domingo, 18 de dezembro de 2011

EU EM MIM


Gosto muito de pensar
Ver onde o pensamento chega
Ir atrás dele e voar
E vê-lo desaparecer
Brinco às escondidas com ele
Enquanto o tento decifrar
E quando chego bem perto
Acabamos por nos encontrar
E assim de mãos dadas
O pensamento e Eu
Fazemos longa caminhada
Até onde o Sol se escondeu
Ai, sentamo-nos em silêncio
No recato da imensidão
E lemo-nos sem questionar
Porque o tempo se perdeu
Sabemos que se ausentou
Para que ficássemos a sós
Porque sabia deixar
O que restava de nós.

Dina Ventura

FLORES - tulipa


no exultar dos sentidos
se eleva seu carisma
mesmo que sendo efémero
é da fama angustiada
pela perfeição amada
sem melindre ou preconceito

António MR Martins


Imagem na net

sábado, 17 de dezembro de 2011

Repousando no teu ombro


Deixa-me repousar
Esta cabeça cansada de pensar…
Sobre o teu ombro amigo!

Deixa-me chorar
O pranto alivia a dor…
Transportando-a na corrente!

Deixa-me padecer
A dor purifica o sofrimento…
Tornando-o mais verdadeiro!

Deixa-me sentir
Sentir como bate teu coração…
Quando repouso a cabeça no teu ombro!

Deixa-me sorrir
O riso transforma a existência…
O caminho a trilhar parece menos duro!

Deixa-me sonhar
Os sonhos libertam a alma…
Ajudam a esquecer toda a amargura!

Deixa-me amar
Oh! o amor torna o universo sereno…
Uma paz invade e mitiga toda a dor!

Tudo isto repousando no teu ombro…


Manuela Vaquero

FLORES - begónia


“cuidados e caldos de galinha
não fazem mal a ninguém”
no desenrolar da vida
neste esfriar se relaciona
o pretexto de se ignorar
os perigos que a vida tem


António MR Martins

Imagem na net, em agharta-meujardim.blogspot.com

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Esquina da Vida


Na esquina por onde passas
Me encontras perdida
Naquela tábua rasa deitada
Nos caminhos da vida esquecida.

Passas com teus passos lentos
Não paras nem olhas sequer
Segues em teus pensamentos
Fico perdida sem vida ter.

Meu corpo inerte caído
Retido na calçada passada
Meu coração oprimido

Da vida amargurada
Do viver sempre traído
Na vida sem vida, sem nada.

Maria Antonieta Oliveira

FLORES - hortênsia


na indiferença do calcanhar
se depara a fuga ágil
há que reter a compreensão
pela frieza inabalável
nesse sentido pendente
reflectindo desumanidade

António MR Martins

Imagem na net

quando as flores murcham


Rasga-se o pano. escondidas as minas
encontram-se, agora, a céu aberto.
desdobra-se a vida em multiplas vidas,
e do campo minado crescem flores...
...murchas
como dias cinzentos tentando que o sol
lhes devolva a clorofila. inutilidade!
murchas...Impunidade é palavra inexistente.
exangues como as estações estão corpos
que percorrem caminhos inóspitos.
devolvem-se à vida os resistentes...
...mutilados esperam.
a resiliência nunca será dos fracos
mas dos que apunhalados continuam, apesar...

Teresa Brinco Oliveira

FLORES - jarro


de ti jamais bebi
nem regalei a garganta
não reguei qualquer esperança
nem ornamentei a mesa
vi-te em escadas de sucesso
na tua brancura criança

António MR Martins

Imagem na net, em olhares.aeiou.pt - foto de João M. Horta

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A QUINTA FASE DA LUA


Atravessei o vale da noite
Com a alma pendurada no olhar
O sorriso amarrado à cintura
Nas pernas o tombo do cansaço
De quem bebia à volta do prato
E picava as migalhas
Sob um convite lunar

Quando os cabrões me deixaram
Os restos mortos de um planeta
Meditei-me na intensa escuridão
Sobre o sossego espaçado
Da quinta fase da lua
Insanidade profetizada
A erigir bandeiras
De palavras prostitutas

Isenta de afectos
Reapareci-me
Nessa quinta fase
De uma lua ignorada
Efeitos colaterais
De Lugares Santos.

Manuela Fonseca

FLORES - buganvília


foi na ilha sedutor
esse encontro surpreso
nas cores em que te revejo
foram ténues os caminhos
onde flutuei ileso
pelo olhar que te deixei

António MR Martins

Imagem na net, em imagenscomtexto.blogspot.com

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ROSA DOS VENTOS


Num tempo de fogo,
quantas pelejas
teremos de hartear ?

Com a alma febril do desespero
se espera a hora do milagre,
redentor dos pesadelos.

Até lá, morre-se no crepúsculo.

As essencias aromáticas,
dissipam-se nas cinzas voláteis
e sem rota.

O sol, derrete-se !
As estrelas choram
reinos de sombras...

E a rosa dos ventos,
perde-se nas entrelinhas
dos poemas que não escrevo,
porque as memórias mágicas
adormeceram !

Lita Lisboa

FLORES - girassol


na planura e na quietude
prevalece o teu amarelo
em requintes de singelo
cantas trovas de acalmia
entre a rudeza do calor
que exalta teu simples fragor

António MR Martins

Imagem na net, em fotoseimagens.etc.br

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quando a tua voz me chama


A tua voz
diz-me a vida
e cala o desejo
de silêncio

acordam as aves
nos dedos da madrugada
e esculpem a pele do vento
na serenidade da luz

a tua voz
é aguarela
de gestos e memórias
desenhando a luz
na erva fresca dos sonhos

quando a tua voz me chama
todos os pássaros têm nome

Clara Maria Barata

FLORES - gladíolo


é no frenesim ambiental
que se consolida tua doçura
padrão de gesta resplandecente
entre tópicos de ternura
numa decoração airosa
e beleza sem precedentes

António MR Martins

imagem na net, em infojardim.net

Caderno de Bafio


Tenho mortalhas às cores
com medo das amachucar
num caderno velho de dores
que nunca ninguém vai tocar

Tenho poeiras e bolores
roupas guardadas sem arcas
tenho tesouros e amores
rosas coloridas das pratas

Tenho tempos que não voltam
palavras cravadas nas traças
nas teias que ainda revoltam
mas calo ao mundo as raças

Essas hoje já pouco importam
sonho, retiro palavras esgaças

Cristina Pinheiro Moita

in livro "Falua da Saudade", pág. 36, edições Lua de Marfim, Agosto 2011