sábado, 9 de fevereiro de 2013

Preciso de ti

 
Imagem da net, em: olhares.sapo.pt
 

Como a semente
Precisa da terra
E da água
Para germinar
Preciso de ti

Num anseio
Multicolor
Onde a espera não resta
E a partida
Não se suspende
Preciso de ti

Como tudo o que acaba
E logo recomeça
Em modificação constante
Desta ampla natureza
Preciso de ti

Na alegria
E na tristeza
Onde nada haja que impeça
Desde o luar
Ao nascer do sol
Preciso de ti

Como um simples
Chamamento
Nos ensaios
Da música do vento
Preciso de ti
 
Desde o tempo que começa
Entre o amor
E a saudade
Ou entre uma lágrima
E a intensa felicidade
Preciso de ti

 
António MR Martins

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Jornada




58 - Mel Almeida








Nas palavras que me cantam sibiladas
Onde te revejo…
Com a sagaz coragem
Que pernoita
Em fortaleza, embriagada nas noites,
Onde repousam as nossas madrugadas.

E
No meu devaneio
Voam-me imagens em carruagem silenciosa
Onde me passeio
E, o som,
É uma paisagem acesa,
Que me cerca, sem paragens na incerteza

Mas ao ver-te,
Já não é o tempo que em mim viaja
Sou eu, quem viaja sem tempo…
Nos braços que me abraçam,
Como carril oleado de desejo,
Onde não existe desalento
Pousando a paisagem…Em abraços, e num beijo lento…

 
Mel Almeida


alive the word

 



was chained the word
in a unutterable squeeze, 
where metaphors lay.

in this to exasperate confront
if consolidated the utopia,
in turpitudes mornings.

the cycle finished
giving motive to another start.

the compensation appears!

the word revolt
and all resurges with the pomp,
conquering new wings
and the permission for other flights.

the dream
comes back to be concretize,
yearning for it full freedom.

alive the word!

 
António MR Martins

Um poema meu, traduzido para inglês, publicado na revista literária HCL, da Roménia.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Toca-me






57 - Paulo Gaminha






 
Anda, vem tocar-me, toca-me com essas mãos nuas de tudo cheias de mim, deixa que elas soltem a tua roupa, a deixem cair como a folha caduca que abandona o seu ramo abrigo.

Desejo esse teu toque entregue ao meu, esse toque que te faz orvalhar como a mais linda flor aos primeiros raios de sol da primavera, anseio por essas gotículas espessas nascidas de ti para mim.

Anda, vem tocar-me e deixar-te tocar, deixemos que o toque mágico aprisione estes corpos ilusionistas expostos na arena de Circo que é a nossa cama, puxa o lençol vermelho e faz-me desaparecer dentro ti, cobre o teu corpo pela paixão e faz-me reaparecer no cimo de ti…

Amo o toque com que me tocas, o toque que completa o meu, toca-me e volta a tocar-me, porque o meu toque não se cansa do teu!!!

 

Paulo Gaminha

Há uma flor mulher

 
Imagem da net, em: imagensgratis.com.br


Há uma flor versus mulher
Na sentença da minha vida             
Que nunca questiono sequer                    
O sentido duma partida

Há um carinho tão sublime
No teor de cada afago
Na robustez vinda do vime                
E no trincar de cada bago

Há um rosto sempre presente
No âmago que tanto sente                       
Por um gesto de simples louvor

Há um abraço que subsiste
Numa força que não desiste                     
Nesta mulher de tanto amor

 
António MR Martins

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Olhos de poeta






56 - Edson Incopté








Vejo o mundo
Como um mar de rosas
E vejo mesmo!
Algumas pisadas
Outras com espinhos
Mas vejo!

Vejo em cada pessoa
Uma rosa diferente
Em cada rosa
Uma beleza presente

Vejo sem receios
Porque vejo ao meu jeito
Vejo com olhos de poeta
Que até o sofrimento
O inspira para mais um momento

 
Edson Incopté

in livro “ Insana Rebeldia”, página 64, edições Temas Originais, Coimbra, 2012.
 
 

Pétalas da vida



Bastas-me ó mulher singela
entre as janelas da vida
onde ficas de sentinela
cobrindo-me na tua guarida

me enleias de tanto afago
entre a voz do silêncio
e eu contigo me trago
como se fora Inocêncio

nos damos no mesmo cantinho
oculto na sinceridade
com que brindamos um vinho

um abraço pela verdade
por não se ficar mais sozinho
ao rubro a felicidade

 
António MR Martins

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sou homem





55 - José Alberto Monteiro Rodrigues
 
 
 
 
 
 
 
Sou homem
Poeta e trovador
Conto
E canto Palavras
Com e sem dor.
Faço poesia dia a dia
Dando forma de livro
Aos meus versos.

