sábado, 24 de março de 2012

Apresentação dos livros "Máscara da Luz", de António MR Martins e "Memória das Cidades", de Vítor Cintra, no Hotel Moliceiro, em Aveiro (2012.03.23), em fotos


Ocorreu, a 23 de Março de 2012, no Hotel Moliceiro, em Aveiro, a apresentação dos livros
"Máscara da Luz", de António MR Martins e
"Memória das Cidades", de Vítor Cintra.

Mais um pedaço do percurso das apresentações destes livros, na sua divulgação e promoção,
que vão acontecendo em simultâneo.

Este um espaço, inserido numa localidade, a que não podiamos faltar.


António MR Martins e Vítor Cintra.


A mesa de honra da sessão.

Da esquerda para a direita: Vítor Cintra, autor de "Memória das Cidades",
Rita Capucho, Presidente do Grupo Poético de Aveiro, que apresentou obra e autor de "Memória das Cidades", Pedro Baptista, o editor, pela Temas Originais,
Conceição Oliveira, membro do Grupo Poético de Aveiro, que apresentou obra e autor
de "Máscara da Luz" e António MR Martins, autor de "Máscara da Luz".


Conceição Oliveira num momentâneo em que
fazia a apresentação do livro "Máscara da Luz".


Um aspecto da atenta plateia.
Poucos, mas muito bons.


Rita Capucho faz a apresentação
do livro "Memória das Cidades".


António MR Martins no uso da palavra,
tecendo opinião sobre a sua obra em apresentação.


Vítor Cintra fala do seu livro "Memória das Cidades".


O tempo para os habituais autógrafos.
Aqui Vítor Cintra autografa o exemplar adquirido
pela poetisa Elvira Almeida.


Já António MR Martins assina e dedica
o seu livro a uma familiar, a sua prima Maria Helena.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Apresentaç​ão dos livros "Máscara da Luz", de António MR Martins e "Memória das Cidades", de Vítor Cintra, no Hotel Moliceiro, em Aveiro, dia 23 de Março de 2012, pelas 21 horas



Caros amigos,

Com o apoio do Hotel Moliceiro, em Aveiro, a 23 de Março, pelas 21H00, serão apresentados numa das salas do hotel, para esse efeito, os livros de poesia "Máscara daLuz", de António MR Martins e "Memória das Cidades", de Vítor Cintra, edições Temas Originais.

Obras e autores serão apresentados por Conceição Oliveira e por Rita Capucho, membros do Grupo Poético de Aveiro, respectivamente.

Se puderem apareçam e venham saudar a palavra, no conceito da poesia, connosco.

Todos serão bem vindos!!!

Gratos pela atenção.

António MR Martins e Vítor Cintra




Imagem do Hotel Moliceiro, retirada da net.

Fio de cabelo



Escondi-me no teu cabelo enquanto li a poesia. Ouvi o rasgar da pele na ponta da minha caneta. Demorei. Em alguns minutos engoli o meu corpo e vesti, tolhido, a minha alma com a roupa amorfa do fim do dia. No teu cabelo perco a inocência. A coerência igualmente. Escrevo, despido, o tempo que parou e não passa. Não resolve o mofo das coisas nem, tão pouco, remove a hora e a caneta da minha mão. Tão macio o teu cabelo...

Gonçalo Lobo Pinheiro

O sentido de ser mulher

Há um brilho límpido humano
Na ânsia de tantas vidas
Entre ensaios da natureza
E o aroma das flores perdidas
No meio de tanta beleza

Há uma luz cambiante
Que alterna com a bonança
Tal como no céu uma estrela
Desencadeia a esperança
Que no olhar germina ao vê-la

Há a força que vem do íntimo
E uma sensibilidade suprema
Entre a razão e a sensatez
Que desfralda tanto lema
Em vínculos de amor e solidez

Há o caminho da vida
E o que nele se representa
Como símbolo da Humanidade
Que dando à luz alimenta
Um apelo à eternidade

Há uma luz no mundo
Que regozija também
Pela ternura que de ti vier
Elevada ao papel de mãe
No sentido de seres mulher


António MR Martins

2012.03.08
Dia Internacional da Mulher

quarta-feira, 7 de março de 2012

Poema CX


Dizer catorze versos ao acaso,
falar de ti, de mim, falar de nós.
De nós, que nos cantamos num abraço
e que nos abraçamos com a voz.

Que vou dizer de ti, eu, que te amo
e isso é ter-te em mim, como se eu fosse
cada um dos momentos em que chamo
por Deus que me criou quando te trouxe.

Ó meu amor, que vou dizer-te agora
quando nada me chega para o canto
que de ti se alimenta e me devora?

Cantar-te, estando lúcido, é estar louco.
Não sei que mais dizer-te nesta hora,
pois dizer que te amo é muito pouco.


Joaquim Pessoa

in O POUCO É PARA ONTEM, Litexa Editora, 2008

A escolha das palavras


Andam palavras à solta
pelo trem do pensamento,
expressando sua revolta
em salpicos soltos ao vento.

Desfilam no seu percurso
por entre cada estação,
esperando pelo seu uso
mesmo sendo à condição.

