No abrir da janela
Ouve-se o cuco a cucar
Quando entra dentro dela, carece
Já cego, no seu pensar
Logo a miúda aparece
Dançando a cantarolar
Vai à procura do cuco
Cansada no seu rodar
O relógio está maluco
E a miúda a dançar
Será culpa do relógio
Que tem a corda a saltar…
Cucu…cucu…cucu….
Mesmo que a menina chore
Logo o cuco vai voar…
Ela o libertou no seu sonho
O cuco não vai voltar
Tudo fica nesta vida
E tudo parte a voar…
Cristina Moita Pinheiro
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Amareleja
Breves notas do Alentejo VI
Amareleja
No Poço do Chão almocei
Nessas tuas terras quentes
Depois dentro de ti passeei
Nas tuas vias mais salientes
Vi teu relógio no seu posto
Numa cor tão diferente
Dos amarelos do teu gosto
Pontificando o ambiente
Nestes dias de tanto calor
Foste das terras a maior
Envolvida nos cinquenta
Em ti vivem por amor
Por te conhecerem de cor
E tal ninguém lamenta
António MR Martins
domingo, 11 de julho de 2010
O teu último beijo
No dia
Da tua visita
Entrei num quarto
Com cheiro a éter
Sorri
Engolindo as lágrimas
Que me deixaste
Ao partir...
No meu rosto
Ficou o teu último beijo
E nas minhas mãos
O vazio
Das histórias
Que inventámos
Juntas
E voltei a sorrir
Engolindo as lágrimas
Que me deixaste
Ao partir...
Manuela Fonseca
in livro "O Último Beijo" (em dedicatória, da autora, à avó Júlia, ao momento da sua partida...), edições Temas Originais
Herdade do Esporão
Herdade do Esporão
Nesse poderio da vinha
Instalada em grande espaço
Surge também a oliveira
No seio do teu regaço
Tua adega resplandece
Em local proeminente
Tua capela permanece
Com o castelo subjacente
Há local para degustar
E outro para se comprar
Os néctares dali nascentes
De outros pontos salientes
Se avistam belas paisagens
Guardadas noutras imagens
António MR Martins
O Sabor da Inocência
É todo masculino seu cheiro viril de amantePerfumando meus desejos guardados no timo
No desabrochar da inocência em cada instante
Revelo-te meu doce sabor quando me aproximo
Dou-te de beber nos teus lábios, meu instinto
Com o sabor dessa nascente que em ti satisfaz
Enfeitando de suaves corais e aromas de absinto
O ventre desta gruta virgem por um instante fugaz
É toda feminina minha pele rósea, meu doce humo
Diante dos teus olhos silenciosos derramo-me sentindo
O desejo da tua boca sorvendo minha fruta, meu sumo
Entre minhas coxas o mundo gira e o céu vai se abrindo
Ensino-te os caminhos do meu prazer mais profundo
Por cada poro que passeias com tua língua e espume
Tua saliva, depois a brisa do teu sopro a arrepiar o fecundo
Corpo que minha alma e o meu coração pulsando resume
Helen De Rose
Aldeia da Luz
Breves notas do Alentejo IVAldeia da Luz
Na planura do teu viver
Retirada de outro sítio
Lutas por permanecer
Longe do livre arbítrio
Tuas ruas são paralelas
Plenas de brancas casas
Delas brotam as janelas
Que te dão lindas asas
Tens uma praça de toiros
E um museu de qualidade
Encostado ao Guadiana
A igreja cobre-te de loiros
Nessa completa igualdade
Pela paz que de ti emana
António MR Martins
Tranças
Porque sozinhos somos frágeisEm tranças de fios quebradiços
Nos une a vida com mãos ágeis
Enquanto caminhamos postiços
No sentido forçado pelos sentidos
Por um rumo que nos leva perdidos.
Anda, vento forte – rajada –
Faz de tudo um quase nada
Desata-nos em madeixas soltas
Largadas às águas revoltas
Desta aventura feita da vida
Com a barragem destruída.
