terça-feira, 6 de dezembro de 2016

João Carlos Esteves






REFLEXO IMPERFEITO

viste nos meus olhos o mistério dos silêncios
mas neles não vislumbraste o oceano adormecido
nem os rios que o beijam em devoção

não percebeste o cintilar da minha noite
nem a vontade que desponta na alvorada
apenas viste as nuvens que percorrem os meus dias
e que projectam sombras
nos sorrisos que se soltam

olhaste-me
sem veres as ilhas que abraçam o meu mar
nem as falésias que lhe acalmam o furor

guardaste em ti
um reflexo imperfeito

 
João Carlos Esteves, in “ Inventei-te as manhãs”, página 71, edições Chiado Editora, Julho, 2013.

Jeito de ser feliz




Imagem da net, em: www.mensagenscomamor.com



Dei por ti
na esquina da vida,
depois de tanta omissão contida.

Dei por ti
numa mensagem já lida,
oprimido num beco sem saída.

Dei por ti
pelos dias passivos,
no quintal dos versos cativos.

Dei por ti
pelos silêncios sofridos,
no encontro dos prantos esquecidos.

Senti-te
num abraço verdade,
ante o teu sorrir da felicidade.

Encontrei-te
semente do universo,
tema amor do meu único verso.

 
António MR Martins

sábado, 26 de novembro de 2016

Vera Sousa Silva







Os olhos

São meus olhos que te amam.
Quedam-se em tentação perante teu corpo
e ajoelham-se à tua voz.

Não sou eu!
Nunca fui eu quem te amou
nas ardências das lágrimas,
nos soluços dos gritos.

Foram eles – os olhos!
Traiçoeiros do meu ser extinto,
monólogo dos meus lábios
silenciosos…

São eles, os olhos,
que te amam assim

loucamente!

 
Vera Sousa Silva, in “Bipolaridades”, página 32, edições Lua de Marfim, Maio de 2012.

Invento-te para a vida


Imagem da net, em: Pinterest




A boca, rastreio dos olhos
na raiz do medo
em vida decorada de escolhos.
A luz ao fim da estrada
que liberta o segredo.

Querer-te
na imensa gestão da lágrima,
semente do meu chão
corpo do meu ventre.
Gélido passo
no desconforto de tanta estima,
surreal razão, sentido único,
o laço da grandeza humana.

Plena descoberta,
qual sensação?!
Jamais, um custoso dilema.

Para ti invento o verão,
num sorriso em poema!

 
António MR Martins

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Fátima Guimarães






Plenitude

Tudo arde.

Não há sol
nem lua
nem terra ou mar.

Há silêncio
plenitude
e a pele
enlouquecida
respirando nos teus dedos.

Fátima Guimarães, in “a voz do nó”, página 14, edição da autora, Novembro de 2014.

Sem solução


Imagem da net, em: www.fotolog.com



Brando céu, hostil comando, folha morta,
ponte quebrada, porto escondido,
estrela cadente, vida tão torta,
margem mínima, género perdido.

Suprema virtude, rosa sem canto,
apelo à saúde… sem direcção,
bocejo profundo, sinal de espanto,
aperto viral… tenho a sensação!...

Tanto devaneio, tal negligência,
rastreio tão mole, tal competência,
nestes tempos de tamanha espera.

Tantos furtos, corruptos da sedução,
ideias balofas, múltipla sugestão,
eis o vil pecado desta quimera.

 
António MR Martins

domingo, 30 de outubro de 2016

Ana Wiesenberger





[Dissipar os medos]

Dissipar os medos
Construir esperanças
Pequenos castelos
Dourados
Triangulares
Com cabeças de esfinge
Nas extremidades

Agarrar o teu rosto
Trazê-lo comigo, à hora do meio-dia,
Para dentro da minha noite

Fazer-te Ser
Estar
Querer
Os meus sonhos de menina
Com a alça da minha mala, frágil
Macerada de tempo

Ana Wiesenberger, in “Idades”, página 38, edições Esfera do Caos, Maio de 2012.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Alice, meu tesouro





Pedaço de gente,
por quem se envolvem sentires
de uma ternura sem fim.

