terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Apresentação dos livros "Máscara da Luz", de António MR Martins e "Memória das Cidades", de Vítor Cintra, em Guimarães, no Tribunal da Relação, dia 16 de Fevereiro de 2012, pelas 16H30

Caros amigos,

A convite do Presidente do Tribunal da Relação de Guimarães, Dr. António Ribeiro, vimos, deste modo, solicitar-vos o prazer da vossa companhia na sessão de apresentação dos livros “Máscara da Luz”, de António MR Martins e “Memória das Cidades”, de Vítor Cintra, a ter lugar no respectivo Tribunal, Sala de Audiências, sito no Largo João Franco, 248, em Guimarães, no âmbito das festividades de "Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012", no próximo dia 16 de Fevereiro, pelas 16H30.

Obras e autores serão apresentados pelo Dr. António Ribeiro e pelo escritor José Ilídio Torres, respectivamente.

Aguardamos a vossa presença nesta salutar sessão de empatia com a palavra e com a poesia.
Tragam mais amigos convosco, todos serão bem vindos.

Agradecemos.

Nosso abraço

António MR Martins e Vítor Cintra


Poeta, minha Poeta!


Tua poesia é um jardim
que me encanta e invade minha alma
e de teu coração saltam palavras
de tua alma vêm flores
com um aroma especial
de grande carinho e amor,
que eu abraço
e meu coração pulsa
como coração poeta
provocando em mim
poemas e mais poemas,
para a Poeta e a Mulher,
que já vivem em meu corpo e alma
e serão momentos de intenso amor
por ti querido, sentido
e por mim desejado
num tempo que é o nosso “mundo”
sonhado, prometido
e agora concretizado!

José Manuel Brazão

* Quando vejo neste “mundo poético” grandes talentos retirarem-se desta vida activa fico triste muito triste e sinto um vazio na minha alma de poeta! *

A utopia do teu existir


Há um traje domingueiro
nas vestes que te adornam,
nesse traço tão ligeiro
que tantas visões afloram.

A quem te visse menina
saltitando campos fora,
te guardaria na retina
desde então até agora.

Ai cachopa, tua alegria
sutura feridas antigas,
teu sorriso é fantasia
princesa das raparigas.

Emerge assim a virtude
no despoletar sensações,
questionando a saúde
pelo bater dos corações.

Teu carisma prevalece
no decurso de cada dia,
desde que tal amanhece
até à noite mais sombria.

Tantos te adoram assim,
graciosa no belo ser
e eu tenho cá para mim:
- Ainda estás por nascer!

São as miragens de sempre
da utopia e da negação,
olhares de tanta gente
quando têm tudo à mão.

António MR Martins

imagem da net

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

VÉNUS ANTIGA


Chamaram-te Vénus
não se percebe por que razão.

O teu rosto é de terra
e dos seios pesados que acaricio
emana o eflúvio esmaecido
das águas de mosto onde vegeta a vida.

Toco-te o ventre
iluminado por tantas promessas
e o teu som é cavo e mudo
como a seiva invadindo as árvores

Mas os homens
lançam sem cessar teu nome escuro
à chama do desejo:
acreditam talvez que,
por fim,
não tenham de regressar
ao útero matricial
que coroa a tua escultura silenciosa

Sara Timóteo

Entre o calor e o frio

No descobrir da tua pele
já nada se tem por igual,
neste âmago que repele
teu caminhar acidental.

Tuas mãos junto às minhas
em afago bem evidente,
a melhor das mezinhas
com efeito previdente.

Neste trilho relevante
donde esqueço moradas,
fica um olhar penetrante
entre as faces rosadas.

São pedaços supremos
num cortejar tão saliente,
pelo gotejar fiquemos
num sentido muito quente.

Tudo por aí se demora
rolando ou saltitando
e por esses tempos fora
felizes vamos andando.

Neste frio que tanto fere
sosseguemos na caminha,
quando o calor confere
retiramos a roupinha.

São gestos de influência
que nos levam a palpitar,
enredos de apetência
e outros de simples sonhar.

São mosaicos desta vida
onde se pintam paisagens,
de uma tela proibida
ou em laivos de miragens.

António MR Martins

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Portugal


Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que te dou.
Mostro aos olhos que não te desfigura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.

E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço:

Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.

Miguel Torga, in 'Diário X'

Efeitos e sentidos do amor

Entre a luz
E o brilho intenso
Há a diferença da cor
E da luminosidade

Aquela que vemos
E a que não conseguimos ver

Tal como na paixão
E no amor
Há a diferença da dor
E da intensidade

Aquela que é intensa
E a que não o sendo
Nos fica para sempre
Apensa

Como tudo o que não temos
Mas que sempre sentimos nosso

Tão nosso como esse tudo

Ou o nada
Que tudo representa


António MR Martins

domingo, 29 de janeiro de 2012

Três poemas de Prates Miguel...


Do seu primeiro livro "Marés Vivas", edição de autor, Janeiro de 1979.

1

Nem sempre a palavra
Lavra
Semeia
E planta
O que quer
O dono da garganta.

