terça-feira, 10 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
"Margem do Ser", de António MR Martins
No início do próximo ano, o meu novo livro de poesia "Margem do Ser", isto se não existirem quaisquer contratempos na minha vida e/ou da minha parte.
A tua fotografia
Rasguei
a
última fotoque de ti tinha
depositando-a
no cesto
dos papéis rasgados.
Tocaram
à porta.
Eras
tu!...
Reconstrui-te
em
fotografiade novo.
Angelina Andrade
REQUIEM
Parem
o mundo
quando
um poeta morrer!Encerrem todas as cifras
que desvendam o amor
Deixem que o mundo se cubra
num manto de solidão
e apenas brotem dos olhos
lágrimas como oração
Um minuto de silêncio
com o céu, a escurecer
pois Deus ficou em júbilo
apenas para o receber
Angelina Andrade, in “Nas Asas de Simorgh”, página 70, edições Temas
Originais, Coimbra, 2012.
domingo, 24 de novembro de 2013
Validades
Imagem da net, em: www.cinepop.com.br
Pelo amor estarei sempre presente
Mesmo nas ausências obrigatórias;
Assim, nada pode haver que lamente
Por entre essas fases transitórias.
Entre
os valores enaltecidos…
Onde
se relevam tantos carinhos,Assentam outros teores proibidos
Que podem afugentar passarinhos.
Mas
o amor não pode ter fronteiras
Nem
das algemas pode ser prisioneiroEm tantas das etapas derradeiras.
Por
isso nunca poderá ser ligeiro
Nem
provocador de muitas asneiras…Jamais parcial, mas sempre inteiro.
Teresa Teixeira
POEMA RASGADO
(solta-se um vento que estremece as ondas,
namora-me o mar)
Queria
cantar a força…
(solta-se
um tempo que estreita as fissuras,fascina-me a forca)
Queria
cantar a paz…
(rasgo-me
em verso, de lírios vestida,sou branco fugaz)
Quero
cantar a esperança!
(prende-me
a rima que busca sem rumo…… as ranhuras ásperas da cobrança…)
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Olhar
Imagem da net, em: www.sabe.br
Olhei-te
Na limpidez
De relance
E
nesse olhar
Abarquei
o universo.Vítor Cintra - 2
D. JOÃO I (1385 – 1433)
Casado
com Filipa de Lencastre,
Tornou-se
Dom João, Mestre d’ Avis,Monarca de prestígio, como quis,
Salvando assim o reino do desastre.
Tentando
impor-se à força, diz a História,
Castela,
nas batalhas, foi vencida.Deixou fugir a presa, apetecida,
Ficando-nos do rei Boa Memória.
O
povo, em todo o reino, e muitos nobres,
Nascidos
«os Segundos», que eram pobres,Tal como foi Dom Nuno, “O Condestável”,
Fizeram,
com arrojo e com coragem,
Surgir
em Portugal nova linhagem,Senão a mais ilustre, a mais notável.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Releve-se a Humanidade
Imagem da net.
Se engrandecem de ti simples formas
fortalecimento iluminador,
florir privilegiado sem normas
sustenta teu ser tão enriquecedor.
Apanágio
por vezes irreverente
no
cerne de tamanha perspicácia,jeitos teus têm maneira saliente
onde se desenvolve tanta eficácia.
Nunca
irás acotovelar ninguém
nem
enformarás gestos infundadossujeitando ao perjúrio qual alguém.
Não
suportarás discursos deformados
nem
filhos rejeitados por cada mãenum mundo entre seres maltratados.
Asun Estévez
(Galiza)
Medrar nas mans
Hoxe
vin tras as frías pedras
agocharse cauta á liberdade.
Unha liberdade que nos observa
profanada e vendida
nunha doutrina de chuvias malditas.
desvergoñadas, indiferentes,
desleigadas e fendidas.
E choran as pobres putas
de meixelas rotas
acubilladas no infortunio.
e as promesas seguen ulindo a vello.
Apoloxía de tódolos sons contidos
a través dos séculos.
Asun Estévez, in
“Medrar nas mans”, página 51, edições Ir Indo Edicións, 2013.
Medrar nas mans
agocharse cauta á liberdade.
Unha liberdade que nos observa
profanada e vendida
nunha doutrina de chuvias malditas.
Tras
as pedras
políticas
desorientadas,desvergoñadas, indiferentes,
desleigadas e fendidas.
E choran as pobres putas
de meixelas rotas
acubilladas no infortunio.
E
xemen os medos enriba
e
detrás das pedras,e as promesas seguen ulindo a vello.
Apoloxía de tódolos sons contidos
a través dos séculos.
Pero
nas mans dos nenos
medran cada día centos de
papoulas…domingo, 17 de novembro de 2013
ainda espero
Imagem da net, em: www.doutissima.com.br
ainda espero
a dobragem do caminho
amplo e aberto
em que se fazem as visitas a tantos
campos alheios a descoberto
ainda
espero a nova fórmula
do
desejo prometidoonde se vertem as saudades
do último encanto adormecido
entre o duro sofrimento
de uma morte
jamais aliviada
ainda
espero o iluminar
coerente
e intensoque faça desenvolver novos pretextos
inovadores num transitar repleto
de inquietação
mas virtuoso nos seus desígnios
ainda
espero o que nunca alcançarei
como
num sonho imaturodesmedido
tão imaginário
na réstia da moldura visível
que se afronta ao meu olhar
a cada segundo intemporal
de um tempo incontável
sem
reveses
sem
contemplaçõessem palavras
em silêncio
ainda
espero
Clara Maria Barata
O corpo como um rio
Iremos
juntos meu amor
beber
a claridade das manhãsno ventre imaculado da terra
vamos
cavalgar o vento
sonhar
o sonho dos naviosouvir a canção do mar
na memória dos dias puros
iremos
juntos meu amor
até
que das nossas bocasirrompa a água
e rente à relva
o corpo como um rio.
sábado, 16 de novembro de 2013
A felicidade de fazer o bem
Imagem da net, em: www.estudos.gosplemais.com.br
Deitado no seu cansaço e anónimo de ilusões,
sem desejos pendentes e outras condições.
Olhando o horizonte e as nuvens do desabafo,
esmifrou os condimentos para aquecer seu bafo.
A água já regelava o pensamento da morte
e o seu passo ligeiro, interiorizava-o como torpe…
levantou-se em desatino e olhou em seu redor,
proferiu palavras mansas que conhecia de cor.
Aprumou os seus sentidos e a ninguém pediu meças,
coçou sua cabeça reintegrando suas peças.
Acariciou a pedra próxima e a árvore subjacente
e numa alusão voraz denominou-se de inteligente,
sortilégio do desaprumo, metáfora sem solução,
abriu os braços ao mundo e a todos deu a mão.
Sentiu-se como um deus, de todos, o maior
e neste gesto fecundo… regurgitou muito amor.
Logo contabilizou: seu procedimento por tamanho,
perante a mediocridade de tanto humano tacanho.
Se nos dermos uns aos outros, numa ajuda coerente,
certamente de mesquinhos voltaremos a ser gente.
Conceição Oliveira
DESATINOS
Vento do levante
Ocaso pacífico
E ofuscante…
Voraz…
Há búzios e conchas
Por todo o lado
Em turbilhão.
Também, a minha.
Este,
Em que não atino
Com a palavra Paz.
Conceição Oliveira, in “Labirinto de Palavras”, página 12, edições Temas
Originais, Coimbra, 2012.
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