domingo, 2 de março de 2014

Licínia Girão





Eras

Eras angústia perdida
Miséria do meu amor
Ardia em chama a saudade
do beijo que não te dei
do corpo que não toquei
Vivíamos perfilados na distância
Éramos irónicos fantasmas
Aventureiros sem aventura
Amantes sem memória

Licínia Girão, in “Porque te AMO muito!”, página 18, edição de autor, 2014.  

Sem qualquer pejo


Imagem da net, em: www.martynlloyd-jones.com


Fervilham contrastes nunca perdidos
raiar de celeumas disparatadas
e a humana-carne sem abrigos
tem as vidas por demais atrapalhadas.

Premeditadas falas incoerentes
esvair de tormentas e percalços,
além das dificuldades adjacentes
num retorno ao caminhar descalços.

Antecipa-se o prélio da morte
ante um agoniante sobreviver,
desfile da imprevisível sorte.

Alheios a todo este desvanecer
os mentores deste rude transporte
estão imbuídos em nos enlouquecer.

 
António MR Martins

sábado, 1 de março de 2014

Descontrolo de grosso modo


Imagem da net, em: www.oprevisor.blogspot.com


Sei de tantas memórias que já perdi
imagens esquecidas em recantos,
palcos observados que conheci
que se esfumaram com seus encantos.

Sei das palavras perdidas que ouvi
sílabas sonoras já rasuradas,
as metáforas que nunca percebi
e por tantas vezes enumeradas.

Brancas presas a um chão esquecido
rarefeito num inconsolável não,
abordagem no mais amplo sentido.

Linhas vazias sem qualquer sugestão
ao descarrilar do sentido proibido
onde termina a imaginação!...

 
António MR Martins

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ângelo Alves





ONDAS DE MATÉRIA

 
Não grites assim, mãe!? Levo o carroço,
O pote, o balde, a corda, o regador..
De passo estugado paro no poço
Fundo. Tronco túrgido de roedor!

Bate o balde na água fresca; o destroço
Pelas ondas. Num puxão o rigor
Desce em onda, o balde gira e endosso
Água álgida para o teu regador.

A exsudar reboco o carroço. Coço
Têmporas e assalto o “Vale Maior”.
Preparas o sulfato enquanto eu roço
As ervas das cepas… Ronca o motor.

Berras aos meus nervos fracos. Não posso
Mais! Quero a perfeição! Folha em tremor.
Quase a queda… Rumino o meu remorso…
Acabar aqui… Que o céu leve a dor.

Ângelo Alves, in “Falo Do Fundo”, página 9, edições Papiro Editora, Janeiro de 2014.

Labiríntica sementeira


Imagem da net, em: www.atnatureza.blogspot.com


Bate músculo a enxada na terra,
festival dorido da contemplação,
arremesso viril que tinge e berra…
denodo matreiro da compensação.

Semente fertilizada sem ter questão
altera moldes no tempo da espera,
recolhas dum outono, ou dum verão,
ansiadas desde cada primavera.

Nos solos se transformam as dádivas
resultantes, versus sangria humana,
nas paisagens serenas e impávidas.

Cortejar saliente da mente sana
fulgor na terra da semente grávida
entre menções que à alma profana.

António MR Martins








sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ana Casanova






(IN)SANOS

Sempre os sonhos
tão cheios de desejos impossíveis
 
Sempre as palavras, puras, nuas, densas
tentando que minh’alma chegue à tua
tão distante e inacessível…

São gestos (in)sanos
que perderam o encantamento
quando por fim, os sonhos são enterrados vivos
junto com as palavras perdidas.

 
Ana Casanova, in “Pinturas Poéticas”, página 37, edições Temas Originais, Coimbra, 2012. 

altiva breve passagem


Imagem da net, em: www.fotocommunity.es


num petrónio estar presente
se ornamentam teus perfis
desempenho tão saliente
duma critica que não fiz

palestra da segurança
na fecunda resistência
solidez versus pujança
nessa eficaz pertinência

petulante grosso modo
resistente inabalável
determinar que não podo
descampo inigualável

cômpito de sentimentos
rasura da descoberta
chamariz de alimentos
paragem demais incerta

teu gesto escalavrado
de carícias prometidas
é roteiro perfilado
na procura de guaridas

decoração pertinente
desembocar de malícia
moleza tão consistente
contrastada na perícia

escaleira infinita
rebordada noutras margens
esquecendo a desdita
buscando novas paragens

na maleita azougada
interlúdio desta vida
que se vendo desanimada
não se achou por perdida

escanifrar consentido
louvor por esta passagem
ante mundo tão perdido
terá de seguir a viagem

 
António MR Martins

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Publicação sobre o lançamento de "Margem do Ser", em Lisboa, no quinzenári​o regionalis​ta "O Varzeense"


Foi publicado, na edição nº. 621, de 15 de Fevereiro pp, na sua página 11, no quinzenário regionalista "O Varzeense", de Vila Nova do Ceira (Góis), um texto meu sobre o lançamento do meu livro "Margem do Ser", edições Temas Originais, ilustrado com 3 fotos de Luísa Simões Martins, minha mulher.

