sábado, 25 de julho de 2015

Lita Lisboa





TELA VIVA

Não amordaço as mãos,
deixo que falem,
quando na tela branca
elas deslizam.
Solta-se a cor e o pincel,
é a força das artérias
que matizam.

Em murmúrios
apagam-se os abismos
arde o fogo
em alquimia azul,
na tela alva.
As imagens, da sombra são despidas.
Visto-as com auréolas de liberdade.

E de repente
contemplo o nascimento…
E é luz, é luar
é dia que amanhece
é jarra florida
é mar que encapela
é colina que floresce.
E do nada, fez-se sonho
e o sonho criou vida.

Missão cumprida!

Lita Lisboa, in “Crepúsculo”, página 34, edições Temas Originais, 2012.

Mudança repentina


Imagem da net, em: www.solonaescola.blogspot.com



Há uma onda de rigor
onde imperam as certezas
no interior do teu olhar,
é essa a impregnada maré
em que consiste a firmeza
da razão do teu ser.

Umas vezes apaziguas
outras feres,
intensamente,
da forma mais rude e dolorosa.

Mas haverá um outro momento
em que as tenazes do pensamento
modificarão todos os conceitos.

 
António MR Martins

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Lançamento do meu novo livro "De Soslaio", no passado sábado, dia 18 de Julho, na Casa da Covilhã, sita na Rua do Benformoso, 150 - 1º B, em Lisboa


Foi no passado sábado, dia 18 de Julho, que aconteceu na Casa da Covilhã, na Rua do Benformoso, 150 - 1º B, em Lisboa, a sessão de lançamento do meu novo livro "De Soslaio", que não é bem de poesia. Perante uma moldura humana bem agradável a tarde passou-se ante emoções, sentimentos e muita alegria. O livro e autor foram apresentados pelo prof. Carlos Fernandes, que foi professor do autor aquando da sua frequência no Curso Geral de Comércio (já extinto), de nível secundário, na Escola Comercial Patrício Prazeres (assim era denominada na altura). Gonçalo Lobo Pinheiro (filho do autor), fotojornalista, jornalista e poeta, teceu algumas palavras sobre o autor, nas mais variadas vertentes, não esquecendo a sua posição de filho do autor. Foram momentos únicos. Após a sessão de autógrafos, no final das devidas apresentações, ocorreu um ligeiro lanche numa gentileza da Casa da Covilhã e de seus representantes. Só posso estar grato por tudo o que por ali se passou.
 
A mesa de honra
 
Da esquerda para a direita: Prof. Carlos Fernandes, António MR Martins e
Gonçalo Lobo Pinheiro.
 
O professor Carlos Fernandes no uso da palavra.
 
Gonçalo Lobo Pinheiro fala sobre o autor.
 
António MR Martins fala do seu novo livro "De Soslaio".
 
Um pormenor da sala.
 
Outro pormenor da sala.
 
A venda de livros a cargo de  Luísa Maria Simões Martins.
 
O momento para autógrafos.
 
 
Fotos com amigos:
 
Com Gonçalo Lobo Pinheiro e Dina Aguiar.
 
Com Dina Aguiar e Alexandre Carvalho.
 
Com Luísa Maria Simões Martins, Rosarinho Conceição e Alberto Conceição.
 
Com Leonel Pintassilgo.
 
Com Lita Lisboa e Jaime Lopes.
 
Com Gonçalo Lobo Pinheiro e Aiste Ambrazeviciute.
 
Com Maria Antonieta Oliveira e Victor Oliveira.
 
 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Lançamento do meu livro "De Soslaio", na Casa da Covilhã, dia 18 de Julho, pelas 16 horas



A Casa da Covilhã, o autor, António MR Martins, e a Temas Originais têm o prazer de o(a) convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “De Soslaio”, a ter lugar na Casa da Covilhã sita na Rua do Benformoso, 150, 1.º B (junto ao Martim Moniz), em Lisboa, no próximo dia 18 de Julho, pelas 16:00.

