quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Diário Poético- esta dor
Esta dor que me está a comer
como se eu fosse uma uva rúbea
deixa para trás o meu sorriso
e os meus olhos clamam
pelo dias de ontem
a sonharem que esta dor
amanhã já não me ama
Maria do Rosário Loures
FLORES - lírio
há um sorriso envolvente
por entre um lapso de alegria
como luz de brilho intenso
num abraço dado ao mundo
está a dádiva de magia
nesta terra moribunda
António MR Martins
Imagem na net, em imotion.com.br
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Ansiedade
No sossego da minha janela,
debruço-me à tua espera.
Orienta-me a estrela que brilha
no Norte, deseja-me sorte.
No desassossego
da minha alma,
liberto o suspiro que voa,
estava preso na minha solidão,
e, por isso me debrucei na janela,
em ansiedade.
São mãos cheias de ansiedade
que combatem o tédio da razão.
Prenúncios de sorrisos que velam a angústia,
E invandem a janela dos meus debruços.
Porém,
a cortina ondula como o mar,
e festeja,
a tua chegada.
Esse, é o meu segredo...
Ana Lopes
FLORES - magnólia
natural o seu suporte
e sempre bem segura
numa sobressaída presença
sua matéria suprema
revela-se no rubor
de um ensaio de nobreza
António MR Martins
Imagem na net, em lindas-flores.blogspot.com
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Tenho medo
Tenho medo
desta loucura chamada amor
que m'abraça e leva
para outro lugar
onde nada há mais
que alegria e certeza!
Apavoram-me as lágrimas
que se soltam,
e frágil, frágil,
assim me sinto.
Não quero precisar de ti
quando não estás presente,
nem te quero querer
nesta saudade
que me morde a alma.
Tenho medo!
Medo de te amar demais,
medo que percebas
o volume inalcançável
desta coisa chamada amor.
Vera Sousa Silva
FLORES - orquídea
auspício de vitalidade
onde predomina o amor
em retalhos de beleza
símbolo de outro lugar
num requinte bem profundo
em todos os cantos do mundo
António MR Martins
Imagem na net, em mundodeflores.com
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Indulgência
Tivesse eu,
a coragem
de gritar
bem alto
o que me aflige,
o que por dentro
me consome
e me entope
a garganta...
E não me morreria
aos pés da soberba,
da indulgente,
mendigando
por um punhado
de vã clemência!...
Lurdes Dias (Cleo)
FLORES - nenúfar
no flutuar de uma miragem
há o repouso da lágrima
em assentos de outras águas
resta a pureza contida
nos resquícios das mágoas
memorizadas em cada imagem
António MR Martins
Imagem na net, em comunidade.sol.pt
domingo, 18 de dezembro de 2011
EU EM MIM
Gosto muito de pensar
Ver onde o pensamento chega
Ir atrás dele e voar
E vê-lo desaparecer
Brinco às escondidas com ele
Enquanto o tento decifrar
E quando chego bem perto
Acabamos por nos encontrar
E assim de mãos dadas
O pensamento e Eu
Fazemos longa caminhada
Até onde o Sol se escondeu
Ai, sentamo-nos em silêncio
No recato da imensidão
E lemo-nos sem questionar
Porque o tempo se perdeu
Sabemos que se ausentou
Para que ficássemos a sós
Porque sabia deixar
O que restava de nós.
Dina Ventura
FLORES - tulipa
no exultar dos sentidos
se eleva seu carisma
mesmo que sendo efémero
é da fama angustiada
pela perfeição amada
sem melindre ou preconceito
António MR Martins
Imagem na net
sábado, 17 de dezembro de 2011
Repousando no teu ombro
Deixa-me repousar
Esta cabeça cansada de pensar…
Sobre o teu ombro amigo!
Deixa-me chorar
O pranto alivia a dor…
Transportando-a na corrente!
Deixa-me padecer
A dor purifica o sofrimento…
Tornando-o mais verdadeiro!
Deixa-me sentir
Sentir como bate teu coração…
Quando repouso a cabeça no teu ombro!
Deixa-me sorrir
O riso transforma a existência…
O caminho a trilhar parece menos duro!
Deixa-me sonhar
Os sonhos libertam a alma…
Ajudam a esquecer toda a amargura!
Deixa-me amar
Oh! o amor torna o universo sereno…
Uma paz invade e mitiga toda a dor!
Tudo isto repousando no teu ombro…
Manuela Vaquero
FLORES - begónia
“cuidados e caldos de galinha
não fazem mal a ninguém”
no desenrolar da vida
neste esfriar se relaciona
o pretexto de se ignorar
os perigos que a vida tem
António MR Martins
Imagem na net, em agharta-meujardim.blogspot.com
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Esquina da Vida
Na esquina por onde passas
Me encontras perdida
Naquela tábua rasa deitada
Nos caminhos da vida esquecida.
Passas com teus passos lentos
Não paras nem olhas sequer
Segues em teus pensamentos
Fico perdida sem vida ter.
Meu corpo inerte caído
Retido na calçada passada
Meu coração oprimido
Da vida amargurada
Do viver sempre traído
Na vida sem vida, sem nada.
Maria Antonieta Oliveira
FLORES - hortênsia
na indiferença do calcanhar
se depara a fuga ágil
há que reter a compreensão
pela frieza inabalável
nesse sentido pendente
reflectindo desumanidade
António MR Martins
Imagem na net
quando as flores murcham
Rasga-se o pano. escondidas as minas
encontram-se, agora, a céu aberto.
desdobra-se a vida em multiplas vidas,
e do campo minado crescem flores...
...murchas
como dias cinzentos tentando que o sol
lhes devolva a clorofila. inutilidade!
murchas...Impunidade é palavra inexistente.
exangues como as estações estão corpos
que percorrem caminhos inóspitos.
devolvem-se à vida os resistentes...
...mutilados esperam.
a resiliência nunca será dos fracos
mas dos que apunhalados continuam, apesar...
Teresa Brinco Oliveira
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