sábado, 15 de julho de 2017

Fui convidado para a sessão de poesia na Biblioteca Municipal da Maia, de 29 de Julho de 2017. Uma organização do grupo Asas de Poesia.


A convite do Grupo Asas de Poesia, no dia 29 de Julho estarei na Maia, na Biblioteca Municipal Dr. José Vieira de Carvalho, a partir das 16 horas, numa grandiosa sessão de poesia, onde na 2.ª parte se falará da vida e obra de Rosa Lobato Faria.
 
Apareçam e tragam mais amigos convosco.
 
 


Requinte de um beijo único


Imagem da net em: www.muitofixe.pt



Um beijo. A epopeia de um beijo só,
num sentir profundo e empolgante;
por vezes como o desatar dum nó
envolto num prazer autocolante.

Sufoco pelos minutos em que dura
o emprego dos lábios e adjacentes,
enlevo que suavemente se atura
repleto de sentidos correspondentes.

Sentir a descolagem como união
e no rubor intimista a sensação
do seu perdurar pelo tempo fora.

Olhos fechados, anseio fecundo,
entre o parar ou correr o mundo
ficam uns lábios, outros vão embora.

 
António MR Martins

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Maria Dias


Maria Dias, imagem da net.
 


As marcas do tempo

 as paredes envelhecem
as portas apodrecem
mostram as marcas do frio
do forte calor do estio
do inverno tão frio
das chuvas torrenciais
do pouco e de tudo o mais…
mas essas, podem-se reparar
e assim as recuperar

 no ser humano é diferente
ao seguirmos em frente
o tempo deixa marcas
e, deixa lembranças
profundas recordações
que o tempo nos presenteou
marcas nos corações
no corpo desenhadas,
da vida que em nós ficou

 
Maria Dias, in “ Abraço-te”, página 62, edições Boutique da Cultura, com desenhos de Teresa Caio, Março de 2017.

domingo, 9 de julho de 2017

Espinho(s) da vida ou da morte


Espinho, imagem da net.



Trago comigo memórias perdidas
ao relento do teu aroma perfumado
hortelã do teu regaço
e dos pássaros cantando ao desafio
por entre a bruma do esquecimento.

Vieste do outro lado
abraçar-me sem preconceito
num afago abundante
repleto de amizade simples e pura
por entre os sonhos inacabados.

Trago o som das tuas palavras
no meu recôndito espaço-ouvinte
e no âmago um aperto inalterável
perante a tua imagem sentida
e no grave da tua voz,
silenciada nos tempos,
se estende o meu caminho.

Sinto-te todos os dias
companheiro das horas calmas
e da agitação das conversas,
sorridas ou choradas,
conforme as circunstâncias.

Verde ou azul
vale o verbo da vida
na diferença das margens do ser
e do pendor proeminente
dos laços que unirão para sempre
nossas vivas (in)existenciais.

 
António MR Martins

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Joaquim Pessoa


Joaquim Pessoa, imagem da net.



BOM DIA, MEU AMOR!

Acordo-me. Acordo-te. Sorrio.
E sobre a tua pele que a minha adora,
navega o meu desejo, esse navio
que sempre parte e nunca vai embora.

E como um animal uivando o cio
de um milénio, de um mês ou uma hora,
não sei se morro ou vivo, ou choro ou rio,
só sei que a eternidade é o agora.

E calam-se as palavras, uma a uma,
feitas de sal, saliva, dor e espuma,
com a exacta dosagem da alegria.

Bom dia, meu amor! O teu sorriso
é tudo o que me falta, o que eu preciso
para acender a luz de cada dia.

Joaquim Pessoa, in “Os dias não andam satisfeitos”, página 53, Edições Esgotadas, Março 2017.

domingo, 25 de junho de 2017

Destino


Imagem da net.




Na voz do silêncio
Se ouve o rigor.

Matéria de ensino
Aperto na dor,
Última soalheira
Ou agreste inverno.

Verso-poema
Em campo de abrigo,
Memórias perdidas
No fado da vida.

 
António MR Martins

sábado, 24 de junho de 2017

Sandra Freitas


Sandra Freitas, imagem da net.




Nome

O orvalho do meu nome
traz-me ribeiros mansos
e a infância que ainda não tive,
vai mergulhar o rosto num
pólen de aventura e esperar
que um astro luminoso me
avalie com sabedoria.
Hei-de sentar-me ao lado da
minha fonte, com silvas aos
pés, e deixar que todos os sons
matinais refresquem a minha sede.

Sandra Freitas, in “111”, página 145, edições Chiado Editora, Fevereiro, 2017.  

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Ilogismo absoluto


Fogo de Pedrógão Grande, imagem da net.



Neutro assumir,
peremptório posicionamento
entre as moléstias desavindas
nos resquícios da inconformação.

Um prurido constante
cinde os sentidos do plano
e nada acontece em conformidade.

Profligam-se todas as teses da perfeição,
o estabelecido torna-se inconsequente
e impossível de se concretizar.

