quinta-feira, 13 de março de 2014

virtuosismo ou negativismo


Foto tirada no Estoril, por António Martins.



vendo expressivo lesto fulgor
entreaberto no olhar que é teu
irradiante jeito animador
paralelismo ou antídoto meu

gracioso rasgo entusiástico
candeia semi-acesa ilusão
face inventada tez de plástico
criatura indefesa alienação

polémica encerrada contenção
em tesouros de valor simulado
onde desejos são eterna negação

o desamor é perder calculado
desmentindo plena interiorização
no desfile do caminho encetado

 
António MR Martins

sexta-feira, 7 de março de 2014

Apresentação de "Margem do Ser", em Coimbra - 7 de Março

Na Casa da Escrita
 
 
Mesa de honra:
 
Da esquerda para a direita: A jornalista e escritora Licínia Girão,
que apresentou obra  e autor de "Margem do Ser", o autor
António MR Martins e Pedro Baptista (Xavier Zarco) pela
editora Temas Originais.

quarta-feira, 5 de março de 2014

"Margem do Ser" em Coimbra, dia 7 de Março



A Câmara Municipal de Coimbra e a Casa da Escrita, a editora Temas Originais e o autor, António MR Martins, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Margem do Ser”, a ter lugar na Casa da Escrita, sita na Rua Dr. João Jacinto, 8, em Coimbra, no próximo dia 7 de Março, pelas 18:00.

Obra e autor serão apresentados pela jornalista e escritora Licínia Girão.

Obs.: Casa da Escrita de Coimbra - Rua Dr. João Jacinto, nº. 8 – 3000-225 Coimbra – Telef.: 239853590.

A “pen” que já não deixo


Imagem da net.



Argila secura
Condimento solene
Tanto se acumula na minha “pen”

Vistoso recheio
Incorporação
Delicioso meio de comunicação

Esfera aziaga
Meio inverdade
Tudo se apaga e fica a saudade

Ficheiro incorpóreo
Rastreio da mente
Faculdade que assiste a cada presente

Virtude ou conceito
Pelo deslumbramento
Base intrínseca de muito alimento

Moderno afago
Dispersa atitude
Arquivo maior para tanto talude

Descentro vertiginoso
Acalento e memória
Perante o condensar para tanta história

Transporte facultativo
Gerido doutro modo
Colher generoso das vinhas que podo

Introduzir eficaz
Voraz permanência
Apetrecho valioso com enorme apetência

Agenda volátil
De mostragem infinda
Surpresa futura nos demonstrará ainda

Caminho celeste
Ou subterrâneo
Sabendo guardar mensagens do crânio

Sensatez plausível
Evolução constante
Tamanho de formiga e memória de elefante

 
António MR Martins

terça-feira, 4 de março de 2014

Natália Canais Nuno




SAUDADE ONDE ME FAÇO CAIS

Sou barca, vogando em maré-cheia
sem destino neste monótono mar…
Barca fantasma sem rumo ou ideia,
que anda à procura sem se encontrar.

Sou barca à deriva num poema lento
olhando fins de tarde buscando certeza
uma saudade imensa e nu o pensamento,
na boca beijos a que ainda estou presa.

Remoto o tempo na distância percorrida
derradeira esperança levo ingenuamente!
Não paro que o tempo me leva de vencida

navego neste mar… Onde não sou mais
nem onda, ou maré, ou sequer corrente
apenas saudade onde me faço cais…

Natália Canais Nuno, in “A Melodia do Tempo”, página 33, edições Lua de Marfim, Outubro de 2013.

Teu jeito de ser


Tagus - postal panorâmico CTT, colecção 2004, by Gonçalo Lobo Pinheiro.


Enlevo sol, tão sedutor,
raiz do meu alimento,
candeia, afago e amor…
pendor de cada momento.

De ti recebo mensagens…
luz das nossas madrugadas,
descanso entre as viagens
das palavras bem regadas.

Como uma flor
te transporto,
minha fonte jamais perdida.
Com tanto amor
me importo
na ponte da minha vida.

Te beijo na primavera
em sedução sem limites,
és a mulher mais sincera
nos valores que transmites.

És ninho, força suprema
no carinho avaliador,
sintonia do belo tema
vindo da palavra amor.

António MR Martins

segunda-feira, 3 de março de 2014

Arnaldo Saldanha Abreu





A cidade

Fazíamos arcos com ramos de eucalipto
esticados por finas cordas de nylon que roubávamos
dos fios-de-prumo.
Os cabouqueiros abriam a pulso valas que enchiam
com cascalho, cimento e areia grossa.
As casas proliferavam semana após semana.
O povoado crescia – anos mais tarde a capital transbordou
e a nossa terra aumentou-se de casas e de pessoas
e ganhou o estatuto de cidade desordenada.
Havia comércio a cada esquina e a vida acontecia muito depressa,
os homens sopravam o pó dos fatos
e as senhoras sujavam os saltos das botas de cano alto
na lama das ruas sem alcatrão.
Os cabouqueiros passaram a guiar máquinas que esventravam
a terra para se alimentarem das raízes dos pinheiros
e dos eucaliptos
e os lavradores plantavam guindastes e enxertavam-se
no cimo dos andaimes.

Foi há muito tempo.
Mas de um tempo mais antigo são as noites em que tirávamos
prumadas às estrelas
e nos dias resplandecentes de sol
tu equilibravas-te num curto vestido de renda
e em troca de um beijo
eu deixava-te desfilar com o meu chapéu de palha.

