quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

FLORES - girassol


na planura e na quietude
prevalece o teu amarelo
em requintes de singelo
cantas trovas de acalmia
entre a rudeza do calor
que exalta teu simples fragor

António MR Martins

Imagem na net, em fotoseimagens.etc.br

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quando a tua voz me chama


A tua voz
diz-me a vida
e cala o desejo
de silêncio

acordam as aves
nos dedos da madrugada
e esculpem a pele do vento
na serenidade da luz

a tua voz
é aguarela
de gestos e memórias
desenhando a luz
na erva fresca dos sonhos

quando a tua voz me chama
todos os pássaros têm nome

Clara Maria Barata

FLORES - gladíolo


é no frenesim ambiental
que se consolida tua doçura
padrão de gesta resplandecente
entre tópicos de ternura
numa decoração airosa
e beleza sem precedentes

António MR Martins

imagem na net, em infojardim.net

Caderno de Bafio


Tenho mortalhas às cores
com medo das amachucar
num caderno velho de dores
que nunca ninguém vai tocar

Tenho poeiras e bolores
roupas guardadas sem arcas
tenho tesouros e amores
rosas coloridas das pratas

Tenho tempos que não voltam
palavras cravadas nas traças
nas teias que ainda revoltam
mas calo ao mundo as raças

Essas hoje já pouco importam
sonho, retiro palavras esgaças

Cristina Pinheiro Moita

in livro "Falua da Saudade", pág. 36, edições Lua de Marfim, Agosto 2011

FLORES - jasmim


trepas pelo odor interno
no exterior da tua fragrância
onde se origina a mais valia
revisitada pelos tempos
onde teu perfume se inala
na pujança de tanta viagem

António MR Martins

Imagem na net, em casa da cultura.org

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Entre quatro paredes…


Entre quatro paredes falo contigo
A cada sombra lanço um sorriso
Á luz mortiça que pende do tecto
Lanço um olhar e um feitiço

Falo de mim do que já foi
Daquilo que espero ser
Falo da sombra e de quanto dói
O silêncio no entardecer

Falo de um tempo que nunca vi
Das tardes calmas do luar de Janeiro
Falo dos dias que vivi
Procurando breve sombreiro

Entre quatro paredes perco a razão
É sempre assim quando a solidão
Entra pela porta e me dá a mão

Falo de tudo comigo a sós
Desfolho dores e alguns sorrisos
Enquanto teço roliços nós
Em cada lágrima que me cai aos pés

A todas elas eu dou abraços
São a companhia que faço em estilhaços
Do peito me pende grosso cordão
Que o silêncio abraça e me estende a mão.


Antónia Ruivo

FLORES - camélia


espanta a beleza maior
entre o abismo do ser
ornamento sedutor
há um sentido perfeito
na origem do seu jeito
no mais perfeito valor

António MR Martins

Imagem na net, em imotion.com.br

domingo, 11 de dezembro de 2011

Para esquecer


Agora, que acabaram os segredos
Nascem-me vazios nos dedos
Enquanto a boca me sabe a silêncio

O caminho alonga-se pela espera
A madrugada despe-se a sorrir
Enquanto a noite lhe deseja os lábios

Amanhã o sol vai aparecer quente
O peito vai florescer de saudades
E o poema volta para esquecer


Vanda Paz

FLORES - cravo


te saúdam em tantas cores
mas no vermelho te afrontas
com uma pureza fraterna
teu cheiro tão desconcertante
é o aconchego do âmago
no apogeu da liberdade

António MR Martins

Imagem da net, em fotoeimagens.blogs.sapo.pt

ESTÁ TUDO DITO


A palavra não se diz e entre cada letra… sorris
Num mergulho de suor, esqueces o frio, a dor
E nas frases por dizer vives e fazer viver
A palavra não se quer mas não se deixa esquecer
E dos vazios faz leito, rio correndo a eito
Atropelo de beijo que não queima o desejo
A palavra não se escreve, flutua mágica e breve
Não quer poiso nem lugar, não se deixa capturar
Livre que é, vai e vem e não se dá a ninguém
A palavra, não se diz
A palavra não se quer
A palavra não se escreve
No silêncio do teu olhar
Afinal
Está tudo dito….

Goreti Ferreira

FLORES - malmequer


és desígnio fictício
em sonho que não acontece
bem me quer de algum jeito
mal me quer por outro lado
tuas pétalas te retiram
até à nudez completa

António MR Martins

Imagem na net, em canais.sol.pt

sábado, 10 de dezembro de 2011

Poeta por um dia


Um dia acordei e disse:
A partir de hoje, vou ser poeta…
Poeta, tu?
Sim, porque não?
Basta somente que eu sinta borboletas,
saltitando em meu coração,
que, por mais que tu digas…
Poeta, tu?
Virás um dia segredar-me ao ouvido…
Por favor, as tuas palavras fazem-me falta.

Luísa Simões Martins

FLORES - estrelícia


lembro-te pérola da ilha
onde o sol também transpira
do oceano que te banha
emerges em galanteios
sonhados pelas vivências
que se sentem amarguradas


António MR Martins

Imagem na net, em muitasflores.blogs.sapo.pt

Busca de Mim


Entraste assim na minha vida
como asa ferida desta solidão
sopraste como o vento do norte
e rompeste a bruma da minha paixão
deixando-me transfigurada
e o peito magoado sem saber voar
porque o eco dos passos sendo viajantes
vão-me visitar
no mar, no horizonte vago, na rua dos dias
onde me passeio
cruzando ramos, estrelas, algas
areias quentes soltas em meu seio
e as vestes que cobrem meu corpo
parecem gemer
sentindo as tuas mãos
rasgadas pelo teu olhar
pelo aroma quente
do beijo a faltar
ternuras que de espanto dormem
em mim
e solto a vida
inebriada
muda
como quem morde o sonho
e abraça o som do vento
rompendo o azul.
Tu ficas no abraço
eu fico no cansaço
do tempo!
Aí, repouso os sentidos
na busca de mim...


Dalila Moura Baião

FLORES - papoila


no campo te entendo mais
entre uma denúncia de charme
improviso ondulante
na rubra cor que te invade
salpicos de muitas lendas
iluminas em tantas memórias

António MR Martins

Imagem na net, em naturezaearte-nature.blogspot.com