Ultimam-se novas peripécias
na encruzilhada da hecatombe
que surpreende os minutos seguintes,
entrando tudo fora de controlo.

Tiritam os temores
perante um calor avassalador
e os estalidos ressoam nos ouvidos
de todas as sentidas escutas.

Ao fundo a labareda
planeia seu ritmo devorador
e a carne atónita
é queimada no seu interior,
num alarmante súbito sentido.

O aprazível verdum vira acastanhado
e o fumo evidencia o tapear empolgante.

O absurdo rodeia a circunstância
e o galarim fenece,
na firmeza selectiva do implexo lume
tudo fica feito em tristes cacos.

O doidivanas tudo aglutina
e a resignação
de quem mais nada pode
faz-se observar no rude horizonte.

Valeram os homens de vermelho
que jamais se renderão
a tão estouvado demolidor.

Mas a morte mora ali
e ficará para sempre
na nossa memória.

 
António MR Martins

terça-feira, 20 de junho de 2017

Henrique Levy


Henrique Levy, imagem da net.



ANOITECE

o corpo não pede gestos
nem pétalas perfumadas de gerânios
nem naus em portos longínquos
nem mãos sobre altares buscando preces
nem o último olhar do sol sobre a ilha antes de adormecer

o meu corpo é agora o lugar
de lábios demorados que
sobre ele desatam beijos

no entardecer dos teus olhos
brilha em repouso o requiem da entrega

noite em que os muros as roseiras bravas
vieram debruar de alvíssima seda
em que o lamento das borboletas
das asas se desprende no crepúsculo cintilante
mergulhando o mar…

Henrique Levy, in “Noivos do Mar”, página 37, edições Labirinto, colecção contramaré / 13, Abril de 2017.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sessão de autógrafos


Sessão de autógrafos no Espaço Chiado, da Chiado Editora, na 87.ª Feira do Livro de Lisboa, dia 17 de Junho de 2017, pelas 22H00, com o meu livro "Empresta-me a Palavra".
 
 
 
 


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Sessão de autógrafos com "Empresta-me a Palavra", na Feira do Livro de Lisboa 2017


Vou estar na Feira do Livro de Lisboa 2017, no Parque Eduardo VII, no próximo dia 17 de Junho, pelas 22H00, para uma sessão de autógrafos no Espaço Chiado (Chiado Editora), com o meu livro "Empresta-me a Palavra".

Apareçam e tragam mais amigos convosco.

Muito obrigado.

Meu abraço.





Soalheiro quotidiano


Imagem da net.




Há um grito prenhe
que ecoa
nas feridas da seara
onde o trigo amanhece
com os silenciosos grilos,
ante a única causa
da verdade permitida.

A imagem visionada
emoldura-se
pela lentidão nos dias soalheiros,
num contexto,
quase,
habitual,
mesmo a qualquer dia domingo
de um mês qualquer.

Fosse ele um sábado
ou uma segunda-feira!...

 
António MR Martins

terça-feira, 30 de maio de 2017

Fernanda Dias


Fernanda Dias, foto Hoje Macau.



o lótus e a libélula

eu queria-te sagaz e livre
voando sobre um lótus de cetim carnudo

a vida fervilhando inteira
no charco limoso
um denso vapor letal
subindo, sublimando o visco
polindo o olho facetado e arisco
de um insecto cor de opala

eu queria isto e queria-te à janela
sobre os lagos de Nam Van
eu queria tudo.


Fernanda Dias, in “chá verde”, página 38, edições Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, 1.ª edição, 09/09/2002.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

No suor do teu vindimar


Imagem da net.



Na dorna
onde adormece a vinha vindimada
fervem os prazeres líquidos
dos deuses,
o néctar da tua essência
na agitação
de um apelo soberbo
ao cálice da tua magnificência.

Restauro de um engaço
em resíduos do único delírio
pelo cheiro dos vinhedos
desnudados
ante o teu rosto resplandecente
e tua boca sensual
de travo agridoce.

Viajas pelo esmagar dos bagos,
sonhadora,
como que levitando teu corpo
misturado
com o prazer do teu transpirar
por entre as castas da madrugada.


António MR Martins

sábado, 27 de maio de 2017

António Ramos Rosa


António Ramos Rosa (1924-2013), imagem da net.



A FACILIDADE DO AR

A facilidade escreve-se.
A mão do dia é branca.
A luz do mistério
é animal.
Amar é olvidar
com estas árvores
com estas nuvens
com este sopro vermelho sobre as coisas.
A evidência do mundo é o barco do ar.
Visível a respiração da ausência.
Sem destino, para além dos signos,
o rosto confiante é o puro espaço
onde todo o vago é insinuante afirmação
e a paixão um murmúrio de leveza.
O sangue circula em palavras claras
e a doçura delira
na iminência que dura num rumor iluminado.

António Ramos Rosa (1924-2013), in “Facilidade do Ar”, página 19, edições Caminho, da Poesia, Junho de 1990.