Obra e autor serão apresentados pelo Prof. Carlos Fernandes e pelo fotojornalista, jornalista e poeta Gonçalo Lobo Pinheiro.


Vítor Cintra





OBSESSÃO

Pedisse o mundo inteiro eu lho daria,
Por muito que isso fosse inconsistente;
Em nós era tão grande a empatia
Que nem o pensar era diferente.

Vivendo em dependência doentia,
Aquela paixão louca, permanente,
Sem ver, à nossa volta, se existia
Qualquer razão de vida mais premente…

Servido, num delírio, cada dia,
O mundo do futuro era o presente,
Sem ver, no amanhã, mais garantia
Que a chama intensa desse amor ardente.

Até se consumar, nos consumia
O corpo e alma, a vida e a própria mente.

Vítor Cintra, in “Ao Acaso”, página 33, edições Lua de Marfim, Março de 2015.

Boas e rápidas melhoras, amigo Vítor!... Forte abraço!

Por entre raízes e frutos ou princípio(s) e afins


Imagem da net, em: www.infoescola.com



Ai este medo inventado de mim
que saqueia dias à vida
e fornece anos à morte,
inadvertidamente.

Ai esta força esmifrada assim
que é também matriz de um povo…
desde o seu princípio ao seu fim,
paulatinamente.

Ai este descompensado esforço
entre os meandros de tanta vida…
desde o nascer até ao morrer,
ingloriamente.

Ai que sinfonia tamanha e dorida
raiz de um qualquer fundamento…
hino doutra linhagem perdida
e fruto de tanto alimento!...

Ai grito potente, em alta voz,
de tantas regiões esquecidas,
onde nasceram nossos avós,
que tanto deram e tanto acrescentaram
para um sentido forte, nacional,
de um território que é Portugal.

Forjar invenções relevantes
desde as histórias dos navegantes
e outros cavaleiros andantes…
são enredos de agora e dantes.
 
Retalhos, imensos, da grandeza de um povo…

“…e um Sampaio, ferreiro de Montemor-o-Velho
forjou as âncoras…” *

 
António MR Martins

*
in MOURÃO, Gerardo Mello – Invenção do Mar, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1998, p. 38.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Eugénio de Andrade





[Assim começa este verão]

    Assim começa este verão:
     Lá para o fim ao entardecer havia certamente aquelas
mulheres muito juntas todas sentadas no largo rente ao muro
riam falavam e riam como coisa sua uma delas pensava num
caralho que vira muito teso nessa tarde não vivia de flores
enorme talvez fosse de animal riam sentadas um homem pas-
sava o riso é maior olhou de soslaio e logo a mais nova a que
pensava no animal ou no homem tanto monta o riso crescia
o caralho também.

Eugénio de Andrade (1923-2005), in “Limiar dos Pássaros”
(Verão sobre o corpo), página 46, edições Assírio & Alvim,
Outubro de 2014.

sábado, 4 de julho de 2015

Raquel rodrigues





O BEIJO

O beijo que não te dei
Em mim guardei…
Procuro encontrar-te
Por entre as pétalas
Que beijam a lua
Na cadência das estrelas
Que vão beijar o mar
Então beijar-te-ei
Essa boca botão
Em flor
Um beijo com sabor
Ao perfume
Da tua boca liberto.

Raquel rodrigues, in “O Silêncio que Fala”, página 56, edições Chiado Editora, Dezembro, 2013.

O beijo que ainda te não dei





Imagem da net, em: www.mundodastribos.com



Esse teu sorriso
como que se desprende de ti,
despoletando amoras
às bandejas de cada olhar.

Esse teu olhar
como se fixa na imensidão.
Para onde os pássaros partem
com saudades de ficar.

Esse teu simples jeito
brilha intenso e resplandecente,
nos beirais onde adormecem
os sonhos de tanta gente.

Essa palavra tua
que dizes a cada silêncio…
me faz taramelar de imprecisão
num infinito cobiçar.

