quarta-feira, 1 de abril de 2009

Resquícios de uma paixão (Dueto com Vera Sousa Silva)


Reparei em ti...
pela penumbra do toldo
do café da Praça Grande.
Desde logo
equacionei algo...
muito diferente
do anteriormente
perspectivado.

Idealizei-te em sonhos
de nuvens pinceladas
entre flocos de luz.

Meus olhares
se situaram
numa insistência
sem sentido...
Facto por ti
reprovado,
pelo teu afastamento...
sem mácula!

Mas eis que sorris
e as estrelas brilham
em cores de suave primavera.

Passaste lesta
pelos meandros
da minha vida.
Teu rasto
se desvaneceu,
com indiferença.
Foste passagem,
de todo,
despercebida!...

Mas ficou a lembrança
guardada no meu peito
que te reclama na saudade.

Poema de Vera Sousa Silva
e António MR Martins

domingo, 29 de março de 2009

Lançamento do livro "Não existes ou o breve manual prático de como esquecer um amor antigo"

Pois é.
Desta feita é a vez do Gonçalo Lobo Pinheiro (GLP, no Luso-Poemas), meu filho, lançar o seu primeiro livro de poesia, será no próximo sábado, dia 4 de Abril (dia em que comemorará o seu 30º aniversário), sob a chancela da editora "Temas Originais", no auditório sito no Campo Grande nº 56 (ao lado da Unimed), em Lisboa, pelas 19 horas. Vai ser um dia em cheio, pois pelas 16 horas um outro (consagrado) poeta, Vicente Ferreira Silva (VFS, no Luso-Poemas), fará o lançamento do seu terceiro livro "Interlúdios da Certeza", em Lisboa (pois já o fez no Porto, no passado dia 21 de Março), no mesmo local.
Assim poderão usufruir de um belo dia, repleto de boa poesia e em sã e agradável companhia.
Aguarda-se a presença de quem possa estar disponível para o efeito.
P.S. - Quem quiser poderá ficar para jantar (no restaurante instalado no edifício onde terão lugar os lançamentos dos livros), e continuar a partilhar destes belos momentos em bom convívio, e participar nos festejos referentes ao aniversário do Gonçalo. O jantar deverá rondar o preço unitário de € 12,00. Se pretender jantar deverá enviar a respectiva confirmação para os seguintes emails:


(Convite)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Um Anjo sorriu

Neste local, paro,
no meio do nevoeiro prostrada,
condicionada
até ao limite visual .

Só alcanço água,
em frente parada.

Sinto na noite, o carpido,
não oiço, mais nenhum ruído.
Só passos e passos
rasgando a bruma, taciturnos
serenos e ligeiros seguindo...

Seguem para mim
sem norte nem destino,
de repente um clarão
puxa-me pela mão, absorve
a escuridão em forma
de arrastão.

Palavras rasgão o nevoeiro
chegando às estrelas
sem verem que a lua, as cria
sussurram no calor,
circundado em frio.

Num momento de amor,
um anjo sorriu,
só meu
que mais ninguém viu.

Cristina Pinheiro "Mim"

Natural de Lisboa

Não me encantam seus jardins,
seus bairros, igrejas e escolas;
nem seu empenho e afins...
sem ter de recorrer a esmolas.

Não enalteço suas grandezas,
nem da pobreza faço reparo;
nem qualifico as certezas...
subtileza de um bem raro.

Não quero menosprezar ninguém,
nem defraudar certas opiniões
que nos indicam incerteza...

Porque tua origem é também,
em quaisquer das situações,
a cidade capital portuguesa!

quarta-feira, 25 de março de 2009

[falo-vos da casa entre árvores]

falo-vos da casa entre árvores
onde assisti à invenção
do riso

da voz no braseiro
crepitando as sílabas
de uma memória em construção

somente o que caminha para a morte
sabe o que as ruínas
segredam

Xavier Zarco

Aprazada reconciliação

Ainda me recolhem na mente
aqueles pontificantes momentos,
que nos fizeram sentir gente
sem rancores e sem lamentos!...

Foram apaziguadoras situações
que fortaleceram empatias...
apagando as velhas questões
onde terão faltado sintonias.

