terça-feira, 27 de julho de 2010

Apresentação do meu livro "Foz Sentida", no Porto - 31 de Julho de 2010

Vai ser no próximo dia 31 de Julho de 2010, pelas 16H00, que terá lugar a apresentação do meu novo livro, de poesia, "Foz Sentida", no Porto. Tal acontecerá no Ateneu Comercial do Porto, sito na Rua Passos Manuel, 44.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco.

Venha conhecer este maravilhoso local e um pouco da minha poesia!

Venha interagir com a palavra!

Se puder apareça! Será, sempre, bem vindo!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

MARGINAL

O misantropismo tem vindo a tomar conta de mim.
De repente dou comigo aliviada por estar só.
Gosto de escrever, ir à praia, estar em casa.
Que ninguém me aborreça.
Quero ser o “não-eu” que me dá o pão
Gosto de ser mulher
Puta, talvez…
Marginal?
Vê se me entendes.
Então, excita-me amor
Ama-me,
usa-me,
abusa-me
Depois…
faz de conta que não nos conhecemos.

BB GR

Inesperado desespero

Essa raiz assaz maligna
Que te acompanha sem o quereres
Te perturba gradualmente

Sentido que não tem ser
Pela dor que já não dói
Mas se aprofunda sem rodeios

Nada de ti te tornou digna
Nem aqueles cruéis maldizeres
Que te contagiaram a mente

Por ora tudo pode valer
Na evidência que te mói
Desintegrando-te sem olhar a meios

Podem dizer que é estigma
Pela estrela a que recorreres
Ou pelo teu percurso simplesmente

Na vida não há só beleza
No caminho da virtude
Surge sempre a incerteza
Num desígnio mais rude
Resguardando a tristeza
Em referência à saúde


António MR Martins

domingo, 25 de julho de 2010

MANIFESTO PRÓ-CANETA

Nada substitui uma caneta.
Pode ser cara, barata, de ouro, latão ou prata
De carga, aparo e tinteiro
De uso, ou colecção
Elitista ou do “pobão”
Para ricos, ou sem dinheiro
Uma caneta, é sempre isso
E tudo o mais…
Imaginação, arte e compromisso.

Imperatriz da escrita
Elegante e com estilo
Conquista folhas de papel em branco
Alarga impérios de ideais
Que ninguém lê
Ou que é publicado
Em livros, revistas e jornais...
E quem sabe,
Em muito mais.

Um computador é uma imitação da caneta
Um sucedâneo vulgar
Que não tem a beleza no gesto…
do deslizar.
Isento do bailado
da mão no papel,
que ora escreve, ora o risca
por vezes rasgado
maltratado, amarrotado...
.

A caneta é intemporal
Independente de gigas caprichosos
Que ora obedecem, ora são manhosos.…
A caneta é simples
É papel, poesia, história,
imaginação incontida.
Paixão, revolta, tortura
Vida, dor e loucura
Companheira dedicada
Das recordação de quem escreve…
imagens com memória…
Concentração, sobrancelha arqueada
Em casa, na praia…para depois se ouvir
A leitura entusiasmada.
Tempestade, calmaria, obra concluida
Mais um filho que nasceu: partilho-o, mas é só meu.


Tudo isto para vos comunicar…
Quão extraordinário é receber uma caneta de presente
Faz-nos sentir maiores
Gente diferente.
Ninguém discorda,
Ninguém diverge.
A família une-se
É unânime
Há consenso
Aclamação
Por isso é imperdoável
Que haja alguém que diga...
Uma caneta?
Oh, não!

Ana Bebé Gralheiro

terça-feira, 20 de julho de 2010

Granja

Breves notas do Alentejo XX


Granja



Pilhagens te ocultaram memórias
Réstias de uma história bem tua
São contemporâneas tuas glórias
Representadas em ti por cada rua

De três vilas tua adega cooperativa
Vem dos teus campos saboroso mel
O teu artesanato é tua imagem viva
Fragor dum campo com vidas de fel

As chaminés mouriscas são o relevo
Da herança árabe que ali permaneceu
E que o rei conquistador desvaneceu

A Igreja de S. Brás torna-se o enlevo
Pois da Misericórdia se estabeleceu
Centro de convívio de quem padeceu