Fico por vezes
Perdido na tarde
Na noite
Na madrugada
Que traz manhã.
Mas esta noite
Vou partir em demanda
Sem rumo na procura
De um bom acordar
Mesmo sem saber sorrir
Numa espera ansiosa.
Meu relógio é o sol
Em direção a nova tarde
Por mim desejada
Para mim nascida!

 
José Alberto Monteiro Rodrigues

in livro “A Poesia é um Antidepressivo”, página 37, edições Temas Originais, Coimbra, 2012.

Relâmpagos no asfalto

 
Imagem da net, em: casavogue.globo.com
 
 

Explodem pruridos na noite
Em brilhos de intensidade
Revolvidos perante a chuva

Os medos não terminaram
Nesta chegada soberba
Que nos prende no andamento

Vigoram agora os ais
Da penumbra do anoitecer
Em soluços de melodia áspera

É congénere ao assentimento
Da rudeza fantasmagórica
De um clima
Que nos obriga a parar

Não há caminho aberto
Neste enorme desabar

 
António MR Martins

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sonho






 54- Sara Timóteo






Dormes com deuses
evocas jardins e palácios reluzentes
perscrutas águas claras como lágrimas
 
À tua volta, homens de lodo
caminham sobre uma terra em cinzas
e tentam aniquilar o teu olhar
 
Nauseado, garantes
que o teu doce aroma
limpará a lepra dos homens e das coisas
e que todos viveremos na perfeição.
 
Quando acordei, tinhas partido.
Mudo horror. Serena angústia.
 
 
Sara Timóteo
 
in livro “”Chama Fria ou Lucidez”, página 11, Papiro Editora, Porto, Agosto de 2011.
 
 


esfumar de tormentos



te acaricio
no recanto de ti
quando abalam as vozes do tormento
mensageiras do medo
e dos terrores
das trevas perdidas

há o sossego
nesse cordel que nos une
afastando a negritude
e a atmosfera maligna
que te rodeia de soslaio

revigora-se
esse pacto
e a força que lhe precede
é interminável

eis o vincular
da esperança
que a todo o mal faz dissipar

 
António MR Martins

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ensaio






53 - Alexandra Rosado




 
 
 
Ai
esses olhos
que me fulminam
devoram
roubam o ser,
essa boca
que saqueia
sem rodeios
e me mata a sede,
essas mãos
que me descobrem
desnudam
e arranham,
esses braços
que me rodeiam
apertam afrouxam
e voltam a apertar,
esse peito
que roça ao de leve
me electriza
e incendeia,
essas pernas
que me enleiam
desbravam
e desventram.

Ai desse corpo que me ateia!

Ardo.

 
Alexandra Rosado


sábado, 2 de fevereiro de 2013

nobre “plágio”

 
Maria Laurinda, amiga de Maria Alexandra Garcez, lendo
"Águas de Ternura".


na página
onde se debruçam os versos
a queda
do pensamento

a imaginação
abeirou-se do poeta

fugaz ilusão

cabe ao leitor
fazer voar as palavras

em múltiplos “plágios”
da mente

 
António MR Martins

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A partida é uma certeza




52 - Ana Coelho





 
 
Na infertilidade da terra
o partir grita
mais alto da alma onde ficam
as asas do sonho disperso
a nuvem cinza
que chora granizos glaciares paridos do espírito…

A partida é uma certeza
a maior incerteza
que saqueia o sorriso…

Chega quase sempre matreira
na curva de mil sonhos traçados…
Todos assim o sabemos
mas só quando o som
é no intimo da nossa entrada
o grito é o susto do silêncio
rasgado nas lágrimas
que galgam sem cessar…

A partida é o mais difícil adeus
que a Deus pertence a hora
aos homens ofusca a luz do mais leve olhar…

 
Ana Coelho


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Melodia bucólica

 
Zona Envolvente do Rio Nabão, em Ansião (hoje).
 

Voam pássaros contentes
entre outros mais dolentes
nesta paisagem que vejo.
Alguns saltitam cantando
nos frios ramos brincando
procurando seu desejo.

O sol surge na timidez
perante esta escassez
que tanto fresco abala.
O vento empurra tudo
na terra de teor mudo
onde por vezes resvala.

Entre um céu que observa
e as estrelas que conserva
o que em baixo se passa.
As nuvens correm a eito
com um ar em desajeito
mas sempre com grande graça.

O cheiro destes silvados
caminho de namorados
e o pão que há na mesa.
São temas dos mais batidos
seguindo rios sofridos
que vestem a natureza.

 
António MR Martins