sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A razão do tempo...

O tempo!!! O que é o tempo?
Será que é eternidade,
ou apenas um momento
pequeno sem ter idade...

O tempo é como o vento,
passa em sua velocidade...
Para quem não estiver atento,
se perde na imensidade...

São momentos sucessivos,
de modéstia ou de vaidade,
de dor ou de felicidade...

Sentimentos permissivos,
que em sua sucessão
fazem do tempo a razão...

António Boavida Pinheiro

in livro "Poemas ao correr da pena...", edições Temas Originais

beirais

o grão
que a asa
culmina
se vislumbra
na ave

cantada pelo bico
a melodia
temperadora

um cismar
esvoaçante
que nesse voar
se grave

num voo
sem adoçante

António MR Martins

imagem in http://www.barrento.com/ (Andorinha-dos-beirais), na net

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Heth

Jerusalém despida,
a prostituta que serve e suspira,

é desprezada pelos que a honraram
com as mãos lúbricas
e públicas carícias.

Abre as coxas cidade instável!
Que o aloendro arome e o mel escorra
em todos os que te tocam.

Jacob Kruz

in livro "Breviário Lamentoso", edições Temas Originais

helicópteros

pela hélice
do helicóptero
se desvanece o perdido

voam os desperdícios
pela aterragem soberba

as aves
se afastam
num assustado voo

todo
o resto fica
em permanência

ao levantar voo
sucede o inverso

mas nada fica
como antes

António MR Martins

imagem in http://galeria.wintech.com.pt/ (na net)

Flores do Silêncio

Diante de tantos silêncios
Brotou no meio do meu peito
Um pé fresco de saudades
Semeado de um verso mudo
Que sem querer você plantou...

Na ausência de poemas
Aproveitei as lágrimas
Com elas molhei a argila
Fiz uma coroa marrom
Para as flores das saudades.

Betha M. Costa

Inalcançável espera

Há um pedaço de mim,
perdido na amargura do quotidiano.

Um estado de não sentir…
os traumas que me invadem o ânimo.

Há a razão que não se entende
neste intrépido reboliço do meditar.

Um raiar diferente, do comum,
neste desconsolo tornado tão presente.

Há um ponto de luz…
do qual não encontro o paradeiro.

Um passo jamais dado,
na paragem de todos os sentidos.

Há a esperança!… A esperança?…
mas essa há sempre…
na existência de cada ser humano.

Só que,
muitas vezes,
não se consegue alcançar!...


António MR Martins

imagem in WestEnd61, RF Royalty Free, na net

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

FRAGMENTOS DE MIM - A MENDIGA

A MENDIGA

Me entristeceu,
Aquela linda rapariga
Que hoje vi, feita mendiga
Pedindo esmola em plena rua.
Tão jovem, talvez pura...
Teve sonhos, certamente
E agora sua vida é tão nua!
O que aconteceu à sorte sua
Que à lama foi arremessada,
E sem saber, tão malfadada ?
A sua luz agora é um deserto,
A cama, o canto escuro que estiver mais perto,
O único calor que recebe, é o da lua...
Na vida não terá nada mais certo,
Senão a negra sina,
Cuja dôr não se atenua !

Lita Lisboa

domingo, 10 de outubro de 2010

Um meu poema publicado no jornal macaense (emitido em língua portuguesa) "Hoje Macau"

Este poema foi publicado no jornal diário "Hoje Macau", oriundo do território de Macau (China), na sua edição de 6 de de Outubro de 2010, nº. 2223, na sua rubrica Raio [X], página 13.
Enviei três dos meus poemas, por mail, ao jornal com esse propósito e responderam-me, pela mesma via (na véspera), que este iria ser publicado e os restantes ficavam agendados, para o mesmo efeito.
Foi um prazer enorme, até porque este jornal é onde o meu filho, Gonçalo Lobo Pinheiro, está a trabalhar e ele não tinha conhecimento desta minha acção. Só depois da informação do redactor em questão, lhe dei a informação. Facto que ele muito gostou.
Resta indicar que houve um pequeno lapso na transcrição do título (nome) do poema, que é "Viver a vida morrendo de amor", mas não faz mal. Foi um bom momento no meio das tristezas que amiúde vão surgindo.
Quer se queira, ou não, é uma internacionalização.
Fica aqui o respectivo registo.  




sábado, 9 de outubro de 2010

Canto

Canto o amor com sílabas de sol.
Deixo que o som das palavras de misture com as notas da pauta da vida e canto em conjunto com as estrelas.
Canto o brilho da saudade que ignora a razão mas aperta o meu coração e deixa livre a minha dor de te ver partir.
Deixo que os teus braços permaneçam presos á minha ilusão e canto o nosso amor para não te ver fugir.
Não amor não fujas, porque eu canto o teu rosto que sinto suave colado ao meu porque eu deixo pintar o segredo que a nossa Lua escondeu.

