quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Publicação sobre o lançamento de "Margem do Ser", em Lisboa, no quinzenári​o regionalis​ta "O Varzeense"


Foi publicado, na edição nº. 621, de 15 de Fevereiro pp, na sua página 11, no quinzenário regionalista "O Varzeense", de Vila Nova do Ceira (Góis), um texto meu sobre o lançamento do meu livro "Margem do Ser", edições Temas Originais, ilustrado com 3 fotos de Luísa Simões Martins, minha mulher.

Como podem observar verificam-se, pelo menos, dois lapsos no seu conteúdo (é o que faz não se reler atentamente o que se escreve, querendo enviar o texto, de forma rápida, para o jornal). Assim onde se lê "...entidade cultural...", deverá ler-se "...identidade cultural..." e onde está escrito "...sem qualquer dúvidas..." deveria estar, ou deverá ler-se, "...sem qualquer dúvida..." ou "...sem quaisquer dúvidas...", conforme mais gostarem e quiserem.
 
 
 
 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Além Tejo





Bailam
ternas madrugadas
nas searas do esplendor
por onde as papoilas
adormecem seu rubor.

Bailam
sonhadores luares
de tantos verões quentes
brindando com os vinhos
das castas mais salientes.

Bailam
sentidos cantes
das vozes mais sofridas
pelos fortes coros cantantes
nos caminhos de tantas vidas.

Bailam
inúmeras estrelas
no céu episódio do belo amor
abraçando vastos campos
que lhes dão o cheiro e a cor.

Bailam
múltiplas borboletas
asas princesas indiferentes
num gesto apelo à beleza
entre tantos concorrentes.

Baila
a majestosa natureza
resplendor de quantas vidas
ante o soberbo mistério
na mais sonora das cantigas.

 
António MR Martins

José Alberto Monteiro Rodrigues





Nas asas do tempo

 
Quero voar
Nas asas do tempo
Sem pressa
E amar sem prazo
Olhar e beber
De teus doces olhos
Feitos fontes
Lágrimas alegres
E meus em teus
Lábios aportarem
Quero pegar
Nas asas do tempo
Sem medir
O tempo que passa
E amar num enleio
De sabor fogoso
O lembrar dos anos
Que tem nosso amor
E digno partilhar
Em beijos amados

José Alberto Monteiro Rodrigues, in “Silêncios Contados”, página 32, Edição Paula Oz/Euedito, 2013.

paralelismos e consistências


Imagem da net, em: www.ieb.usp.br
(poema escrito por Carlos Drummond de Andrade, sob a forma
de dedicatória/homenagem)


na utopia perfeita
se emolduram todos os enfeites
da condescendência imperturbável
e na meteórica temporização
de todo o desgaste
pós ambiental
colide toda a destemperança

há uma essência fundamental
que não coabita nesta imagem
onde as vogais revogam
o sentido de todas as palavras

a força do verso escrito

 
António MR Martins

sábado, 15 de fevereiro de 2014

fragilidade de sermos


Imagem da net, em: www.comunidade.sol.pt



nesta insónia da vida
se revolta amiúde a minha existência

inculpado do nada que fiz
ante a desenfreada atribuição
num jáculo sem limites
sem quaisquer novices válidas
onde a atmosfera posterga
os condimentos receosos dos tempos

desta bravia náusea salobra
resta o acanhamento inconsistente
provido pela apetência
de tanto regalo proibido
onde os raios insolentes
devaneiam a consistência

nesta insónia perdida
vacila a incongruência do ser
num acabrunhar desesperante
onde a divisão não tem mear

nesta insónia consecutiva
o revoltante desgosto de nada acontecer
ante tanto sofrido flexionar

 
António MR Martins

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Fluidos e atritos


Imagem da net, em: www.imagensface.com.br


Nos aceiros da eminente fraude
Deslizou o rastejar de tanta voz
Entre o vento que tudo aplaude
E o delinear do caminho de nós

Tocada constante tão rudimentar
Como se fora o bater dos corações
Nas águas dos rios vem valorizar
O estreito de tamanhas emoções

Frio bravio na tacanhez ilusória
Reprimenda de toda a contestação
Onde toda forma é aleatória

Húmido bafio sem adaptação
Acolhido pela imagem memória
Que nos une na simples compreensão

 
António MR Martins

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Folhas de outono


Imagem da net, em: www.ummardesonhos.blogspot.com

Folha arqueada
Fragilidade
Nas nervuras da perfeição
Ora rastejante ora volante
Perante o vento
Na sua exígua imensidão

Folha insinuante
Deslumbramento
Pontiaguda ou redonda então
Pena tão suave
Estritamente
Móbil da invenção

Folha aureola
Displicente
No arcar da contenção
Conluio tão expressivo
Alvéolo sedutor
No mundo da imaginação