Nada supera a distância
numa lonjura por desbravar,
tão perto e com tal ânsia
por de novo te beijar.

António MR Martins

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Teresa Teixeira





VINDIMA

Vinhas…
e as uvas tensas do mosto
quente,
maduras ao toque intenso
nosso,
e o vinho que escorria
doce,
sagrava de mel a cama
rubra
dos lençóis que desfolhavas
na apanha…

Teresa Teixeira, in “Da serena idade das coisas”, página 29, edições Temas Originais, 2012.

A escola da saudade


Foto da Escola do Ensino Básico da Praça das Novas Nações
(antiga Praça do Ultramar), em Lisboa, onde tirei a  antiga Instrução Primária.
Também o meu filho andou nesta escola.  Foto de António Martins


Já não é o suporte de outrora
a escola vivida neste presente,
recordação que jamais se demora
na memória do mais inteligente.

Hoje tentam agredir professores
nos conceitos invulgares de lições,
tantos se revelam futuros doutores
entre pares e ímpares numerações.

A matemática feita doutro teor
com muitas pontas dispersas por favor
e já não se pode cantar tabuada.

Pela escrita tanto se altera
neste acordo, uma outra quimera…
e para os erros já não há reguada.

António MR Martins

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Edite Pinheiro




VOA

Não te aquietes nesse teu viver,
encontra-te no teu profundo ser.
Os bagos que te saciaram
ao esquecimento de ti arrastaram.

Tu, és a arte que nas veias loa,
és música que no tempo soa.
Tu, és a rainha das aves, voa!

Cumpre a tua fiel natureza,
assume a tua precisa grandeza.
Liberta-te nesse imenso mar,
adeja e vive o teu sonho ao luar.

Sai do permissivo labirinto de véus
- voa! Eleva-te no azul dos céus.

 
Edite Pinheiro, in “do ousar ao caos do medo”, página 242, edição de autor, 2014. 

Mãos que esperam



Imagem da net, em: www.igrejabatistanet.com.br



Havia duas certas mãos esperando
o tempo aguardado da chegada,
nessa espera iam compensando
o anseio de uma certeza parada.

Sabiam que o tempo lesto passava
e por tudo, e tanto mais, ansiavam…
nos interlúdios o gesto se moldava
pelo modo em que te acariciavam.

Temiam ter de retalhar os segundos,
os minutos e os pedaços profundos
que atrapalhavam tanta ansiedade.

Seus trejeitos os dedos gesticulavam
e as palmas os teus jeitos decoravam
na simples espera da felicidade!...

 
António MR Martins
 
 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Rogério Martins Simões (Romasi)





Sonho de um velho novo

Todos os povos querem a paz.
Todo o ser anseia ser feliz.
Poeta sonhador, ainda rapaz,
Trazia na lapela a flor-de-lis.

Que marcas tingiram a tua flor?
Que mudou, em ti, velho poeta?
Amar por amar não é amor!
Correr por correr não se atinge a meta!

Pois se dar é não olhar a quem,
Agindo bem, e não se conforma.
Tentar por tentar não se faz bem:
Só quem dá, em vida, se transforma!

Tentei,
Tornei a sonhar
E, por certo, voltarei
Para, e novo, voltar a errar!

20-07-2005

Rogério Martins Simões (Romasi), in “Golpe de Asa no Sequeiro”, página 124, edições Chiado Editora, Maio, 2014.

Lisboa sempre viva


Imagem na net, em: www.digitalblue.blogs.sapo.pt


Vivem em ti, séculos de História
espalhados pelas sete colinas,
versos infinitos de tanta memória
cantados ao vivo, nas tuas esquinas.

O Tejo, com ternura te aconchega
perante atento olhar do Cristo-Rei,
onde cada barco parte e chega
entre tantas histórias que não contei.

Em Junho os festejos populares
assumem uma relevante condição,
desde o fado, a sardinha e o pão.

Emergem as lembranças seculares
alegria na rua, a fé em procissão…
dos manjericos aos santos devoção.

 
António MR Martins