Canto ao Mundo este amor profundo,
Canto em silêncio este amor ao Mundo.
Deixo os teus olhos serem testemunhas da minha boca, Deixo o teu respirar ser o meu arfar. Por isso te canto, por ti suspiro, por isso te quero, por ti eu sinto, por isso te escrevo, porque te pinto, por isso aprendo, para isso sofro, por isso choro porque te observo, por isso te adoro, por isso fecho os olhos e me deixo ser só para ti.

Canto de ti para ti e sobre ti.
Canto para te fazer feliz, canto para te despertar, para te acordar, para te amar porque me fazes sonhar, canto só para te dizer que me fazes feliz.

Ana Lopes

ESTA É A MINHA 400ª. POSTAGEM NESTE BLOGUE "POESIA-AVULSA".

Dancing in the rain (Dançando à chuva)

No apelo ao movimento,
compassado com a música,
no vigor de qualquer dança.
Ou no harmonioso portento,
de tornar coisa pública
o modelar duma faiança.

Ou em gestos sensuais
coreografados a preceito,
a par da melodia escolhida.
Pelos ritmos sempre iguais,
no mais valioso jeito
de uma salsa destemida.

Na nobreza do árduo tango,
numa perícia de contornos,
e na troca de subtis olhares.
Em contraste ao luso fandango
ou à valsa de belos adornos
para diferentes festejares.

Temos o samba tão tropical
ou uma qualquer bossa nova,
dançadas ao trincar duma uva.
Melodias sem ter rival,
mesmo em canto de uma trova
ou de “slow” dançado à chuva.

Sãos os corpos em ebulição,
em concursos bem diversos
pelos quais nunca competi.
Sempre ao rubro a sensação,
no ritmo destes meus versos
ou no dançar de Gene Kelly.

Chove agora neste local,
ao compasso da natureza,
e ninguém à chuva dança.
Neste imenso Portugal…
resta-nos uma única certeza:
- Esta andança já nos cansa!...

António MR Martins

"Dança da Chuva", foto de Italo Setti, da Galeria Pública "Gentes e Locais", in http://olhares.aeiou.pt/danca_da_chuva_foto636152.html (na net) 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

No teu olhar

No teu olhar descubro-me
E desnudo-me mais
A cada novo dia,
Como se nascesse de novo
E me guiasse apenas
Pela suavidade dos gestos
Que colocas em cada carícia.

Deixo-me ir,
Abraçando apenas o futuro,
E esquecendo
As pedras pontiagudas
Que pisei, descuidada.

Envolvo-me nas palavras
E bebo dos teus lábios
Doces, mágicos,
E grito sem medos

Amo-te!

Vera Sousa Silva

in livro " Amar-te em Silêncio", edições Edium Editores 

Lealdade não é a verdade

Conheço os meandros da história
Com que ousas ludibriar meus intentos
Numa sofreguidão continuada

Conheço os pressupostos da mesma
Pelas causas mais disformes e perplexas
Mas que jamais esquecerei

Conheço as memórias lembradas
Que de num continuar consecutivo
Me assolam o recôndito lugar da mente

Sei da maneira ilusória
E dos gestos assaz violentos
Tentados no sentido de me levar à cilada

Sei dessas folhas em resma
Onde os veredictos estão em outras anexas
Contra as quais sempre me preparei

Sei das palavras exultadas
Depois escritas em papel no esquecido arquivo
Pelo seu conteúdo sobremaneira repelente

Assumindo a verticalidade
Num acto tão concludente
É fortalecer qualquer verdade
Pelo que ela tem de evidente
Discernindo-a da lealdade
De força bem convincente


António MR Martins

imagem in http://www.embuscadaverdade.blogger.com.br/ (na net) (topo de blogue)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Amigo

Guardo-te no coração
Mesmo longe, sei que estás aqui
Sabes bem tudo o que sinto
Sentes sempre tudo o que sei
Porque ambos sabemos
Que haja o que houver
Nada ou ninguém
Nos pode separar!

Ana Casanova

in livro "Dialectos da Memória", edições Temas Originais

O nascimento

Essa chama
Que é luz
Sublime

Essa luminosidade
Que traduz
Esperança

Veio
Da segurança
E da plenitude

Coerência
Proeminência
Perseverança
Bonança

Esse vigor
Manutenção
E esperança

Ser nado
Valência
Potência

O farol
Da felicidade
E da vivência


António MR Martins

terça-feira, 5 de outubro de 2010

XV

Metamorfose do Corpo
Que alucinado viaja na mente do poema
Do corpo do poema linfático
Que desagua na foz
Metamorfose do leito
Derramado, puro e casto, dos vendavais
Que expõem os dúbios caminhos da certeza
O Corpo faz-se no tempo
Enquanto o poema se confirma no gesto.

Eduardo Montepuez

in livro "Metamorfose do corpo", edições Temas Originais