Folha película
Rastreio outonal
Leve fulgor da substituição
Cheiro da serena secura
No afago concludente
Para um qualquer chão

Folha intenso veio
Do prematuro findar
Na vida da sujeição
Irrequietude singular
Em revoltas sintonias
Na esfera da locomoção

Folha frio rescaldo
Ultimando um deslindar
No filtrar de uma estação
Do apogeu ao declínio
Veículo de um novo encontro
Numa singela decoração

 
António MR Martins

Lançamento do livro "Margem do Ser", em Lisboa, a 8 de Fevereiro de 2014

 
Na Biblioteca Municipal
Palácio das Galveias
 
Na mesa, da esquerda para a direita:
A escritora Vera Sousa Silva, que apresentou obra e autor de "Margem do Ser",
o autor, António MR Martins e o editor Pedro Baptista.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Lançamento do livro "Margem do Ser", na Biblioteca Municipal Palácio Galveias, em Lisboa, no dia 8 de Fevereiro, pelas 19H15



O autor, António MR Martins e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Margem do Ser”, a ter lugar na Biblioteca Municipal Palácio das Galveias, sita no Campo Pequeno, 53, em Lisboa, no próximo dia 8 de Fevereiro, pelas 19:15.

Obra e autor serão apresentados pela escritora Vera Sousa Silva.
 
 

Jorge Vicente





4.

 
a planície é o altar de deus
habitado pelos homens,

com a sombra do mar
pairando acima das asas.

a lágrima: caravela
que enche as águas
e as dominam no
corpo da trovoada.


Jorge Vicente, in “Hierofania dos Dedos”, página 8, edições Temas Originais, Coimbra, 2009.

Tudo e tanto mais





De ti
esperei tudo.

Nada me deste
e nada me dando
deste-me tanto.

De ti
esperei tanto.

Tanto me deste
e tanto me dando
deste-me tudo.

 
António MR Martins

Sobre o lançamento de "Margem do Ser", em Lisboa, no jornal regional "O Varzeense", edição de 30 de Janeiro de 2014, nº. 620, página 19.


 
 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

À Conversa com…



Biblioteca Municipal de Ansião promove encontro com autores


Prosseguiu a 29 de janeiro o projeto À Conversa com… da biblioteca municipal de Ansião. Trata-se de uma iniciativa mensal que se propõe proporcionar, através de conversa informal, um contato direto entre autores do concelho e elementos da comunidade ou de instituições locais. Promover o livro como fonte de conhecimento e prazer é o objetivo mais lato desta iniciativa, que visa ainda incentivar a leitura e a escrita, promover o espírito crítico e a reflexão e contribuir para o convívio e a socialização. Os públicos juvenis e sénior são os principais destinatários deste projeto. Assim, esta edição do À Conversa com… juntou o poeta António MR Martins com 12 utentes do Lar de Terceira Idade e do Centro de Atividades Ocupacionais da Santa Casa da Misericórdia de Alvorge. Uma conversa que em fevereiro e março terá como autores convidados Prates Miguel e Irene Valente.
 
Do "site" da Câmara Municipal de Ansião, publicado a 30 de Janeiro de 2014, em: http://www.cm-ansiao.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=924:a-conversa-com&catid=47:cultura&Itemid=225

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Licínia Quitério





PERCURSO

Venho de longe,
de terras pobres
caseadas de portas
com trincos de madeira.

Trago nos olhos
os microcosmos
das brasas das fogueiras.

Nos cabelos,
os cheiros da queima das ervas
a esconjurar maleitas.

No longe havia gente
que atirava palavras
à dor e à alegria
e aos bichos tresmalhados.

Para trás ficaram
as fontes e a sede dos cântaros
e a evidência da Cassiopeia
e o bailado dos vaga-lumes.
Venho guiada pelo murmúrio
de raízes subaquáticas.

Perdi o mapa das viagens
e desprezo regressos.

Aqui cheguei
para conjugar o verbo
no tempo dos meus passos.

Licínia Quitério, in “De pé sobre o silêncio”, páginas 11 e 12, edição de autor, Novembro de 2008. 

Despavimentar mórbido


Imagem na net, em: www.adivinha.blogs.sapo.pt


Não me amedrontem o sentido, só
apegado ao delinear do medo…
numa sequencial morte sem ter dó
entre a euforia e o degredo.

Na paisagem tremida, imensidão
espoliada de tantos anseios,
escolhos retirados da confusão
por entre virtudes e devaneios.

Promiscua conjuntura resistente
pelos sopros aziagos desta vida
e a sensibilidade assaz dormente.

Umbigo saliente, tez batida…
no suprir dum afago, infelizmente
quando soa a ordem da partida.

 
António MR Martins