terça-feira, 29 de setembro de 2015

Fátima Guimarães








Não, não quero ser musa, nem ninfa, nem sereia.
Não quero ser palavra calada
nem sonho à margem do desejo.

Quero ser em ti mulher inteira,
aquecer a alvura fria dos lençóis.
Quero ser em ti o sol
duma amena tarde de outono.

Quero-te antes que os sonhos morram,
antes que hibernem em si mesmos.
Quero-te, agora, ao entardecer,
na urgência de quem teme não amanhecer.

Fátima Guimarães, in “a voz do nó”, página 58, edição de autor, Novembro de 2014. 

Versos da vida





Rente à fala do teu fixo olhar
surpreendem-nos pedaços primaveris,
reflexo nó em que tento mergulhar
nos desígnios dum tempo, por seus carris.

Folhagem inquieta solta ao vento
emana dos sentidos vindos de ti,
num afagar de dor que tanto tento
apaziguar, num abraço feito aqui.

Revoltas marés, jamais domesticadas,
se estendem nas areias desbravadas
acalentando tantos prantos de sonhos.

Ficam as réstias salpicando fragor
na maresia suspirante-incolor
entre versos alegres ou medonhos.

António MR Martins

sábado, 26 de setembro de 2015

Apresentação de "De Soslaio", em Coimbra


Casa da Escrita
 
Sexta-Feira, 25 de Setembro de 2015
 
A montra de livros.

A mesa de Honra. Da esquerda para a direita: A poetisa
Jessica Neves, que apresentou obra e autor de "De Soslaio",
o autor António MR Martins e
Pedro Baptista, editor pela Temas Originais.
 
Pedro Baptista dá início à sessão.
 
Jessica Neves faz a apresentação da obra.
 
A palavra ao autor.
 
Jessica Neves e António MR Martins.
 
Luísa Maria Simões Martins, Jessica Neves e António MR Martins.
 
Álvaro Alves de Faria e António MR Martins.
 
Um autógrafo para o poeta brasileiro Álvaro Alves de Faria.
 
 
 
 
 
 
 


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Apresentação do meu novo livro "De Soslaio", em Coimbra, no dia 25 de Setembro de 2015, às 18 horas, na Casa da Escrita



A Câmara Municipal de Coimbra e a Casa da Escrita, a editora Temas Originais e o autor, António MR Martins, têm o prazer de o(a) convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “De Soslaio”, a ter lugar na Casa da Escrita, sita na Rua Dr. João Jacinto, 8, em Coimbra, no próximo dia 25 de Setembro, pelas 18:00.

Obra e autor serão apresentados pela poetisa Jessica Neves.
 
 

sábado, 12 de setembro de 2015

Paulo Nogueira






XX

Todos os caminhos são ilusões
E todas as ilusões são caminhos
Possibilidades de ir a todos os mundos
Mesmo àqueles para os quais, não há tempo

Todos os destinos são ilusões
Desvarios concretos de fantasias finais
Entremeios de felicidades profundas
Todas! Mesmo aquelas, estranhamente, verídicas

E todos os mitos são ilusões
Pedaços de real polvilhados de fantástico
Pequenos rasgos do vivido e do sonhado
Todos… Pedaços de todo e, do todo, pedaços

Paulo Nogueira, in “Comércio de Ilusões”, página 24, edições Lua de Marfim, Edição Especial Numerada e Limitada 024/100, Abril de 2015. 

Extremidades aniquiladoras


Imagem da net, em: www.libertar.in



Prendem-se-me os braços,
doridos do flagelo da sorte inexistente,
inseguros do rastreio abominável
da consumação.

Atormentam-me as vozes,
inaudíveis a preceito,
que extrapolam disseminações maliciosas
reveladoras de incoerências
e catalisadoras da (in)conformação.

Arrepiam-se-me as vértebras
das reticências de um futuro amargo,
amorfo e repelente,
que nos é incendiado pelas mentes fechadas
e restauradas
para nos cativarem o desalento.

