infâmia
De todo o realismo

Lira
Na solidão
Desavindo à metáfora

Lua
No sonho
Contido em si

Lesto
Na fuga
Que julga eminente

Leitura
Omitida
Na mesma diáspora

Lúcido
Grava na mente
O que vê ali

Lunático
Porque concluiu
Que também é gente

António MR Martins
imagem in http://pt.dreamstime.com/imagens-de-stock-royalty-free-letra-l-image3307729, na net

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Três poemas do livro "Coimbra ao som da água", de Xavier Zarco




FONTE NOVA



de azul e púrpura se esboça
o cântico dos cântaros

sôfregos

por um fio de prata nascendo
de seu ventre mineral

de azul e púrpura de agapanto
se matiza
o riso das crianças em redor

como gotas de água saltando
de regresso ao regaço
de todos os começos

…………

FONTE DA MADALENA



verão teus olhos madalena
que não outros
o que ninguém jamais verá

como o conchelo
vertical à semente do poema
que conjuga um verbo de água

a ti pleno surgirá
o verbo iluminado
do sol que nasce após morrer


…………


FONTE DAS TORRES DO MONDEGO



Esventra-se a terra
na indagação da jóia. Onde germina,
é a voz da seara subterrânea,
manancial secreto de sonhos,
que nos aclama as mãos, o gesto,
o súbito rodar até à luz.

…………

Xavier Zarco

::::::::::::

Xavier Zarco o poeta, uma referência para mim, tanto pelo que escreve, como pelo que opina. “Coimbra ao som da água” é um hino à poesia e uma homenagem às fontes da cidade de Coimbra e ao encanto da água que nelas corre. Uma obra repleta de ímpar beleza. A essência das fontes da histórica cidade de Coimbra, mesmo para quem mira a Universidade, do lado de Santa Clara, é o coexistir com tudo o que o livro nos faz sonhar, deambular, por vezes, levitar. Depois há o Divino nas metáforas utilizadas que elevam a obra do poeta Xavier Zarco para um patamar único, onde só chegam, ou podem chegar, os predestinados.
É um dos mais belos livros de poesia que já li. Nele sinto as minhas raízes, mas também a possibilidade de escutar aquela melodia, quase celestial, nos naturais percursos da água, na cidade do Mondego.
Obviamente recomendo a leitura de “Coimbra ao som da água”, editada sob a chancela da Temas Originais, por múltiplas vezes.


António MR Martins




Poema dos versos brancos (ou coisas das vidas)

Nas vésperas da decadência
se ultimou a vertigem
e, por lapso ou artimanha,
a minha vida dava um filme!...
Restauros apoteóticos
fazem estalar o verniz
da plena correria
para o palco da vida.
Escolhida a rubra cor
pelo simples sortilégio.
Incorporado no sistema
pelas vivências se deduz:
- Cada vida tem sua história!...


António MR Martins
foto in http://www.ufmg.br/boletim/bol1376/, na net

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A estranha história de Júlio Chuva (excertos), do livro de contos "Para além do tempo", de José Ilídio Torres