Arnaldo Saldanha Abreu, in “Transparências e outros anexos”, página 8, edições Euedito, 2014.  

definitivo (re)encontro





parto
lentamente
sem para trás olhar

oculto-me
na suja vidraça
suspensa numa velha parede

parto
sem um elaborado destino
meio intencionado
no retomar da viagem

os sons poderão diferenciar-se
e os registos confundirem-se
nesta premente fuga
ansiada por quase todos os mortais

assim parto
para um outro lugar
uma outra paragem

essa é a radical sentença

ofuscarei
de vez
todas as miragens

buscarei o reencontro
com a tua presença

para sempre

 
António MR Martins

domingo, 2 de março de 2014

Licínia Girão





Eras

Eras angústia perdida
Miséria do meu amor
Ardia em chama a saudade
do beijo que não te dei
do corpo que não toquei
Vivíamos perfilados na distância
Éramos irónicos fantasmas
Aventureiros sem aventura
Amantes sem memória

Licínia Girão, in “Porque te AMO muito!”, página 18, edição de autor, 2014.  

Sem qualquer pejo


Imagem da net, em: www.martynlloyd-jones.com


Fervilham contrastes nunca perdidos
raiar de celeumas disparatadas
e a humana-carne sem abrigos
tem as vidas por demais atrapalhadas.

Premeditadas falas incoerentes
esvair de tormentas e percalços,
além das dificuldades adjacentes
num retorno ao caminhar descalços.

Antecipa-se o prélio da morte
ante um agoniante sobreviver,
desfile da imprevisível sorte.

Alheios a todo este desvanecer
os mentores deste rude transporte
estão imbuídos em nos enlouquecer.

 
António MR Martins

sábado, 1 de março de 2014

Descontrolo de grosso modo


Imagem da net, em: www.oprevisor.blogspot.com


Sei de tantas memórias que já perdi
imagens esquecidas em recantos,
palcos observados que conheci
que se esfumaram com seus encantos.

Sei das palavras perdidas que ouvi
sílabas sonoras já rasuradas,
as metáforas que nunca percebi
e por tantas vezes enumeradas.

Brancas presas a um chão esquecido
rarefeito num inconsolável não,
abordagem no mais amplo sentido.

Linhas vazias sem qualquer sugestão
ao descarrilar do sentido proibido
onde termina a imaginação!...

 
António MR Martins

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ângelo Alves





ONDAS DE MATÉRIA

 
Não grites assim, mãe!? Levo o carroço,
O pote, o balde, a corda, o regador..
De passo estugado paro no poço
Fundo. Tronco túrgido de roedor!

Bate o balde na água fresca; o destroço
Pelas ondas. Num puxão o rigor
Desce em onda, o balde gira e endosso
Água álgida para o teu regador.

A exsudar reboco o carroço. Coço
Têmporas e assalto o “Vale Maior”.
Preparas o sulfato enquanto eu roço
As ervas das cepas… Ronca o motor.

Berras aos meus nervos fracos. Não posso
Mais! Quero a perfeição! Folha em tremor.
Quase a queda… Rumino o meu remorso…
Acabar aqui… Que o céu leve a dor.

Ângelo Alves, in “Falo Do Fundo”, página 9, edições Papiro Editora, Janeiro de 2014.

Labiríntica sementeira


Imagem da net, em: www.atnatureza.blogspot.com


Bate músculo a enxada na terra,
festival dorido da contemplação,
arremesso viril que tinge e berra…
denodo matreiro da compensação.

Semente fertilizada sem ter questão
altera moldes no tempo da espera,
recolhas dum outono, ou dum verão,
ansiadas desde cada primavera.

Nos solos se transformam as dádivas
resultantes, versus sangria humana,
nas paisagens serenas e impávidas.

Cortejar saliente da mente sana
fulgor na terra da semente grávida
entre menções que à alma profana.

António MR Martins








sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ana Casanova






(IN)SANOS

Sempre os sonhos
tão cheios de desejos impossíveis
 
Sempre as palavras, puras, nuas, densas
tentando que minh’alma chegue à tua
tão distante e inacessível…

São gestos (in)sanos
que perderam o encantamento
quando por fim, os sonhos são enterrados vivos
junto com as palavras perdidas.

 
Ana Casanova, in “Pinturas Poéticas”, página 37, edições Temas Originais, Coimbra, 2012. 

altiva breve passagem


Imagem da net, em: www.fotocommunity.es


num petrónio estar presente
se ornamentam teus perfis
desempenho tão saliente
duma critica que não fiz

palestra da segurança
na fecunda resistência
solidez versus pujança
nessa eficaz pertinência

petulante grosso modo
resistente inabalável
determinar que não podo
descampo inigualável

cômpito de sentimentos
rasura da descoberta
chamariz de alimentos
paragem demais incerta

teu gesto escalavrado
de carícias prometidas
é roteiro perfilado
na procura de guaridas

decoração pertinente
desembocar de malícia
moleza tão consistente
contrastada na perícia

escaleira infinita
rebordada noutras margens
esquecendo a desdita
buscando novas paragens

na maleita azougada
interlúdio desta vida
que se vendo desanimada
não se achou por perdida

escanifrar consentido
louvor por esta passagem
ante mundo tão perdido
terá de seguir a viagem

 
António MR Martins