Aprisionam-me a capacidade
de me sobrepor aos devaneios
desta política mundial,
da finança, da corrupção, da repressão,
da deturpação, da anomalia psíquica (trabalhada),
do encobrimento, da falácia, da crença maldita,
da exploração, do facciosismo, da omissão,
da mesquinhez
e de tanta profusão caótica atropeladora,
que na vida nos faz escassear
o simples direito ao alimento.

António MR Martins

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Emanuel Lomelino





Desabafo

Imagino o teu rosto sorridente
claro como o Sol do meio-dia
fantasio nesta minha fantasia
o meu âmago sempre carente.

Ilusório é esse sorriso luzente
bem real era como eu o queria
mas não sei como fazer magia
e dar à vida um tom diferente.

Sei que vives no alto do monte
bebes amor de uma outra fonte
tua sede há muito foi saciada.

A ti, não consigo chegar perto
nem do amor por ti me liberto
ficaste com tudo, eu com nada.

Emanuel Lomelino, in “Impulsações”, página 25, edições Chiado Editora, Dezembro, 2014.

 

Valiosa claridade


Imagem da net, em: www.ultradownloads.com.br



A luz é ímpar conforto da visão
plenitude na abertura do meio,
por onde se desenraíza a razão
entre a lucidez e um devaneio.

É luminoso radar da mente
filtro puro no delinear da vida,
artifício de acesso prudente
que aviva a metáfora perdida.

Brilhante expressar de modo natural
abundante complemento sem igual
que desventra os segredos da noite.

Descansado folgar do doce olhar
mola consistente de cada despertar
onde à fuga não há quem se afoite.

António MR Martins

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Eduardo Roseira




Almofada
 
desejo,
mais uma vez,
a tua face
que já não beijo.
é nela
que suavemente
encosto
a almofada
do leito
em que já não me deito,
e num momento
de nada,
com gosto,
a aperto
contra o teu rosto
até te tirar a vida
num lento
e louco
sufoco…

 
Eduardo Roseira, in “Manual de Instintos Assassinos”, obra ilustrada com desenhos de Lúcio S. O. de Jesus, página 23, edições Versbrava, Maio 2015.
 

Obs.: A forte poética de Eduardo Roseira, que se apresenta no excelente conteúdo desta obra, expõe-se segundo a mente perversa do assassino e de cada sentido próprio do executante criminoso, intrínseco a cada consumado crime. Pela visão do poeta que já lidou com inúmeros casos destes, numa sua antiga actividade profissional.   

Escape sem retorno





Faltam razões para cumprir o degredo
flagelo permanente da conveniência,
desrespeito do ultimado segredo
que aperta a plena consistência.

Enredos proibidos provêm das fontes
espontânea solidez da envolvência,
onde são gizados pormenores a “montes”
derivando, daí, grave consequência.

Suspendem conjecturas assaz modernas
perante tantas malícias externas,
que, de todo, não espelham verdade.

Emprenham recados e ordens pendentes
bajulam alguns dos inteligentes
e contrariam o valor da liberdade.

António MR Martins

Apresentação do meu novo livro "De Soslaio", em Ansião, no dia 9 de Agosto


Foi no início da tarde de domingo, dia 9, a apresentação do meu novo livro "De Soslaio", edições Temas Originais, no Auditório Municipal de Ansião, no âmbito das Festas do Concelho 2015. 
 
Aconteceu uma sessão repleta de emoções.
Uma tarde inesquecível!...
 
A projecção virtual que promoveu a sessão de apresentação
 de "De Soslaio".
 
A mesa de honra.

 Da esquerda para a direita: Dr.ª Célia Freire, Vice-Presidente da Câmara
Municipal de Ansião, que coordenou e orientou a sessão de apresentação
 de "De Soslaio", de António MR Martins, Sílvia Ferrete, que leu três textos
 da obra em apresentação, António MR Martins, o autor, Dr. Rui Rocha,
 Presidente do Município Ansianense, Dr.ª Carla Furtado Ribeiro,
 que apresentou obra e autor de "De Soslaio" e Pedro Baptista,
 editor, pela Temas Originais.
 
Pedro Baptista tece algumas palavras sobre "De Soslaio".
 
Sílvia Ferrete lê um dos três textos de "De Soslaio",
por si revelados à plateia.
 