Pacificou-se o entendimento
desde o último contratempo,
sem qualquer razão de ser...

Síntese proveitosa a rever,
nas próximas conjunturas,
esquecendo todas as amarguras!...

terça-feira, 24 de março de 2009

As nossas crianças










* Bebé de 9 meses morre por asfixia, esquecido pelo pai, dentro do carro
* Criança de 10 anos violada repetidamente pelo padrasto com a conivência da mãe
* Criança de 9 anos aborta de gémeos, depois de repetidas violações pelo padrasto. A irmã, de 14 anos, deficiente mental, sofria dos mesmos abusos.
Estas foram, nos últimos dias, algumas das notícias que ocuparam os jornais. Vou juntar mais umas, algumas do meu conhecimento pessoal, outras das notícias que vieram a lume nos últimos tempos.
- Criança de 4 anos atirada da ponte de Sidney, Austrália, pelo pai
- Pais drogam criança com Atarax ou Actifed para poderem sair à noite enquanto o filho dormia em casa
- Bebé de poucos dias de idade salva pela polícia, depois de ter sido deixada dentro do carro pela mãe que foi ao centro de saúde
- Pai esquece-se de filho de 5 anos, sozinho em casa, e só se lembra dele quando o Jardim de Infância lhe telefona a perguntar pela criança
- Bebé de 17 meses morre vítima de maus tratos por parte da mãe e do padrasto
Quantos mais exemplos se poderiam aqui dar, de situações em que seres ditos humanos maltrataram, violaram ou mataram outros seres que deles dependiam? Que futuro estará reservado para o ser humano, enquanto espécie, se, cada vez mais, os descendentes são tratados desta maneira inqualificável e inacreditável.
Que futuro?
Dizem, os cientistas, que o ser humano é um ser racional. E que os animais são irracionais. Que racionalidade existe neste tratamento que é dado às crianças?
Os animais, os tais que são irracionais, não o fazem. Então, afinal, quem é racional?
Por nove meses carreguei cada um dos meus filhos, protegendo-os para que se pudessem formar em segurança. A minha responsabilidade enquanto mãe não terminou no dia em que nasceram. Antes pelo contrário. A responsabilidade dos progenitores de protegerem os seus filhos é uma realidade desde o dia em que são concebidos, até ao dia em que falecemos. Protegê-los com amor, com dedicação e com atenção. Amá-los de forma incondicional como eles nos amam. Por mais que me esforce, por mais que tente, não consigo entender como é que, quem devia proteger as crianças, não o faz e põe em risco, deliberadamente, a sua integridade física e psíquica.
Serei a única a não entender e a não aceitar?
Magda Pais "Pedra Filosofal"

Assassinato da fome



Certeiro no seu disparo...

atingido o centro do alvo;

sem definir um reparo

se colocou, ávido, a salvo.

Sugeriu a sua presa...

para consumar a desfeita;

liquidou com subtileza,

de uma forma perfeita.

Urge colocar-se a milhas,

para perseguido não ser;

foi no cacilheiro a Cacilhas

para o almoço comer!...

foto, em cima, de Luís Rodrigues (Kristo) - Cacilhas (manhã)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Site Oficial

Acabo de criar, com a ajuda do meu filho, o meu site oficial. Mais um local onde me podem encontrar com novidades acerca da minha poesia.

Apareçam!


Obrigado!

terça-feira, 17 de março de 2009

Lançamento do livro "Ser Poeta" de António MR Martins



Aconteceu no passado dia 14 de Março, no Campo Grande, nº 56, em Lisboa.
Numa sala repleta de familiares, amigos e conhecidos, António MR Martins, apresentou com a chancela da Temas Originais, o seu primeiro livro de poesia intitulado "Ser Poeta".
Um livro que reúne 52 poemas e nos dá a conhecer a poesia de António MR Martins, novo nestas andanças das edições de livros, mas já velhote no que concerne à escrita de poesia, que faz com regularidade desde os anos 70, tendo no meio disto tudo, arrecadado em 1993 o 1º lugar do Prémio de Poesia da Feira do Livro da Amadora.
As fotos, em seguida, mostram um pouco do que se passou naquele dia.


















