quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
sábado, 1 de fevereiro de 2014
À Conversa com…
Biblioteca Municipal de Ansião promove encontro com autores
Prosseguiu a 29 de janeiro o projeto À Conversa com… da biblioteca municipal de Ansião. Trata-se de uma iniciativa mensal que se propõe proporcionar, através de conversa informal, um contato direto entre autores do concelho e elementos da comunidade ou de instituições locais. Promover o livro como fonte de conhecimento e prazer é o objetivo mais lato desta iniciativa, que visa ainda incentivar a leitura e a escrita, promover o espírito crítico e a reflexão e contribuir para o convívio e a socialização. Os públicos juvenis e sénior são os principais destinatários deste projeto. Assim, esta edição do À Conversa com… juntou o poeta António MR Martins com 12 utentes do Lar de Terceira Idade e do Centro de Atividades Ocupacionais da Santa Casa da Misericórdia de Alvorge. Uma conversa que em fevereiro e março terá como autores convidados Prates Miguel e Irene Valente.
Do "site" da Câmara Municipal de Ansião, publicado a 30 de Janeiro de 2014, em: http://www.cm-ansiao.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=924:a-conversa-com&catid=47:cultura&Itemid=225
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Licínia Quitério
PERCURSO
Venho
de longe,
de
terras pobrescaseadas de portas
com trincos de madeira.
Trago
nos olhos
os
microcosmosdas brasas das fogueiras.
Nos
cabelos,
os
cheiros da queima das ervasa esconjurar maleitas.
No
longe havia gente
que
atirava palavrasà dor e à alegria
e aos bichos tresmalhados.
Para
trás ficaram
as
fontes e a sede dos cântarose a evidência da Cassiopeia
e o bailado dos vaga-lumes.
Venho guiada pelo murmúrio
de raízes subaquáticas.
Perdi
o mapa das viagens
e
desprezo regressos.
Aqui
cheguei
para
conjugar o verbono tempo dos meus passos.
Licínia Quitério, in “De pé sobre o silêncio”, páginas 11 e 12, edição de
autor, Novembro de 2008.
Despavimentar mórbido
Imagem na net, em: www.adivinha.blogs.sapo.pt
Não me amedrontem o sentido, só
apegado ao delinear do medo…
numa sequencial morte sem ter dó
entre a euforia e o degredo.
Na
paisagem tremida, imensidão
espoliada
de tantos anseios,escolhos retirados da confusão
por entre virtudes e devaneios.
Promiscua
conjuntura resistente
pelos
sopros aziagos desta vidae a sensibilidade assaz dormente.
Umbigo
saliente, tez batida…
no
suprir dum afago, infelizmentequando soa a ordem da partida.
sábado, 25 de janeiro de 2014
Carlos Carranca
Guitarra Lusitana
Guitarra,
meu amor de raiz;
minha
mulher encordoada…Procuro o meu país
no teu corpo de mulher, imaginada.
Contigo
subo na fragrância
de
teus enlevosde corsa. Frágil elegância
de tuas ancas nos meus dedos.
Guitarra,
meu país por dedilhar!
Percorro-te
nas cordas da loucura;nas ânsias frágeis da dor.
Sinto-te
nos dedos. Vamos namorar…
Estreito-te
pela cintura.Guitarra lusitana, meu amor!
Carlos Carranca, in “Coimbra à guitarra”, página 18, edições
MinervaCoimbra, 2003.
um pesadelo na noite
Imagem da net, em: www.lafarlede.fr
o vento intragável
desafiou todo o desânimo
entre as florestas desabridas
perante a inexistência da contemplação
o
esvoaçar das aves
escapou
à surdina escoltada pela intempérieentre o eclodir da chuva
a destempero
num bater profundo
das suas bátegas da desconsolação
em enfoques sombrios
perante os trovões da incongruência
a
gelidez com que o lençol nos abraça
solicita
a companhia de todas as lãse da coberta do consolo
mas a avidez do grito do vazio
empalidece a pele dos resistentes
perante a fuga de todas as nuvens
o
vento assobia a melodia do suspense
em
interlúdios de impaciênciana brevidade do tempo
que vai sumindo sem prestar contas
mas
eis que chega outro tempo
que
partindo igualmentenos deixa o silêncio do repouso
e
tudo acontece
quando
a naturezaveio descansar… na minha cama
sábado, 18 de janeiro de 2014
Pré-apresentação de "Margem do Ser", em Ansião, 2014.01.18
No Palco do Sentidos
Travessa da Misericórdia, Ansião
Mesa de Honra
Da esquerda para a direita: Rita Miguel, animadora cultural, que
apresentou obra e autor de "Margem do Ser", Tomás de Melo, que leu dois poemas da obra,
António MR Martins, o autor e Pedro Baptista, editor, da Temas Originais.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
por onde o mar vive
Cabo da Roca, por António Martins.