Carla Furtado Ribeiro faz a apresentação de obra e autor de "De Soslaio",
com uma excelente abordagem e superior enquadramento.
Grato por este magistral momento!...
 
Dr. Rui Rocha, Presidente da Câmara Municipal de Ansião,
tece algumas palavras sobre a sessão, o livro e seu autor e o papel
 do Município, no sentido de acompanhar, divulgar a acarinhar,
 os autores da região e a cultura, generalizadamente.
 
A vez de António MR Martins apresentar os seus agradecimentos.
 
Um aspecto da plateia.
 
Finalmente... o autógrafo!...
 
 

domingo, 2 de agosto de 2015

Apresentação do meu novo livro "De Soslaio", em Ansião, no dia 9 de Agosto, pelas 15 horas



O Presidente da Câmara Municipal de Ansião, Dr. Rui Alexandre Novo e Rocha, o autor, António MR Martins e a Temas Originais têm o prazer de o(a) convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “De Soslaio”, no âmbito das Festas do Concelho 2015, a ter lugar no Auditório da Câmara Municipal, sito na Praça do Município, em Ansião, no próximo dia 9 de Agosto, pelas 15:00.

 
Obra e autor serão apresentados pela poetisa Carla Furtado Ribeiro e contará com a leitura de textos da obra por Sílvia Ferrete.

António Gedeão





23

Poema do lençol sobre o corpo

Nesta absurda e constante primavera
de Janeiro a Dezembro remoçada
em outros insurrectos novos olhos,
outras mãos, outros dentes, outros sexos,
neste mover do corpo que a semente
na urna sequiosa deposita,
no facho olímpico, vitorioso e ardente,
eixo real do mundo em cujo torno
os dias e as noites acontecem,
morrem os homens um a um contados,
ressuscitam os homens no conjunto.

Com gesto lento e sábio, os dedos, como pássaros,
soerguem um lençol.
Ei-la, a mansidão vulcânica da carne,
o tumulto sereno das entranhas,
a chispa do olhar por entre as pálpebras,
pé ante pé, subrepticiamente.
Geografia da carne esculpida em relevo,
as colinas dos seios, a planície do ventre,
as enseadas do amor onde os sonhos se abrigam.
Ei-la estendida e pronta a continuar a vida,
as pernas entreabertas, os lábios implorando,
sem palavras, o néctar estimulante.

Sobre o corpo o lençol, estendido como um véu,
molemente define os limites da carne.
São marcos miliários os peitos levantados
na estepe onde a memória pastoreia.
Pernas hirtas que nada já separam,
as colunas do templo derrubadas,
pressentem-se, e os joelhos se adivinham.
Seguem-se os pés agrestes no termo da figura.
Ali termina o ser abruptamente
como num promontório a terra acaba.

António Gedeão (1906-1997), in “Poemas Póstumos”, páginas 91, 92 e 93, Edições João Sá da Costa, Lda., colecção “poética”, 5.ª edição, 2000.      

sábado, 25 de julho de 2015

Lita Lisboa





TELA VIVA

Não amordaço as mãos,
deixo que falem,
quando na tela branca
elas deslizam.
Solta-se a cor e o pincel,
é a força das artérias
que matizam.

Em murmúrios
apagam-se os abismos
arde o fogo
em alquimia azul,
na tela alva.
As imagens, da sombra são despidas.
Visto-as com auréolas de liberdade.

E de repente
contemplo o nascimento…
E é luz, é luar
é dia que amanhece
é jarra florida
é mar que encapela
é colina que floresce.
E do nada, fez-se sonho
e o sonho criou vida.

Missão cumprida!

Lita Lisboa, in “Crepúsculo”, página 34, edições Temas Originais, 2012.

Mudança repentina


Imagem da net, em: www.solonaescola.blogspot.com



Há uma onda de rigor
onde imperam as certezas
no interior do teu olhar,
é essa a impregnada maré
em que consiste a firmeza
da razão do teu ser.

Umas vezes apaziguas
outras feres,
intensamente,
da forma mais rude e dolorosa.

Mas haverá um outro momento
em que as tenazes do pensamento
modificarão todos os conceitos.

 
António MR Martins