sexta-feira, 24 de abril de 2026

 

Foto de António MR Martins



Abril ainda mora aqui
 
Ávidos campos de tantos tormentos
onde sangram tantas águas
na profundeza de seus solos
até à tona do seu manto.
 
Raízes que apodrecem destinos 
vazios da esperança esquecida
que cravos vermelhos floriram
há cinquenta e dois anos de um Abril
e hoje tantos malham nesse atributo.
 
As palavras soltam-se em devaneios
exprimidas em quaisquer contextos
e a Liberdade vai-se tolhendo
perante as mensagens do descrédito
que usurpam os sentires da crença
e o sentido da felicidade.
 
Que se levantem os fortes
puros da mente sempre liberta
e nos encaminhem os passos
a cada manhã que desperta
omitindo tanto louco
traçando estratégias para o seu ego
que quase tudo nos renegam.
 
Que esses fortes o sejam mesmo
e levantem outras similares mentes
para colherem o bem-estar para sempre
enraizando e exultando a Liberdade!
 
 
António MR Martins
(Abril 2026)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

 

                                                     Zona Verde, Ansião, por António MR Martins




Olhar Ansião
 
Observam-se os cantos da vila
e todos os espaços que a circundam
as árvores assumem gestos
a cada balada do vento que passa
e os transeuntes vão olhando para o infinito.
 
O meu suporte é a máquina fotográfica
e com ela foco a riqueza que me rodeia
com o sobressalto do sentir
que este lugar evoca.
 
Sinto o campo em seu redor
as aves que a cruzam em liberdade
as borboletas que no outono já existem
as águas do Nabão
que a ‘Kristin’ fez superar seu leito
como nunca.
 
Tanta árvore caiu, tanta telha voou
tanta lágrima vertida
tudo foi pavoroso e inesquecível.
 
Ao de leve cada sopro do vento
traz à memória esse dia de Janeiro.
 
Trago comigo a câmara
e nesta terra clico num segundo
se me aprouver
com sentir, com olhar
com a minha imaginação
ou subitamente
sem pensar.
 
 
António MR Martins

sábado, 21 de março de 2026

 
                                      Borboleta pousando na flor, My Son, Vietname, por António MR Martins



A “Alberto Caeiro” – Fernando Pessoa
 
 
 
“Quando vier a Primavera
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira…”
 
Alberto Caeiro
 
 
 
Pretexto
 
Queimem o chão desta terra
onde não possa brotar
a verde esperança
onde as raízes sucumbam
à aridez dum subsolo
sem o porvir da ínfima vida.
 
Mas passa o tempo
e tudo se altera…
as flores e as plantas
voltam de novo
nem que seja por efeméride
ou que lhes envolva
a secura no crescimento:
 
-“Na natureza nada se cria
tudo se transforma!...”
 
Até ver!


António MR Martins