dos lados do mar
vem a cálida presença
da penumbra dos sentidos
o aroma da respiração dos búzios
e a voz rouca de todas as conchas
dos
lados do mar
vêm
as nuvens da descobertaante o raiar do novo sol
que ilumina certeiramente
a água perpétua de todas as ondas
dos
lados do mar
o
cheiro inebriante da promessae a luz da radiosa esperança
com um sobrescrito lacrado
contendo todos os desígnios do mundo
dos
lados do mar
a
ousadia pujante da juventudeno percurso da ordeira nação
e o voo das aves cintila
o libertar das amarras da contenção
dos
lados do mar
a
magia do suspirar ondulanteante o asfixiar medonho
pelos nódulos da imposição
e o prurido da dor incurável do desalento
dos
lados do mar
ecoam
gritos espirituais da verdadeinaudíveis por tantos tímpanos moucos
e o desassossego dos irrequietos corpos
esfria-se no esquema da condescendência
domingo, 12 de janeiro de 2014
Pré-apresentação do meu novo livro "Margem do Ser", em Ansião
O autor, António MR Martins, o Palco dos Sentidos e a Temas Originais
têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de pré-apresentação
do livro "Margem do Ser", a ter lugar no espaço de actividades
educativas, culturais e entretenimento Palco dos Sentidos, sito
na Travessa da Misericórdia (esquina da Avenida Dr. Vítor Faveiro),
em Ansião, no próximo dia 18 de Janeiro, pelas 15:30. Obra e autor
serão apresentados pela animadora cultural Rita Miguel.
No fim da sessão, saboreie uma bebida connosco.
Apareçam e tragam mais amigos convosco.
A árvore da vida
ao
tronco me encosto
na
sombra efémeradesguarnecida no tempo
aqui
arrecado
os
prantos que são da vidaencerrando-os em minhas gavetas
aqui
alinhavo
dissertares
e percursos vindourosesperançosos
aqui
embalo palavras
agitando-as
depoise retirando-as de seguida
do pensamento
uma a uma
nestes
ramos
se
penduram sentidosdo simples descanso
do voo de tantas aves
é
nesta árvore
onde
o meu momentâneo larde memórias
acontece
António
MR Martins
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
A candeia das remotas memórias
Imagem da net, em: www.trocadero.pt
Da candeia se apagam
as rédeas da visibilidade
e as gotas de petróleo secam seu desvario
numa acendalha descabida
onde outrora o azeite fazia sua escalada
Da
candeia se desfocam
as
imagens ternas e afagantesentre o denodo persistente do frio
e o pavio da concordância
que repele todas as máculas da tristeza breve
Da
candeia flamejante
pousada
no desvario da memóriase ungem os sentidos
através da tangente da sobrevivência
ante a espera do porvir
Da
candeia irradiante
o
calor único e a luz ténue metamorfoseiam
a palidez incandescente
de um passado nunca esquecido
Da
candeia velhinha
sobram
tantos pedaços de históriana simplicidade do seu manusear
entre as esferas da solidão
e a negrura de tantas noites
Pela
candeia sem luz
cresce
a escuridão do ocasona presença de tantos anseios
que aguardam ansiosamente
a claridade de um novo dia
Vítor Cintra - 3
Lembrando:
SIDÓNIO MURALHA
Se
o «Novo Cancioneiro» foi razão,
Ou
foi, apenas, uma soluçãoP’ra criticar visões salazaristas,
Em versos ditos neo-realistas,
Jamais o saberemos. Logo agora
Que quem escreveu já cá não mora.
No
mal dizer, porém, há uma certeza,
É
tradição da gente portuguesa.E, quando o mal dizer assenta certo,
A gente sente quase o céu aberto.
DAMIÃO DE GÓIS
Nascendo
na nobreza, em Alenquer,
Foi
Damião de Góis historiador;Mostrou na sua vida tal saber,
Que se tornou versátil escritor.
Mas
não provou somente a escrever
Os
seus imensos dotes e fervor,Também noutras alturas provou ser
Bom músico e até compositor.
Das
artes foi mecenas, por prazer,
Colecionando
obras com valor,Quando era no estrangeiro embaixador.
Voltando
a Portugal veio a sofrer,
Por
mera insensatez de um delator,O cárcere às mãos do Inquisidor.
Vítor Cintra, in “
Nas Margens do Esquecimento”, edições Lua de Marfim, páginas 49 e 73, Outubro
de 2013.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
variações temporais
Imagem da net, em: www.r7universal.blogspot.com
fecham-se as portas
lentamente
de um dia
de um mês
de um ano
onde as paisagens
foram secas e húmidas
a destempo
fecham-se
as portas
na
dor que nos tormenta o íntimo desflorido
na inquietude dos sobressaltos
em correntes de desespero
nos episódios da vida…
daquela vida verdadeira
fecham-se
as portas
rangendonos intervalos do silêncio
ante a lágrima não escorrida
pelo peito do sofrimento
fecham-se
as portas
mas
outras se reabremdizem!…
que
as portas do amanhã
nos
proporcionemvistas verdejantes
com azuis cintilantes
e que um novo ar
mais puro
possa entrar em nossas narinas
rejuvenescendo-nos as memórias
e acicatando-nos para o futuro
a
vida é assim
plena
de altos e baixos
as
portas
essasconsoante a ferrugem das dobradiças
e dos fechos que as sustentam
vão rangendo nos seus desígnios
umas mais que outras
entreajudadas pelas janelas
que entreabertas
as vão rodeando
que
a abertura de novas portas
nos
sustentem na felicidadetanto no sentido da vida
como no silêncio da morte!...
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