“Júlio Chuva devia o apelido ao pai, madeireiro da zona de Vez. Homem corpulento, capaz de com duas machadadas deitar abaixo um pinheiro.”
…………
“Júlio Chuva desde menino que se habituara a que a casa fosse um corrupio de gente, uns amparados aos outros, com pernas e braços estropiados, mais aqueles de olhar esgazeado, rodeados de velhas de xaile preto na cabeça, soturnas e estranhas.
Muitas vezes o rapaz assistiu à expulsão dos demónios dos corpos. E foram tantas as vezes, que isso era já coisa normal na sua vida. Razão do dia se sobrepor à noite e causa.”
............
“Era filho da floresta, de tantas vezes se embrenhar nela para levar o almoço ao pai, ou para o ajudar na lide, logo que os braços se tornaram mais fortes e rijos.
Mas também era filho de Zeza Miranda, e isso viria a revelar-se nele a cada dia da sua vida.
Tudo começou num dia em que sem razão aparente, Júlio, já homem feito, começou a cantar uma canção desconhecida, numa língua completamente estranha, feita quase só de sons nasalados.”
…………
“O mais fantástico, é que era tão suave aquele cantar, e tão prolongado aquele transe, que as pessoas começaram a procurar Júlio para o ouvir sempre que o fenómeno acontecia, como que encantadas, envolvidas nas sonoridades que extraía da alma e que ecoavam pelo vale como nevoeiro musical.
Nem a perspectiva de poderem ser o próximo a descer à terra os demovia. Autênticas peregrinações de gente, faziam o caminho íngreme que conduzia até aquela simpática casa amarela no cimo do monte, para ouvir o cântico do além.”
…………
“Nunca mais foi o mesmo. Fechou-se num silêncio de rezas, sempre junto da mãe, que com o decorrer dos anos foi perdendo visão, até ficar completamente cega e dependente de si.
Viviam os dois numa comunhão plena, deixando também progressivamente de receber pessoas, a cada dia mais donos do seu espaço, que os da aldeia desconfiavam ser o mundo.
Este e o outro.”
…………
“Observou o contraste na face pálida da bela rapariga. Tocou a sua pele para lhe levantar as pálpebras. Juntou o ouvido ao seu peito quente, sentindo um coração em ligeiro bater. Algo como nunca havia experimentado nos seus trinta anos de vida. Era como se aquele coração quisesse cantar com ele a melodia. No tom mais suave de sempre, numa quase escala de sonho.”
…………
“Um puxador abre devagar a porta do quarto, atrás de si uma estranha melodia que ainda ninguém tinha ouvido por aquelas bandas. Era Vera quem a cantava, etérea na sua camisa de linho branco. Os pés descalços.
Todos correram para ela, mas os olhos de Vera pertenciam a Júlio, doces e eternos. E só se desviaram porque este procurou a sua mãe na habitação, encontrando-a recostada na sua cadeira de baloiço, sem vida, mas com um sorriso nos lábios e um cheiro a flores do campo por todo o lado.”
…………
José Ilídio Torres
************

José Ilídio Torres oferece-nos mais um delicioso livro de contos “Para além do tempo”, que nos surge sob a chancela da Temas Originais. José um amigo que vou estabelecendo com o decorrer do tempo. Um homem decisivo e empolgante no seu estar, uma proeminência na palavra, alias com as palavras. Elas saem-lhe de todas as maneiras e com elas ele conta-nos as mais belas estórias. Umas humoradas, outras socializadas e muitas outras que nos fazem movimentar tirando-nos do sério questionando o nosso interior. Ele não tem receio de utilizar esta ou aquela palavra, mesmo que com ela possa ferir susceptibilidades, sem ele o querer. Com o José Ilídio Torres nada fica por dizer. É também um poeta. Mas este escritor que no seu anterior livro nos maravilhou com um excelente romance “Diário de Maria Cura”, é, para mim, um extraordinário contista. No entanto, ele é, sobretudo, um homem da palavra (no plural). As palavras, ele as trata por tu e sempre de uma nobre maneira. Aconselho, vivamente, a leitura da sua obra e dos seus textos, com relevância para este seu último título “Para além do tempo”. Leiam-no sem receios, valerá, certamente, a pena…

António MR Martins




"In illo tempore" (latim)



Estes intervalos…

Que medeiam
o momento de um outro…

Se espaçam!

Este tempo
nada tem a ver
com o outro tempo…

Aquele tempo!

E este intervalo
Nunca mais termina!...

