Há um canto bem amargo
pela voz de um sofredor,
alheio a qualquer cargo
insuspeito por tanta dor.
Pelo soluçar da sua voz
se ferem tantos sentidos,
duma vida sempre atroz
e dos dias mal paridos.
Sua melodia inventada
desfere sons aziagos
na rudeza do seu estar.
A garganta maltratada
da saliva bebe tragos
enquanto puder cantar.
António MR Martins
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Para quem quiser adquirir o meu novo livro "Máscara da Luz" ou qualquer um dos restantes
Amigo(a),
Se quiser adquirir o meu novo livro “Máscara da Luz”, poderá fazê-lo procedendo à transferência bancária, para o meu NIB: 003501000002979210066 (Caixa Geral de Depósitos), do valor de €10,80 (€ 10,00 + € 0,80 (preço de envelope verde)) e indicar-me a morada para o respectivo envio, que o mesmo seguirá no dia seguinte à efectivação da inerente transferência. Este procedimento, preço inclusive, aplica-se a todos os meus restantes livros: “Ser Poeta”, “Quase do Feminino”, “Foz Sentida” e “Águas de Ternura”.
Para mais esclarecimentos (se necessitar) poderá recorrer ao meu endereço de email:
antonio.martins1955@gmail.com
P. S. - Todos os livros seguirão autografados. Caso não queira, é favor dar-me essa indicação.
Se o livro for para o estrangeiro haverá alteração no valor a transferir, que passará a ser € 12,00 (a diferença deve-se ao preço do envelope verde internacional, que serve para remessas para todo o mundo) e neste caso os dados para se efectuar a transferência são os seguintes:
IBAN: PT50003501000002979210066
BIC: CGDIPTPL
PARA A AMÉRICA DO NORTE, AMÉRICA CENTRAL E AMÉRICA DO SUL, HÁ A HIPÓTESE DE ENVIAREM VALE DE POSTAL OU PELO SISTEMA “WESTERN UNION” (TRATADO NOS CORREIOS OU NOS BANCOS ADERENTES), PARA O MEU ENDEREÇO (QUE FORNECEREI A PEDIDO).
Grato pela amabilidade e atenção.
António MR Martins
FICO
Fico a ouvir
a tua voz à janela
porque é o vento
que ma traz
fico calado
a ouvir a tua voz
e a brisa
de um qualquer
outono
setembro por chegar
fico a ouvir
a tua voz à janela
porque é doce
e o vento ma traz
Joaquim Alves
Tudo e nada
Mãos abertas
Tanto nelas
Num alcance
Sem fim
Mãos fechadas
Tanto vazio
Num aperto
Assim
António MR Martins
Imagens da net
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
a minha morada
fugi de um mundo; não perdido,mas encontrado.e é por isso que não estou aqui, nem em lado algum. a minha morada é feita de palavras e ar. colunas de ar. erectas ,mas passageiras. que arrumo e desarrumo como se fossem casas de vento. eu habito o vento. procuro refúgio por onde não me perco ,sequer me encontro. por onde me voo com ele em loucuras de penas. almofadas . tecidos do sonho ou campos de algodão. tal como casas, as palavras às vezes dão-me a luz das janelas; outras, a escuridão do sossego. outras ainda, portas a bater, corredores do medo. às vezes dão-me uma cama em tudo branca. e então deixo-me ser ( amor ) . ou deito-me. no cansaço de não ser nada. depois deixo o vento .revolver.resolver . cabelos e lençóis. deixo . que me fustigue chuva nas vidraças. me bata portadas. me estremeça como luz . velas. luz e ar. eu. a vê-las. ninguém me ouve estes uivos. ninguém me ouve este vento. deixo que ele me beije certeiro e preciso. que me toque a face do nosso silêncio com dedos esquecidos de desejos ou medos. um vento preciso que me derruba, eleva ou me faz rodopiar, sem que eu nunca o explique ou queira entender. às vezes dançamos uma dança invísivel que quase parece me dói, de tão familiar. como uma casa. é. uma casa. e é neste terreno desprovido de terra que as suas paredes de vento me habitam . elas,ele,eu, o sagrado. e eu ruído ,eu tantas vezes . tempestade, eu. calada. eu ? hábito. eu - palavra. sim.eu ,palavra. eu . deixo-o estar. porque, eu, vento, habito-o.