Como podem observar verificam-se, pelo menos, dois lapsos no seu conteúdo (é o que faz não se reler atentamente o que se escreve, querendo enviar o texto, de forma rápida, para o jornal). Assim onde se lê "...entidade cultural...", deverá ler-se "...identidade cultural..." e onde está escrito "...sem qualquer dúvidas..." deveria estar, ou deverá ler-se, "...sem qualquer dúvida..." ou "...sem quaisquer dúvidas...", conforme mais gostarem e quiserem.
 
 
 
 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Além Tejo





Bailam
ternas madrugadas
nas searas do esplendor
por onde as papoilas
adormecem seu rubor.

Bailam
sonhadores luares
de tantos verões quentes
brindando com os vinhos
das castas mais salientes.

Bailam
sentidos cantes
das vozes mais sofridas
pelos fortes coros cantantes
nos caminhos de tantas vidas.

Bailam
inúmeras estrelas
no céu episódio do belo amor
abraçando vastos campos
que lhes dão o cheiro e a cor.

Bailam
múltiplas borboletas
asas princesas indiferentes
num gesto apelo à beleza
entre tantos concorrentes.

Baila
a majestosa natureza
resplendor de quantas vidas
ante o soberbo mistério
na mais sonora das cantigas.

 
António MR Martins

José Alberto Monteiro Rodrigues





Nas asas do tempo

 
Quero voar
Nas asas do tempo
Sem pressa
E amar sem prazo
Olhar e beber
De teus doces olhos
Feitos fontes
Lágrimas alegres
E meus em teus
Lábios aportarem
Quero pegar
Nas asas do tempo
Sem medir
O tempo que passa
E amar num enleio
De sabor fogoso
O lembrar dos anos
Que tem nosso amor
E digno partilhar
Em beijos amados

José Alberto Monteiro Rodrigues, in “Silêncios Contados”, página 32, Edição Paula Oz/Euedito, 2013.

paralelismos e consistências


Imagem da net, em: www.ieb.usp.br
(poema escrito por Carlos Drummond de Andrade, sob a forma
de dedicatória/homenagem)


na utopia perfeita
se emolduram todos os enfeites
da condescendência imperturbável
e na meteórica temporização
de todo o desgaste
pós ambiental
colide toda a destemperança

há uma essência fundamental
que não coabita nesta imagem
onde as vogais revogam
o sentido de todas as palavras

a força do verso escrito

 
António MR Martins

sábado, 15 de fevereiro de 2014

fragilidade de sermos


Imagem da net, em: www.comunidade.sol.pt



nesta insónia da vida
se revolta amiúde a minha existência

inculpado do nada que fiz
ante a desenfreada atribuição
num jáculo sem limites
sem quaisquer novices válidas
onde a atmosfera posterga
os condimentos receosos dos tempos

desta bravia náusea salobra
resta o acanhamento inconsistente
provido pela apetência
de tanto regalo proibido
onde os raios insolentes
devaneiam a consistência

nesta insónia perdida
vacila a incongruência do ser
num acabrunhar desesperante
onde a divisão não tem mear

nesta insónia consecutiva
o revoltante desgosto de nada acontecer
ante tanto sofrido flexionar

 
António MR Martins

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Fluidos e atritos


Imagem da net, em: www.imagensface.com.br


Nos aceiros da eminente fraude
Deslizou o rastejar de tanta voz
Entre o vento que tudo aplaude
E o delinear do caminho de nós

Tocada constante tão rudimentar
Como se fora o bater dos corações
Nas águas dos rios vem valorizar
O estreito de tamanhas emoções

Frio bravio na tacanhez ilusória
Reprimenda de toda a contestação
Onde toda forma é aleatória

Húmido bafio sem adaptação
Acolhido pela imagem memória
Que nos une na simples compreensão

 
António MR Martins

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Folhas de outono


Imagem da net, em: www.ummardesonhos.blogspot.com

Folha arqueada
Fragilidade
Nas nervuras da perfeição
Ora rastejante ora volante
Perante o vento
Na sua exígua imensidão

Folha insinuante
Deslumbramento
Pontiaguda ou redonda então
Pena tão suave
Estritamente
Móbil da invenção

Folha aureola
Displicente
No arcar da contenção
Conluio tão expressivo
Alvéolo sedutor
No mundo da imaginação

Folha película
Rastreio outonal
Leve fulgor da substituição
Cheiro da serena secura
No afago concludente
Para um qualquer chão

Folha intenso veio
Do prematuro findar
Na vida da sujeição
Irrequietude singular
Em revoltas sintonias
Na esfera da locomoção

Folha frio rescaldo
Ultimando um deslindar
No filtrar de uma estação
Do apogeu ao declínio
Veículo de um novo encontro
Numa singela decoração

 
António MR Martins

Lançamento do livro "Margem do Ser", em Lisboa, a 8 de Fevereiro de 2014

 
Na Biblioteca Municipal
Palácio das Galveias
 
Na mesa, da esquerda para a direita:
A escritora Vera Sousa Silva, que apresentou obra e autor de "Margem do Ser",
o autor, António MR Martins e o editor Pedro Baptista.