(1975)


16

Na última carta que a viúva recebeu da prisão

Ele dizia:

- Ensina a criança a apedrejar o sol

Até nascer para todos.

(1973)


29

(Também não sei o que é o mar)
- Eugénio de Andrade -

Também não sei explicar
- E quem sabe, afinal? -
Donde vêm a água e o sal
Que são o mar.
Já ouvi dizer, porém,
A homens sabedores
Que o mar é armazém
Do suor dos pescadores.
E quando as peixeiras choram
O mar fica salgado e maior
Por causa da mistura
Das lágrimas com o suor

(1977)


Prates Miguel

À beira do declínio

Sinto a tenaz usurpadora
que nos prende os dedos
das mãos esquecidas,
não nos deixando separar seus intentos.

Sinto sua colheita avassaladora
e a inquietude,
que trespassa o desiderato
da simples conformação.

Sinto o talhar
dum revestimento
que nos oprime as gargantas,
numa secura infinda,
sem mácula.

Sinto o desprender
do entendimento
e a única saída, para um poiso de luz,
se desintegra e se esfuma,
sem retrocesso possível.

Há um ventre que se esvai
a cada minuto que passa.

As hienas da vil raiva
e os abutres sugadores
amarfanham tudo,
não perdendo pela demora.

O declínio
abeira-se-nos de todos os sentidos.


António MR Martins

Apresentação dos livros "Máscara da Luz", de António Mr Martins e "Memória das Cidades", de Vítor Cintra, em Alvaiázere, na Biblioteca Municipal - 27 de Janeiro de 2012


Na mesa, da esquerda para a direita:
O poeta Xavier Zarco, que apresentou obra e autor de "Memória das Cidades",
Vítor Cintra, autor dessa obra,
Agostinho Gomes, Vereador do Pelouro da Cultura, da C. M. Alvaiázere,
António MR Martins, autor de "Máscara da Luz" e
o escritor Prates Miguel, que apresentou essa obra e respectivo autor.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Quântico


Um canto alado que cresça na cidade
E reduza as circunstâncias a pedaços
Que seja cântico negro ou cor da idade
Da quântica de ironias e cansaços

Que atravesse asfalto cimento e sinais
Sombra através dos dias de entremeses
Porta travessa das partes capitais
Pedras travestis de lares onde por vezes

Com vãos silêncios se disfarçam gritos
Contendo até que as paredes se desfaçam
Contratempos por vir corpos aflitos
Contrastes vagas presenças que ameaçam

Que se derrame nas praças apressadas
Nos derradeiros jardins habitáveis
Sobre as derrotas do hoje alimentadas
Na derrocada dos sonhos improváveis

Que se projecte nos olhos macerados
Revelando-lhes o brilho de uma alma
Redescoberta por gestos inesperados
Vindos do longe de uma antiga calma

E pode ser que as árvores se espantem
Que a cidade por fim erga a cabeça
Que reinvente pássaros que cantem
E algures na noite um coração estremeça

Mário Domingos

A minha singela homenagem ao poeta, e ao homem que hoje nos deixa. Até lá!

Mútua linguagem

Da seiva em que te aprendo
se enredam tantos clamores,
o meu olhar em ti suspendo
porque enormes teus valores.

Sacudo o pó do queixume
que empertiga a baixeza,
contigo acendo o lume
incentivando a certeza.

Mantenhamos ordem na casa
produtora da memória,
que recordamos de entre nós.

E no calor vindo da brasa
contemos a velha história,
em dueto com a nossa voz.


António MR Martins

Apresentação dos livros "Máscara da Luz", de António MR Martins e "Memória das Cidades", de Vítor Cintra, em Alvaiázere, na Biblioteca Municipal, 27 de Janeiro, 21 horas

O Município de Alvaiázere, através da Biblioteca Municipal, os autores António MR Martins e Vítor Cintra, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação dos livros “Máscara da Luz” e “Memória das Cidades” a ter lugar na Biblioteca Municipal de Alvaiázere, sita na Avenida António José Ferreira, em Alvaiázere, no próximo dia 27 de Janeiro, pelas 21:00.

Obra e autores serão apresentados pelo escritor Prates Miguel e pelo poeta Xavier Zarco, respectivamente.



Apareçam neste belo local da cultura e de empatia com as palavras, em Alvaiázere.

Serão bem recebidos.

Meu abraço

A Festa do Silêncio


Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.

António Ramos Rosa

Sentença benfazeja

Quando o sol se esconde
e a lua nos aparece
há um caminho perdido
onde não te posso encontrar.
O efémero tempo da espera
e da inquietação
que ramifica pensamentos
e ideias de desesperar.

Chega então o frio
duradoiro
no secreto de cada noite
onde o silêncio se apaga
na sombra dos ladrares famintos
latejando a cada esquina
das ruas gélidas ao abandono.

É aqui que o afago do sonho
e do corpo que me rodeia
germinam em paralelo
num relevante conforto
que nos aquece até ser dia.

E nesse sublime ponto
onde fulminam as memórias
tudo volta a acontecer.

Outra vez!


António MR Martins