Que na nossa vulnerabilidade
Talvez sejamos mais completos
Do que entrançados sem vontade
Em tecidos rotos de afectos. Goreti Ferreira
Escarapiada
Breves notas do Alentejo IEscarapiada
Da farinha trabalhada
Para a massa do seu pão
É guardada a sobrada
Para outra concretização
Junta-se um pouco de mel
E várias uvas feitas passas
Numa medida algo a granel
Resultando outras massas
E no quente do rústico forno
Por onde o pão já passou
Esta nova massa é avaliada
Renasce com outro adorno
No jeito que o homem lhe doou
A saborosa e única escarapiada
António MR Martins
foto na net
sábado, 10 de julho de 2010
[Salta poeta do verso]
Castelo de Mourão
Breves notas do Alentejo IICastelo de Mourão
Instalado numa colina
Donde avista sua vila
De frente toda a esquina
Na traseira terra tranquila
Encostado à Igreja Matriz
Defende assim suas ameias
Desde um tempo que não diz
Reza à Senhora das Candeias
Velhinho em suas paredes
Dá-se às festas de Mourão
Onde exulta a Padroeira
Apesar de todos os revezes
No culminar da procissão
Acolhe a Senhora na eira
António MR Martins
foto do Castelo de Mourão by Carlos Lopes Santos, in Olhares fotografia online
D. DINIS (1279 - 1325)
Herdando um reino já pacificado
E com fronteiras vindas de Alcanizes,
Andou O Lavrador mais ocupado
Tornando os seus vassalos mais felizes.
Sabendo que o caminho da riqueza
Assenta no trabalho e no saber,
Mandou o rei, ao povo e à nobreza,
A terra arrotear e aprender.
Tomando por esposa, em Aragão,
Senhora de elevada formação,
Até no casamento foi feliz.
Patrono foi das artes e cultura,
Mas veio, p'lo que fez na agricultura,
O nome que foi dado a Dom Dinis.
Vítor Cintra
in livro "Dinastias" (capítulo: I DINASTIA (1139 - 1383) ), edições Temas Originais
E com fronteiras vindas de Alcanizes,
Andou O Lavrador mais ocupado
Tornando os seus vassalos mais felizes.

Sabendo que o caminho da riqueza
Assenta no trabalho e no saber,
Mandou o rei, ao povo e à nobreza,
A terra arrotear e aprender.
Tomando por esposa, em Aragão,
Senhora de elevada formação,
Até no casamento foi feliz.
Patrono foi das artes e cultura,
Mas veio, p'lo que fez na agricultura,
O nome que foi dado a Dom Dinis.
Vítor Cintra
in livro "Dinastias" (capítulo: I DINASTIA (1139 - 1383) ), edições Temas Originais
Évora cidade
Évora cidade
Tudo em ti me enamora
Pela tua beleza e história
No passado e pela vida fora
No receptáculo da memória
Em ti viveu a mulher amada
Numa união que não engana
Por mim serás idolatrada
Da Sé ao Templo de Diana
Significado de formosura
No estabelecer que conténs
Apogeu de tantas nações
Nessa tua pura compostura
Elevas os valores que tens
Num mundo de contradições
António MR Martins
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Apresentação do meu livro "Foz Sentida", em Évora
Na programação do VI Encontro do Luso -Poemas e do Grupo Poemas e Poetas Alentejanos mundo fora do Facebook, ocorrerá em Évora, no Évora Hotel, sito na Rua Túlio Espanca, no próximo dia 3 de Julho, pelas 15H00, a apresentação do livro de poesia "Foz Sentida", sob a chancela Temas Originais. A obra e autor serão apresentados pela poetisa Antónia Ruivo. Se puder apareça!
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Apresentação do meu livro "Foz Sentida", em Aveiro
No próximo dia 24 de Junho, pelas 21H00, ocorrerá em Aveiro, no Hotel Moliceiro, a apresentação do meu novo livro de poesia "Foz Sentida", editado com a chancela Temas Originais. Obra e autor serão apresentados pela poetisa Elvira Almeida.
No final da sessão servir-se-á um Porto de Honra.
É mais um ponto que se regista no percurso deste livro que vos vou oferecendo aos poucos.
Se puderem, apareçam!
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