António MR Martins
foto in "dicasderoteiro.wordpress.com" - "estrutura-nao-e-sobre-tempo", na net

quinta-feira, 25 de março de 2010

Vestido Vermelho (excertos), do livro "Traços do Destino e outros contos", de Vera Sousa Silva


“Teresa abriu os olhos e tentou mexer-se. Estava com pressa. Dentro de pouco tempo Paulo chegava e tinham combinado uma noite romântica para comemorar os dois anos de casados.
Lembrava-se que tinha estado a tomar banho e, que, ao sair da banheira, tinha escorregado e caído. Agora tentava desesperadamente levantar-se, mas o seu corpo não obedecia a nenhum gesto que tentasse.”
…………
“Imaginava o sorriso guloso do marido quando lhe dissesse, em pleno restaurante, que não tinha nada por baixo. Era uma fantasia dele e que ela hoje, depois de dois anos de um casamento muito feliz, lhe queria realizar, para assinalar a data da perfeição.”
…………
“Pobre Paulo… Devia estar a chegar! Ansiava agora que ele se despachasse, desse ali com ela naquele estado, e fizesse alguma coisa para tudo voltar ao normal, para irem jantar fora, comemorar aquele dia tão importante para eles, e esquecer aqueles momentos que lhe pareciam tão negros, tão trágicos.”
…………
“Ouviu o marido sair de junto dela, e, pelo ruído, pareceu-lhe que estaria ao telefone, entre choro e palavras quase imperceptíveis. Percebeu que estava a chamar ajuda. Mas ajuda para quê? Só precisava que ele a levantasse dali. E tinha frio, muito frio…”
…………
“Só queria conseguir mexer-se! Conseguir dizer alguma coisa, fazer algum gesto que aliviasse aquele sofrimento a Paulo. Mas tinha a certeza que, aquelas mãos experientes que lhe tocaram, iriam solucionar o problema agora. Talvez já não pudessem ir jantar fora, talvez até tivesse que ir ao hospital fazer alguns exames, mas estaria junto do marido e isso era o mais importante agora.”
…………
“Nunca fora mulher de pensar na morte. Era um daqueles assuntos de que não gostava sequer falar. Sabia que, um dia, haveria de morrer. Ela e Paulo. Mas sempre se imaginou ao lado do marido, cheia de filhos, de netos, com uma família enorme em casa e eles dois, amando-se sempre muito, velhinhos e felizes.”
…………
“Quando o relógio tocou, às sete em ponto, levantaram-se e, enquanto tomavam o pequeno-almoço juntos, Teresa disse ao marido que, ao contrário do que tinham combinado, não sairia mais cedo do trabalho para se vir arranjar a casa.
Iria já pronta e, quando ele saísse do escritório, visto que saía meia hora antes do marido, estaria à porta à sua espera.”
…………
“A voz de Teresa, rindo ali, no meio do passeio, trouxe-lhe uma paz absoluta naquele instante. Era agora a vez dele a beijar, por cada minuto que o fizera esperar naquela angústia, sem notícias dela.
- Desculpa o atraso amor. Apanhei uma fila enorme e ainda parei na ourivesaria.
Passou-lhe um embrulho para a mão. Paulo abriu, sorrindo, e deparou-se com o relógio que andava a namorar há meses.
Entregou o saco a Teresa, que abriu curiosa. Estranhamente o seu semblante mudou. Lá dentro um vestido. Vermelho, cor de sangue, com um decote profundo. Igualzinho ao do seu sonho…”
…………

Vera Sousa Silva

************

Vera Sousa Silva, uma poetisa e escritora, que muito admiro, lançou o seu livro “ Traços do Destino e outros contos”, em simultâneo com o lançamento do meu livro de poesia “Quase do Feminino”, os dois sob a chancela da Temas Originais, a 28 de Novembro, passado, no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa.
É um livro excelente com contos contemporâneos de encantar, pela sua escrita. Há de tudo um pouco nesta sua obra, amor ciúme, raiva, suspense, ódio, carinho, amizade, traição, tudo situações do imaginário (algumas inspiradas em situações verdadeiras), mas possíveis no nosso quotidiano. É um livro que recomendo na íntegra.
Espero que os tópicos ora publicados, neste meu blogue, do conto “Vestido Vermelho” (constante do conteúdo do livro), apelem à vossa curiosidade no sentido de quererem ler a obra no seu todo. Podem crer, vai valer a pena…