Alexandra Cruz Mendes
FLORES - gardénia
se agradece por ti
no elixir do teu perfume
e no esplendor do sentir
restam os valores da memória
e a sua saudade que acalenta
no enredo de cada história
António MR Martins
Imagem da net
ESTE É O ÚLTIMO PEDAÇO DA POESIA "FLORIDA"
deixa. não toques mais.
deixa. deixa, não toques mais. deixa. tenho medo de parecer tarde. mão no coração. amanhã é o dia seguinte. o outono vem sempre depois da primavera. hoje não. tenho um medo. o homem passa por mim com um semideus ao colo. pergunto para onde vai. diz-me que a terra acaba onde a água começa. vou com ele. quero encontrar a água e morrer em paz. reparo que estou grávida, pelo azul do vento trazido nas solas. olhos semi-fechados. queria abrir o mundo. tu sabes. mete-lo numa caixa de música, dar-lhe corda, deixá-lo tocar. amanhã é o dia seguinte. tu sabes. pergunto ao homem onde estava quando me pediram o coração. recua um pouco. o corpo cai-lhe, o semideus no chão. porque não terei medo de um medo nem de outro medo nenhum. que nenhum medo este me transforme em água- pouco antes do anoitecer um pássaro socorre ao meu peito. deixa. deixa ficar assim. não toques mais.
Margarete da Silva
FLORES - narciso
espectro de ansiedade
nas mostras da verdade
de tudo o que é preciso
razões que mais sobejam
no espaldar da subtileza
e de génese variada
António MR Martins
Imagem na net, em digitalphoto.pl
domingo, 25 de dezembro de 2011
Fome de ti…
Tenho fome…
…fome dessa tua ânsia por me encontrar…
…desse teu estar sem ficar…
…desse teu enlouquecer… até quando não estou p'ra chegar…
Tenho fome…
…fome das tuas mãos sempre que me procuram…
…ternas… doces… ansiosas… poderosas…
…fome desse teu corpo quente… incontrolável…
…que me desperta durante a noite… insaciável…
Tenho fome…
…fome do jeito que me deixas e me deixo levar…
…trôpega… sem saber o que dizer…
…fico louca… até o meu corpo se deixa render…
…tão louca, que até a minha mente se deixa levar…
…nesse teu jeito de me provocar…
Tenho fome…
…fome de ti…
…fome desse teu jeito de me sentir…
…desse teu jeito de me possuir…
…desse teu jeito de estar…
…fome desse teu jeito de m’ amar…
Isabel Reis
foto da autora, by Rockas Kane
FLORES - gerbera
multiplicidade de cores
que desfilam sem rigor
nas suas variedades
têm destino decorativo
dentro da singeleza
mas de aspecto bem altivo
António MR Martins
Imagem da net
sábado, 24 de dezembro de 2011
Amo-te nesses recantos de luz e sombra
Semeio as palavras ainda vivas
Nos oásis do meu pensamento
Sempre prenhe de fertilidade.
Colho os frutos dos símbolos e dos signos
Onde se reúnem todas as metáforas,
Os espelhos que reflectem os labirintos
Por dentro, mesmo quando não há saída
Possível que seja visível.
Amo-te nesses recantos de luz e sombra
Invadindo os confins do Universo
Onde o Amor é livre. Aí, não o temo.
Recolho-o em todas as suas extensões
E formas. Entro num estado pleno, o da graça
De um amor perene. Já não fujo nem de mim,
Nem de ti; nem da vida, nem da morte.
Cheguei à eternidade e assim te amo
Na plena ausência de todos os limites.
Isabel Rosete
FLORES - palma
nessa forma desgarrada
sem ter algum defeito
se envolve em jeito de espada
é o prelúdio insatisfeito
de uma nova melodia
cantada pela sua graça
António MR Martins
Imagem na net, em cestos.flores.nom.br
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
CONTENDA DE SILÊNCIOS
Renasço no alvor do teu abraço
Entre o queixume de olhares
De entrega e pesares
E o render da saudade
Melífluo o teu beijo
Que afaga ardente o Desejo
Da loucura deste Querer
Enleiam-se corpos molhados
Sonhos rútilos encantados
Que invadem o meu Ser
Abre-se o Mundo à melodia
Do silêncio da alegria
De Te ter aqui ao meu lado
Nesta Contenda de Silêncios
És Poesia e Sintonia
És Mar e Maresia
És o Paraíso e o Pecado…
Sandra Nóbrega
FLORES - antúrio
na firmeza do interior
surge a animada pujança
e teu enorme vigor
tua rubra cor na pétala
incendeia toda a ideia
num imaginar satirizado
António MR Martins
Imagem na net, em Olhares.uol.com.br, foto de José Maria de Carvalho Bompastor.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
POETA MINHA
Contigo
sou
meiga
apaixonada
mas
não
submissa
e
gosto
contigo
sou
eu
gosto
quando
dizes
que
adoras a minha boca
gosto
quando
me
beijas
a lingua
e me deixas louca
Ester Cid Pita
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