sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
por onde o mar vive
Cabo da Roca, por António Martins.
dos lados do mar
vem a cálida presença
da penumbra dos sentidos
o aroma da respiração dos búzios
e a voz rouca de todas as conchas
dos
lados do mar
vêm
as nuvens da descobertaante o raiar do novo sol
que ilumina certeiramente
a água perpétua de todas as ondas
dos
lados do mar
o
cheiro inebriante da promessae a luz da radiosa esperança
com um sobrescrito lacrado
contendo todos os desígnios do mundo
dos
lados do mar
a
ousadia pujante da juventudeno percurso da ordeira nação
e o voo das aves cintila
o libertar das amarras da contenção
dos
lados do mar
a
magia do suspirar ondulanteante o asfixiar medonho
pelos nódulos da imposição
e o prurido da dor incurável do desalento
dos
lados do mar
ecoam
gritos espirituais da verdadeinaudíveis por tantos tímpanos moucos
e o desassossego dos irrequietos corpos
esfria-se no esquema da condescendência
domingo, 12 de janeiro de 2014
Pré-apresentação do meu novo livro "Margem do Ser", em Ansião
O autor, António MR Martins, o Palco dos Sentidos e a Temas Originais
têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de pré-apresentação
do livro "Margem do Ser", a ter lugar no espaço de actividades
educativas, culturais e entretenimento Palco dos Sentidos, sito
na Travessa da Misericórdia (esquina da Avenida Dr. Vítor Faveiro),
em Ansião, no próximo dia 18 de Janeiro, pelas 15:30. Obra e autor
serão apresentados pela animadora cultural Rita Miguel.
No fim da sessão, saboreie uma bebida connosco.
Apareçam e tragam mais amigos convosco.
A árvore da vida
ao
tronco me encosto
na
sombra efémeradesguarnecida no tempo
aqui
arrecado
os
prantos que são da vidaencerrando-os em minhas gavetas
aqui
alinhavo
dissertares
e percursos vindourosesperançosos
aqui
embalo palavras
agitando-as
depoise retirando-as de seguida
do pensamento
uma a uma
nestes
ramos
se
penduram sentidosdo simples descanso
do voo de tantas aves
é
nesta árvore
onde
o meu momentâneo larde memórias
acontece
António
MR Martins
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
A candeia das remotas memórias
Imagem da net, em: www.trocadero.pt
Da candeia se apagam
as rédeas da visibilidade
e as gotas de petróleo secam seu desvario
numa acendalha descabida
onde outrora o azeite fazia sua escalada
Da
candeia se desfocam
as
imagens ternas e afagantesentre o denodo persistente do frio
e o pavio da concordância
que repele todas as máculas da tristeza breve
Da
candeia flamejante
pousada
no desvario da memóriase ungem os sentidos
através da tangente da sobrevivência
ante a espera do porvir
Da
candeia irradiante
o
calor único e a luz ténue metamorfoseiam
a palidez incandescente
de um passado nunca esquecido
Da
candeia velhinha
sobram
tantos pedaços de históriana simplicidade do seu manusear
entre as esferas da solidão
e a negrura de tantas noites
Pela
candeia sem luz
cresce
a escuridão do ocasona presença de tantos anseios
que aguardam ansiosamente
a claridade de um novo dia
Vítor Cintra - 3
Lembrando:
SIDÓNIO MURALHA
Se
o «Novo Cancioneiro» foi razão,
Ou
foi, apenas, uma soluçãoP’ra criticar visões salazaristas,
Em versos ditos neo-realistas,
Jamais o saberemos. Logo agora
Que quem escreveu já cá não mora.
No
mal dizer, porém, há uma certeza,
É
tradição da gente portuguesa.E, quando o mal dizer assenta certo,
A gente sente quase o céu aberto.
DAMIÃO DE GÓIS
Nascendo
na nobreza, em Alenquer,
Foi
Damião de Góis historiador;Mostrou na sua vida tal saber,
Que se tornou versátil escritor.