Fotos de Gonçalo Lobo Pinheiro

Mulher

Tão leve como uma pena
passa um tempo sem destino
tão leve… na pura cena
nasce ao som do sino
a Mulher…

Tão leve,
nasce cada dia por preencher
e na essência de como se deve
ouso olhar para a mulher
que no silêncio caminha
dá,
entrega-se ao momento
e numa voz ausente
nada teme
quando leva o barco
pelo leme
ao seu porto seguro.

Tão leve nesse corpo angelical
moram os fragmentos
dos caminhos cortados
das insónias da vida
dos incómodos das palavras…

Tão leve…
Nasce cada sorriso matinal
que se perpétua
se mostra
e se diz feliz
no rosto de Mulher.

Paulo Afonso Ramos

segunda-feira, 16 de março de 2009

Nem com todo o dinheiro do mundo

Pedem-se alvíssaras...
pela entrega dos criminosos,
seres mesquinhos, asquerosos,
sombrios e impetuosos,
mesmo muito numerosos.

Dão-se alvíssaras...
por colecção de muitos desses seres.
Estão prontos para os prazeres
e para outros afazeres...
ou para aquilo que apeteceres.

Não dou nem quero dinheiro...
não os quero por preconceito,
não estou nada satisfeito.

Levem-nos daqui!...
porque não vão embora?
Não gostei nada do que vi...
saiam já daqui para fora!...

Se não quiserem, permaneçam,
desde esta curta hora.
Fiquem pela vida fora,
mas por favor não me enlouqueçam!...

domingo, 15 de março de 2009

Melhor o Silêncio

Não pretendo saber segredos,
Ungir as chagas dos feridos,
Nem perder-me nos sentidos
Dos insanos beijos-torpedos,
E d'amores malsucedidos...

Silencie seus versos vinhedos,
De poemas d'alma despidos,
Com tintos tons deprimidos,
E seus paladares azedos,
Que só estimulam as libidos!

Quero silêncios e degredos,
Solidões dos fracos gemidos,
Quero os abraços reprimidos,
Cravados de gelos e medos,
No meu peito enfim diluídos...

Betha M. Costa

O Cavalo Lusitano

Registo elegante
no seu saltar,
sua montada
estonteante,
bem dotada
a improvisar.
A sua origem
vem de Portugal,
outro não há,
assim, igual...
utilizado para
o trabalho,
para o desporto
e Alta Escola...
nas lezírias
do Ribatejo
e nos montes e planícies
do Alentejo.
Rigoroso na
aprendizagem...
pelos campinos
cavalo amado,
já os Romanos
o tinham pelo melhor...
na sela estava provado!
Todos o querem
nas cudelarias,
Alter do Chão
sua razão!...
Na elegância
é um primor,
para o hipismo
é espectacular,
mas no toureio
ele é exímio...
seu rodopiar
é de encantar,
apresenta-se na cara do touro,
sem medo, sem receio,
dando ao cavaleiro
saboroso louro.
Como é belo
seu soberbo porte,
elevativa
sua pujança,
tanto a galope
como a trote...
na cavalgada
com substância.
Como são esbeltos
estes cavalos,
preferidos pela
instância,
no decurso
de milhares de anos...
são Lusos...são Lusitanos!

foto em cima, à direita, de Gonçalo Lobo Pinheiro

quarta-feira, 11 de março de 2009

Simbiose

És Boca e eu Sorriso
És Brisa e eu sou Ar
És o Tudo que eu preciso
Nesta História de Encantar
És lenha e eu sou lume
És Fogo e eu sou Frágua
És Montanha e eu o Cume
És a Sede e eu sou a Água
És Areal e eu Maresia
És Onda e eu sou Mar
És Júbilo e eu Alegria
Nesta História de Encantar
És Deserto e eu Oásis
És Beleza e eu Flor
És a Folha e eu o Lápis
Que escreve este doce Amor
És Sentimento e eu Sentidos
Sou a História e tu o Tempo
Destes tantos instantes vividos
Que me invadem Coração adentro!!!!
Eu e Tu somos assim
Somos Loucura e Cumplicidade
Somos Simbiose sem fim
De Amor, Ternura e Verdade
Sandra Nóbrega "Fly"