quinta-feira, 5 de junho de 2014

história com amor




naufrago em teu corpo
sucumbindo ao tempo
da revolta
e da insistência do prazer

entro em tua ilha
onde abunda a resistência às marés
numa intensa sensualidade
culminada em desejos
sem paralelo

resguardo sentenças
em ecos de fragilidade
onde se acolhem anseios
pelos póros transpirados
em suas fragrâncias plenas

êxtase incontido
nas salivas cruzadas
e nos braços enlaçados
numa profusão única
ante a batida constante
de um epílogo sublime

António MR Martins

terça-feira, 3 de junho de 2014

Edgardo Xavier





Destroços

Trazia-te nos olhos o mar
que recolhi na espera
mas toda a verdade que exigias
só sangrando as palavras pude dar.

Há falas em que o céu se mata
para chegar às ruínas do amor.

Edgardo Xavier, in “Azul Como o Silêncio”, página 16, edições Chiado Editora, Maio de 2014.

Como a vida é surpreendente





Nas arestas da folhagem
Se incendeia o paradigma interventor
Que colide
Com a remessa memorial
De todos os raios solares

Existe um apelo consecutivo
Nessa cadência inquietante
Onde se estabelece o anseio
E a surpresa
De toda a novidade

Entre as folhas
Da frondosa árvore do encanto maior
Soa o desafio da vida
Pelo canto da ave que a embeleza
E perante o vento que a agita
Continuadamente

Sustentando-a
Moldando-a
E fortificando-a para vida

Nesse resistir constante
Sem receios e em sopros de felicidade

 
António MR Martins

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Paulo Nogueira





22.

Gostava de escrever para ti
que os dias fossem em função de ti
que os teus olhos iluminassem
antes do Sol nos tocar nas manhãs

Que o mar se avistasse
da nossa janela
que do exterior, fosse tudo claro
Nós, incandescentes de felizes

Que abordássemos o tempo
sem obsessões e sem preconceitos
cientes de que o livro aberto
contém apenas palavras
que só os nossos punhos creem
que só as nossas mucosas decifram

Paulo Nogueira, in “2073”, página 28, edições Lua de Marfim Editora, Março de 2014.  

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Carla Furtado Ribeiro




ACOMPANHO-TE

Acompanho-te
À beira do mar
Onde o vento esmaga
Gotas de água contra a terra
Num temporal de fúria.

Que te deu para passeares
À beira deste mar enfurecido
Quando o céu chove
Como quem chora
Em desalmada tristeza…?

Deveras, a melancolia não é uma doença…
Mas, um remédio contra a lucidez…
Sim. Contra a sobreexistência de alguns vivos…

Carla Furtado Ribeiro, in “ [ Em Silêncio ] “, página 21, edições Chiado Editora, Agosto de 2013.

Abraços





Às vezes
os abraços são fortes
que os sentimos
como se fossemos apertados
por multidões

Outras vezes
são ténues
fúteis e breves
que nem sequer
lhes sentimos
os dedos da vida


António MR Martins

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Ana Antunes





GOTAS DE ORVALHO

 
Esses olhos têm orvalho,
Gotas de tristeza sofrida,
Pétalas deslumbrantes,
Que choram e riem,
Esperança no amanhã…

Esses olhos têm orvalho,
Gotas de abraços em flor,
Arrancadas as pétalas,
Gota a gota.
Serás meu!

Maravilhoso orvalho,
Que aplacaste a sede do amor,
Coração saciado,
Sol do olhar
Pura alegria!

 
Ana Antunes, in “Corações em Silêncio”, página 56, edições Modocromia, Março, 2014.

O engate da vida


Imagem da net, em: www.mundodse.com



Ósculo fingido em corpo aversão
gesto subtil de juízo enganador,
tocar contundente meio camaleão
apego versátil assaz perturbador.

Desapego moral vil e rastejante
sobra hesitante de tanto devaneio,
encenando como simples figurante
numa sedutora frieza sem receio.

Baixo comportamento de meliante
sem escassez de carinho promissor
pela labuta profícua mas errante.

Num semear de atritos sem ter favor
indo como um cavaleiro andante
em busca do prazer sem qualquer amor.

