sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
FLORES - jarro
de ti jamais bebi
nem regalei a garganta
não reguei qualquer esperança
nem ornamentei a mesa
vi-te em escadas de sucesso
na tua brancura criança
António MR Martins
Imagem na net, em olhares.aeiou.pt - foto de João M. Horta
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
A QUINTA FASE DA LUA
Atravessei o vale da noite
Com a alma pendurada no olhar
O sorriso amarrado à cintura
Nas pernas o tombo do cansaço
De quem bebia à volta do prato
E picava as migalhas
Sob um convite lunar
Quando os cabrões me deixaram
Os restos mortos de um planeta
Meditei-me na intensa escuridão
Sobre o sossego espaçado
Da quinta fase da lua
Insanidade profetizada
A erigir bandeiras
De palavras prostitutas
Isenta de afectos
Reapareci-me
Nessa quinta fase
De uma lua ignorada
Efeitos colaterais
De Lugares Santos.
Manuela Fonseca
FLORES - buganvília
foi na ilha sedutor
esse encontro surpreso
nas cores em que te revejo
foram ténues os caminhos
onde flutuei ileso
pelo olhar que te deixei
António MR Martins
Imagem na net, em imagenscomtexto.blogspot.com
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
ROSA DOS VENTOS
Num tempo de fogo,
quantas pelejas
teremos de hartear ?
Com a alma febril do desespero
se espera a hora do milagre,
redentor dos pesadelos.
Até lá, morre-se no crepúsculo.
As essencias aromáticas,
dissipam-se nas cinzas voláteis
e sem rota.
O sol, derrete-se !
As estrelas choram
reinos de sombras...
E a rosa dos ventos,
perde-se nas entrelinhas
dos poemas que não escrevo,
porque as memórias mágicas
adormeceram !
Lita Lisboa
FLORES - girassol
na planura e na quietude
prevalece o teu amarelo
em requintes de singelo
cantas trovas de acalmia
entre a rudeza do calor
que exalta teu simples fragor
António MR Martins
Imagem na net, em fotoseimagens.etc.br
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Quando a tua voz me chama
A tua voz
diz-me a vida
e cala o desejo
de silêncio
acordam as aves
nos dedos da madrugada
e esculpem a pele do vento
na serenidade da luz
a tua voz
é aguarela
de gestos e memórias
desenhando a luz
na erva fresca dos sonhos
quando a tua voz me chama
todos os pássaros têm nome
Clara Maria Barata
FLORES - gladíolo
é no frenesim ambiental
que se consolida tua doçura
padrão de gesta resplandecente
entre tópicos de ternura
numa decoração airosa
e beleza sem precedentes
António MR Martins
imagem na net, em infojardim.net
Caderno de Bafio
Tenho mortalhas às cores
com medo das amachucar
num caderno velho de dores
que nunca ninguém vai tocar
Tenho poeiras e bolores
roupas guardadas sem arcas
tenho tesouros e amores
rosas coloridas das pratas
Tenho tempos que não voltam
palavras cravadas nas traças
nas teias que ainda revoltam
mas calo ao mundo as raças
Essas hoje já pouco importam
sonho, retiro palavras esgaças
Cristina Pinheiro Moita
in livro "Falua da Saudade", pág. 36, edições Lua de Marfim, Agosto 2011
FLORES - jasmim
trepas pelo odor interno
no exterior da tua fragrância
onde se origina a mais valia
revisitada pelos tempos
onde teu perfume se inala
na pujança de tanta viagem
António MR Martins
Imagem na net, em casa da cultura.org
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Entre quatro paredes…
Entre quatro paredes falo contigo
A cada sombra lanço um sorriso
Á luz mortiça que pende do tecto
Lanço um olhar e um feitiço
Falo de mim do que já foi
Daquilo que espero ser
Falo da sombra e de quanto dói
O silêncio no entardecer
Falo de um tempo que nunca vi
Das tardes calmas do luar de Janeiro
Falo dos dias que vivi
Procurando breve sombreiro
Entre quatro paredes perco a razão
É sempre assim quando a solidão
Entra pela porta e me dá a mão
Falo de tudo comigo a sós
Desfolho dores e alguns sorrisos
Enquanto teço roliços nós
Em cada lágrima que me cai aos pés
A todas elas eu dou abraços
São a companhia que faço em estilhaços
Do peito me pende grosso cordão
Que o silêncio abraça e me estende a mão.
Antónia Ruivo
FLORES - camélia
espanta a beleza maior
entre o abismo do ser
ornamento sedutor
há um sentido perfeito
na origem do seu jeito
no mais perfeito valor
António MR Martins
Imagem na net, em imotion.com.br
domingo, 11 de dezembro de 2011
Para esquecer
Agora, que acabaram os segredos
Nascem-me vazios nos dedos
Enquanto a boca me sabe a silêncio
O caminho alonga-se pela espera
A madrugada despe-se a sorrir
Enquanto a noite lhe deseja os lábios
Amanhã o sol vai aparecer quente
O peito vai florescer de saudades
E o poema volta para esquecer
Vanda Paz
FLORES - cravo
te saúdam em tantas cores
mas no vermelho te afrontas
com uma pureza fraterna
teu cheiro tão desconcertante
é o aconchego do âmago
no apogeu da liberdade
António MR Martins
Imagem da net, em fotoeimagens.blogs.sapo.pt
ESTÁ TUDO DITO

A palavra não se diz e entre cada letra… sorris
Num mergulho de suor, esqueces o frio, a dor
E nas frases por dizer vives e fazer viver
A palavra não se quer mas não se deixa esquecer
E dos vazios faz leito, rio correndo a eito
Atropelo de beijo que não queima o desejo
A palavra não se escreve, flutua mágica e breve
Não quer poiso nem lugar, não se deixa capturar
Livre que é, vai e vem e não se dá a ninguém
A palavra, não se diz
A palavra não se quer
A palavra não se escreve
No silêncio do teu olhar
Afinal
Está tudo dito….
Goreti Ferreira
FLORES - malmequer
és desígnio fictício
em sonho que não acontece
bem me quer de algum jeito
mal me quer por outro lado
tuas pétalas te retiram
até à nudez completa
António MR Martins
Imagem na net, em canais.sol.pt
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