António MR Martins

segunda-feira, 19 de julho de 2010

LAMENTO SURDO

Já corri por becos sombrios
Um desejo
De me esconder
Para lá de um nome

E tu encontras-me
Nas tristes madrugadas
E choro
Por não te ver

O grito agudo dos ventos
Que se esconde
Para lá das marés
Está inactivo

E os meus olhos
Abrem-se num foco
Que se estende
Por entre as dunas esquecidas

Sou eu
Num lamento
Surdo


Dolores Marques

in livro "Subtilezas da Alma", edições Edium Editores

Sines

Breves notas do Alentejo XIX


Sines


Vasco da Gama de ti partiu
À descoberta dum Mundo
Tal como o mundo surgiu
No teu descobrir profundo

Testemunhaste sentenças
Das mais ousadas da história
Mas não deturpaste crenças
Da tua singela raiz piscatória

Jovem cidade em progresso
Depois de te darem um porto
Passo para o desenvolvimento

Nesse berço de amplo sucesso
Do ressuscitar jazendo morto
Em memórias do pensamento

António MR Martins

Sensações

Bebi a tua água e
Refresquei a minha alma.
Traduzi, neste rio,
A linguagem oculta do teu ser.
Criei histórias loucas por te sentir em mim
E abri o livro do meu sonho.

Perdido neste ar,
Preso no vento do teu sorriso.
A porta aberta do teu rosto, a todo o tempo,
Me deixa respirar.

Gonçalo Lobo Pinheiro

Porto Covo

Breves notas do Alentejo XVIII


Porto Covo


Cantada em muitos momentos
Por uma bela história de amor
Entre muitos ficam lamentos
De uma sentida paixão e dor

Eleva-se o seu parque natural
E os dois fortes que por ali há
Na Ilha do Pessegueiro frontal
E o outro em si do lado de cá

Tem praias das mais diversas
Viradas para o Atlântico azul
E muitos turistas que a visitam

À noite com suas luzes acesas
Num banco da sua praça a sul
Os visitantes sentados meditam


António MR Martins

domingo, 18 de julho de 2010

quase voo da gaivota


o olhar
num ramo alto
a asa pronta
a disparar
penas alvas
pelas sombras
linhas da quilha
quase no ar
abaixo o nada
a leste a noite
lençol pintado
em fina pele
coração solto
boca de estrelas
a esboçar
o nome dele

Conceição Roque Silveira

São Domingos (da Serra)

Breves notas do Alentejo XVII


São Domingos (da Serra)


Aldeia de um tempo todo
E do seu tempo preciso
Pela qual fui no engodo
De escrever breve juízo

Alguém dela me segredou
Da sua idade de criança
Na sua escola se educou
E lá colheu sua bonança

Tinha o regedor Antonino
Também duas professoras
E possuía um cemitério

Uma casa do povo e um hino
Um táxi e camioneta a horas
E um médico por mistério


António MR Martins

Homenageando o Alentejo, nos seus lugares mais pequenos (as aldeias), e a interacção de Maria Custódio Pereira

sábado, 17 de julho de 2010

o crítico foi prosaico-crú (continuação tRÊS)


o crítico é uma autêntica babel de linguajares; uma quase harpia, mestre nos contratos apalavrados. já o poeta é moinante; um incorrigível beberrão da palavra firme como um universo sem placas tectónicas. um autentico monocotiledóneo, nenhuma semente para além da palavra. bebe como quem entoa rimance ao som de melopeias, evitando ser espoliado até ao tutano.

(continua quando quANDO)

e também há a felga, claro que há.


antónio paiva

Evoramonte

Breves notas do Alentejo XVI


Evoramonte


Se agitam velhas oliveiras
Que te servem de manto
E com as suas maneiras
Te preservam o encanto

As muralhas do castelo
Te envolvem a bravura
Génese que de ti revelo
Orgulho de compostura

Palco imenso da história
No símbolo do Paço Ducal
Foi casa de Bragança real

A guerra passou à memória
Do absolutista e do liberal
Após uma convenção local


António MR Martins

VISÃO DE MAR

Entro no silêncio
espreito a espuma do mar

uma areia e um piano
saltam-me para o olhar

Entro mar adentro
para refrescar a visão

encontro uma alga
de um azul intenso e fatal

Regresso a terra em silêncio
de mãos vazias e molhadas

trazido ao colo por ti


Joaquim Alves

Badoca Park

Breves notas do Alentejo XV


Badoca Park


Encontrar animais de África
Em pleno litoral alentejano
É como descobrir uma táctica
Que nos leva ao desengano

Local por muitos procurado
E eu também já lá estive
Ali cada animal encontrado
É uma surpresa que contive

Íbis, avestruz, cabra e muflão
Tucano, babuíno, águia e gnu
Zebra, girafa, burro e canguru

Búfalo, cobo, impala e falcão
Iguana, watusi, lama e nandu
Pónei, cegonha, iaque e malabu


António MR Martins