Naturalmente Natureza



Verdes campos
Ventura

Alta nuvem
Distante

Rio correndo
Frescura

Vento soprando
Pujante

Sol brilhante
Radioso

Flor brotando
Beleza

Culminam em quadro
Majestoso

Da naturalmente bela
Natureza


António MR Martins
foto in www.desaforo.com - fotos-natureza, na net

terça-feira, 23 de março de 2010

Céu Estrelado


A blusa
descai devagar...
Solta a corrente de água
Tatuada
Em calafrio, vem almejar.
Desliza o aperto
pelas costas,
Com vontade
No sentido da saia
Aquece em palavras
De um corpo a desnudar
Escritas pelo olhar
Como um céu carregado
de estrelas.
Que a qualquer hora
Te quer amar.
Cristina Pinheiro Moita
in livro "Corpo de Corcel", edições Temas Originais

O que é ser poeta (2)

Ser poeta…

É ser maltratado,
constantemente ameaçado,
às feras arremessado,
do avesso virado,
muitas vezes detestado,
mas também idolatrado.

É ser violentado,
dos valores usurpado,
nas metas ultrapassado,
do convívio desviado,
muitas vezes ignorado,
mas também acariciado.

É ser amiúde reprovado,
por vezes silenciado,
outras não escutado,
por instantes amaldiçoado,
muitas vezes aparvalhado,
mas também muito estimado.

É não poder subir a montanha,
ter tristeza tamanha,
não saber fugir da manha,
abraçar a amizade,
em contornos de felicidade
e não esquecer a verdade.

É fantasiar a contenda,
mesmo que o leitor não entenda,
esperar a inspiração,
procurar a solução,
buscar a imensidão
e jamais ter emenda.

E continuar a escrever versos!...

António MR Martins
2010.03.23
foto in http://clubedeautores.ning.com (página de Jessica da Silva Paulino), na net

domingo, 21 de março de 2010

Lançamento do livro "A vida tem cada coisa...", de Mário Nóbrega


O autor, Mário Nóbrega, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “A vida tem cada coisa...” a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 27 de Março, pelas 19:00.

Obra e autor serão apresentados pelo jornalista Rogério Azevedo.

Sobre o Autor: Mário Nóbrega

Nasceu no dia 16 de Janeiro de 1950, em Lisboa, no bairro de Alcântara, quase paredes-meias com o Estádio da Tapadinha, do Atlético, relvado onde jogou treinado por Joaquim Meirim, António Morais e Carlos Baptista. Excepção feita a uma colaboração no jornal Lisboa Jovem, editado pelo pelouro cultural da Câmara Municipal de Lisboa, na década de 80, a sua carreira fez-se na área do desporto. Começou-a no primeiro mês de 1972, em O Primeiro de Janeiro, continuou-a pelo Jornal de Notícias (duas vezes), O diário, Gazeta dos Desportos (duas vezes), O Jogo (duas vezes), Golo (duas vezes), ingressando nos quadros de A BOLA em Julho de 1993. Teve, ainda, colaboração esporádica no Diário de Lisboa e no Público. Desempenhou funções de redactor principal, editor, subchefe e chefe de redacção. Às vezes parece-lhe que a sua viagem pelo fascinante mundo do jornalismo começou ontem... mas já lá vão 38 anos!

A vida tem cada coisa...
(Crónicas)

Sinopse: Aqui encontra-se uma selecção das suas opiniões em A BOLA, publicadas de 2007 a 2009, na rubrica chamada Coisas da Vida, alterada para dar título a este livro porque A vida tem cada coisa...

Os nossos eventos têm Entrada Livre!

Se puder, apareça!
Se puder, divulgue, s.f.f.

Saiba mais em:

http://www.temas-originais.pt/

Muito Obrigado

Apresentação em Lisboa do livro "Anjo de Guarda", de Luís Mota


O autor, Luís Mota, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Anjo de Guarda” a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 27 de Março, pelas 16:00