Se as palavras têm alma
respiram se as escrevem
no verso que as acolhe.

Uma ríspida, outra calma
são as certas se merecem
enlevo de quem as recolhe.

António MR Martins

Foto: Bobby McFerrin (Macau), by Gonçalo Lobo Pinheiro.

quinta-feira, 1 de março de 2012

"Um Quadro"



O pintor abre a janela,
o aroma de um pêssego cola-se na tela.
Sente as mãos da manhã envolverem-lhe a pele:
gotas de tinta
pinceladas ao acaso.
Apetece-lhe o quadro, a madurez do fruto que se desfaz
a polpa, a cor acetinada misturada de memória.
A lucidez de um quadro que se avizinha,
entrecortado de vento,
- o secante da pintura –
um rosto, um fruto, um corpo de mulher
um olhar deitado no feno de Verão.
uma cascata. Um chuvisco de Agosto
um luar que se funde na trovoada…
criação do nada em aguarelas adormecidas
enquanto a tela mergulha no ocre da terra
como quem possui lingotes de ouro
- derretidos a preceito –
prevalece o aroma do pêssego:
e sente-o suave, aveludado
num ombro de mulher onde cola os dentes
um quadro, pintado no desejo!
Anoiteceu e nem deu por isso…
São horas de fechar a janela.


Dalila Moura Baião

Gotas perdidas


Uma gota de água
escorre no sentido
da negação constante
como vaga de esperança

Outra gota
salgada
lágrima de tantas outras
inventa o que não consegue

Já não há gotas
que alimentem a sede
da secura de tantos sóis
e do frio desesperante

Os rios desaguam
menores
no mar que lhes cabe em foz

E os barcos deixaram de navegar


António MR Martins

Foto by Gonçalo Lobo Pinheiro - Lantau.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ensaio


Ai
esses olhos
que me fulminam
devoram
roubam o ser,
essa boca
que saqueia
sem rodeios
e me mata a sede,
essas mãos
que me descobrem
desnudam
e arranham,
esses braços
que me rodeiam
apertam afrouxam
e voltam a apertar,
esse peito
que roça ao de leve
me electriza
e incendeia,
essas pernas
que me enleiam
desbravam
e desventram.

Ai desse corpo que me ateia!

Ardo.

Alexandra Rosado

Radar da sensibilidade

Tem dias
Sinto-me marginal de ti

Incongruência desmedida
Do pensamento

Outros há
Em que te penetro
Na alma
E os nossos corações se tocam

Tal como se nos manejássemos
De um princípio
A um fim

Intensamente


António MR Martins

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

CEGAR OU VER


não vou se cego o que faço
se ilumino permaneço:
recosto no teu regaço
e de vez em quando esqueço.
de qualquer modo faleço
no corpo do teu traço:
caído assim no teu laço,
passo os dias no meu terço.
se cego não ganho espaço
se ilumino é o começo.

José Félix

Quase tudo se perde



Rasgo o contacto
Que tinha no papel
A palavra daquilo que sinto

Interajo veementemente
Com o rasto deixado
E com tudo o que pressinto

Doutro modo
Fervilha o estado passageiro
Da palavra e sua grandiosa força

Reluz a esperança
Na envolvência semi-contida
Por mais papéis que rasgue e torça

Às vezes a escrita é tão pouco
Quando a palavra é tudo
No reverso do simples encantamento

Outras vezes nada acontece
E então perde-se a carruagem
Que passa na estação em andamento


António MR Martins

Foto by Gonçalo Lobo Pinheiro, Londres (Metro).

sábado, 25 de fevereiro de 2012

UNIVERSO


Universo
esse espaço misterioso
onde as curvas da estrada
são incógnitas.
Onde os elementos
nos confundem
e absorvem.
Onde os versos
se escondem secretos
e as aves voam em desordem,
as folhas soltas
têm sabor a música
de melodia nunca escrita,
os anseios são angustia infinita
e onde adormecemos
na cegueira de conhecer a luz
onde a palavra nunca foi dita
e aí encontrarmos
o cerne da vida.

Lita Lisboa

Porque te escrevo assim

Porque te escrevo assim
Na espera dos meus anseios
Ao início de cada noite
Ao alvorecer do novo dia
Entre o voo de tantas aves

Porque te escrevo assim
À luz da tua sombra
À mesa da sobrevivência
Com aromas vitalícios
Entre o vento que ora passa

Porque te escrevo assim
Neste meu estar sem jeito
Na história que se não conta
Pelo sorriso de uma criança
Entre versos nunca escritos

Porque te escrevo assim
Na demora do tempo breve
Na origem desconhecida
Pelos gestos de magia
Entre as lágrimas vertidas

Porque te escrevo assim
Das memórias que eram nossas
Ao sentido que nos impele
Nas conquistas do nosso mundo
Entre abraços de ternura

Porque te escrevo assim
Sem saber o que dizer
Amando-te sem nada querer
No sentir mais profundo
Entre o passado e o futuro


António MR Martins

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Teus Olhos Entristecem


Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.

Fernando Pessoa