 
António MR Martins

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Dulce Antunes





Amantes

Amante, embrenho-me em teus braços,
Soltam-se aromas,
São no ar, essências de rosas.
Corpos abraçados
Carne toca em tua pele, olhos nos olhos,
Profundo toque em tua alma.
Ouço a tua respiração
Suspiros de um amor errante,
Como corpos que se desnudam na areia,
O amor faz-se em cada momento,
Bebendo-se a última gota do cálice,
Como se teu sangue escorresse,
Pelo meu corpo.

Dulce Antunes, in “Poema em ti”, página 36, edições Temas Originais, Coimbra, 2011.

Direitos algemados


Imagem da net, em: www.pt.dreamstime.com


Esperam-se muitos passos sofridos
nas vértebras dos trilhos quebrados,
entre as dores dos anseios cumpridos
na réstia de direitos restaurados.

Neste padecer contínuo e agreste
esfumam-se tantos risos felizes,
no mórbido castrar que nos reveste
saudades de quando fomos petizes.

Perduram as medalhas de quase nada
insólito espólio sem ter sabor
da vida corrida… agora parada.

Seca a verde esperança com dor
na rasura da solidão ventilada
onde se reprimem justiça e amor.

António MR Martins

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Teresa Teixeira





AINDA HÁ POUCO ERA TANTO…

Era tanto nesse tempo
o pouco que me chegava
em bicos de rires miúdos
à minha boca.

Era encanto e era louco
o sonho que me bastava
por ser-me tudo.

Era pouco e no entanto
era o que tinha de meu
-
agora por desencanto
só tenho o que deus me deu.

Teresa Teixeira, in “Voo Livre”, página 14, edições Versbrava, Abril, 2014.  

A razão que ninguém tem


Imagem da net, em: www.herencia.net


Quando o pouco dinheiro não chega
Para os alimentos na simples mesa,
Nada nesse lapidado lar sossega
E no seu interior cresce tristeza.

Da pele os poros sós vão secando
E os fixos olhares ficam turvos,
Por ali os avós se vão finando
Perante o tempo dos dias curvos.

Não há luz que alumie a pobre mente
No desespero de tanta pobreza,
O futuro permanece pendente
E o amanhã é uma incerteza.

O ar torna exíguo tanto espaço
E toda a espera deixa de ter valor,
Na mesa do pão já não há pedaço
E mais que esquecido ficou o amor.

 
António MR Martins

PARA QUEM QUISER ADQUIRIR O MEU NOVO LIVRO “MARGEM DO SER”



Se estiver interessado(a) em adquirir o meu novo livro de poesia “Margem do Ser”, edições Temas Originais, poderá fazê-lo procedendo à transferência bancária do valor (conforme opção em baixo indicada) e indicando-me a morada para onde o livro deverá ser enviado (para o meu email: antonio.martins1955@gmail.com ou por mensagem na minha página do facebook). “Margem do Ser” seguirá pelo correio, após recepção da inerente transferência.

Para o Continente e Ilhas (€ 10,00, dez euros):

NIB: 003501000002979210066 (Caixa Geral de Depósitos).

Para o estrangeiro (€ 12,00, doze euros):

IBAN: PT50003501000002979210066 (Caixa Geral de Depósitos), BIC: CGDIPTPL.

Desde já, agradeço a sua atenção. Meu abraço.

António MR Martins

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Olívia Santos





REINO DO MEU VENTRE

Nesta minha louca e alucinada
ideia de te ter
arrasto-te pelas margens do poema
como se fosses nardo
cardo
como se fosses a única pétala,
rara
cara
que pode completar a minha flor de lótus
como se fosses
a rara e cara
tiara
que faz de mim Rainha
para te escolher como Rei do reino do meu ventre.

Olívia Santos, in “Tudo”, página 44, edições Lua de Marfim Editora, Fevereiro de 2014.

Exultação simples à vida


Imagem da net, em: sementesdasestrelas.blogspot.com



E o cântico soou mais forte, mas sem provocar
irritação como de ruído se tratasse… qual clamor?
As vozes sempre enobrecem quem as faz entoar,
desde que o sentido seja o da partilha do seu valor.
E como nos transmitem a acalmia que escasseava,
pelo pranto alucinante desta destemperada vida,
onde um atropelar contínuo, sem olhar a meios,
supera todos os encantos que a vivência pode dar.
Por entre fugas a esse desiderato, uma voz canta só,
melodia abrangente cantada pelos seus belos meios,
embora se note toldada a uma coexistência sofrida.
Percebe-se no seu ritmo o seu percurso sem receios,
já que um dia o seu mentor se finará em simples pó!...


António MR Martins