Mas
não provou somente a escrever
Os
seus imensos dotes e fervor,Também noutras alturas provou ser
Bom músico e até compositor.
Das
artes foi mecenas, por prazer,
Colecionando
obras com valor,Quando era no estrangeiro embaixador.
Voltando
a Portugal veio a sofrer,
Por
mera insensatez de um delator,O cárcere às mãos do Inquisidor.
Vítor Cintra, in “
Nas Margens do Esquecimento”, edições Lua de Marfim, páginas 49 e 73, Outubro
de 2013.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
variações temporais
Imagem da net, em: www.r7universal.blogspot.com
fecham-se as portas
lentamente
de um dia
de um mês
de um ano
onde as paisagens
foram secas e húmidas
a destempo
fecham-se
as portas
na
dor que nos tormenta o íntimo desflorido
na inquietude dos sobressaltos
em correntes de desespero
nos episódios da vida…
daquela vida verdadeira
fecham-se
as portas
rangendonos intervalos do silêncio
ante a lágrima não escorrida
pelo peito do sofrimento
fecham-se
as portas
mas
outras se reabremdizem!…
que
as portas do amanhã
nos
proporcionemvistas verdejantes
com azuis cintilantes
e que um novo ar
mais puro
possa entrar em nossas narinas
rejuvenescendo-nos as memórias
e acicatando-nos para o futuro
a
vida é assim
plena
de altos e baixos
as
portas
essasconsoante a ferrugem das dobradiças
e dos fechos que as sustentam
vão rangendo nos seus desígnios
umas mais que outras
entreajudadas pelas janelas
que entreabertas
as vão rodeando
que
a abertura de novas portas
nos
sustentem na felicidadetanto no sentido da vida
como no silêncio da morte!...
sábado, 21 de dezembro de 2013
Descubra-se o caminho
Imagem da net, em: www.dicasdacilene.blogspot.com
Pousam-me as memórias na mente
estagnadas pelo tempo infindo,
presas enleadas em tanta corrente
que me soterram e trazem desavindo.
Vejo
ao meu redor e tudo se mantém
com
a esperança esquartejada,pela pobreza olhada com desdém
no sabor duma fome ameaçada.
Soltem-se-me
as memórias de novo
na
luz que não encadeia a vidanem o caminhar lesto deste povo.
Faça-se
com que não seja perdida
a
mensagem que agora renovolutando-se pela melhor saída!...
Álvaro Alves de Faria
Do poeta brasileiro mais português...
CARTA
não sabia que também
consumia meu último lápis.
As palavras saltaram manchadas do nada,
na última carta que escrevi
e o lápis ia aos poucos desaparecendo,
inútil como uma sombra.
Quando amanheci e enviei a carta a mim mesmo,
no endereço que desconheço,a ao ler contive as frases esquecidas,
como se assim pudesse
compreender o que não tinha a me dizer.
Inútil trama de mim
que a mim se refere sem me sentir:as palavras estão definitivamente mortas
no risco de um lápis
que também não sabe,
a escrever-se em si mesmo
essa carta derradeira
que me será entregue
quando não estarei mais aqui.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
"Margem do Ser", de António MR Martins
No início do próximo ano, o meu novo livro de poesia "Margem do Ser", isto se não existirem quaisquer contratempos na minha vida e/ou da minha parte.
A tua fotografia
Rasguei
a
última fotoque de ti tinha
depositando-a
no cesto
dos papéis rasgados.
Tocaram
à porta.
Eras
tu!...
Reconstrui-te
em
fotografiade novo.
Angelina Andrade
REQUIEM
Parem
o mundo
quando
um poeta morrer!Encerrem todas as cifras
que desvendam o amor
Deixem que o mundo se cubra
num manto de solidão
e apenas brotem dos olhos
lágrimas como oração
Um minuto de silêncio
com o céu, a escurecer
pois Deus ficou em júbilo
apenas para o receber
Angelina Andrade, in “Nas Asas de Simorgh”, página 70, edições Temas
Originais, Coimbra, 2012.
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