É entre o teu cabelo escuro
e o teu sorriso sonhador,
que brotam os caminhos
para as maravilhas que sonhas
nessa tua observação contínua.

Tesouro incalculável,
valor infinito,
que faz bater no peito
o palpitar do aconchego
e o mais amplo sentido
que me faz sentir um avô único.

Eis a riqueza almejada
e o vaticínio cumprido
no sorteio surpreendente
para um patamar milionário da vida.

É tão bom chamar-te Alice!...
Minha doce netinha,
que anseio o momento-próximo
em que, alegremente,
me chamarás: avô!
 
António MR Martins

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Carlos Nuno Granja (texto) & José Fangueiro (fotografia)






Pêndulo

Tu és o pêndulo.
Tu és o meu equilíbrio.
Tu és o meu solstício de Inverno,
a água no meu inferno,
a calma de um fogo terno.
Tu és as paredes do meu castelo…
o fio deste céu azul
que me atravessa o desafio.
Tu és uma só estrada
que me orienta um só caminho.
Tu és o meu solstício de Verão…
sem multidão… sem confusão…
em que vou eu ao teu encontro…
à minha espera no outro lado.





Carlos Nuno Granja & José Fangueiro, in “Poesia Objectiva” (texto de Carlos Nuno Granja e fotografia de José Fangueiro), página 51, foto na página 50, edições Alfarroba, Outubro de 2013.

Ficar ou partir


Imagem na net, em: Página a Página - WordPress.com



Pelo silêncio da minha saudade
resta a balada do rubor perdido,
sigla definidora da verdade
ante lampejos dum amor proibido.

Síntese da coerência permitida
êxodo dos átomos da ansiedade,
paradigma no decurso da vida
rastreio da ínfima felicidade.

No pulsar esfriado pelo tempo
sonegado por tanto contratempo
pela emergência de cada partir.

Atiçar da labareda fervente
e de todo o queixume consequente,
que só nos dá vontade de fugir.

 
António MR Martins

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Montserrat Villar González





Por fim, a terra

O ar não consegue apagar
a pequena sombra dos homens
de tão absurdos e arrogantes que somos.

O mar, às vezes, avança
sobre toda a criatura
para demonstrar que somos
seres débeis e finitos.

A terra revolve-se
e remove as mentiras
em sinal de poder.

A lua segue fluindo sempre
num vaivém contínuo e mágico
apesar do pranto
dos que já se sabem frágeis.

Todos desapareceremos e o sol
apagará, por fim, as nossas sombras,
cobrindo de luz
os vazios mais obscuros
que povoaram este mistério.

Montserrat Villar González, in “ Terra Habitada”, página 25, edições Palimage, Outubro 2014.  

Aromas outonais


Imagem da net, em: www.olhares.sapo.pt



O outono aproxima o seu chegar…
as árvores soltam os seus folhedos,
ainda que algumas os deixem ficar
perante o olhar dos arvoredos.

Vogamos na acalmia deste sabor
onde o sol se esconde mais vezes,
cimenta-se, aqui e acolá, a dor…
que consigo traz múltiplos revezes.

Chega o cheiro a terra molhada
e muitas aves vão em debandada
neste seguir natural e eterno.

Os campos revestem-se pardacentos
doutras formas se moldam alimentos,
que num ápice chegará o inverno!...

 
António MR Martins

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Dalila Moura Baião





Nota: Não, não é ficção, não são invenções, não é imaginário, nada disto é deturpado, não são calúnias, não são manobras e sabotagens. Isto aconteceu!... Um determinado maluco-lúcido (ou vice-versa), criminoso hediondo da História Universal, queria criar uma raça única, aquela de especificidade superior, aquela à qual nem ele poderia pertencer. Mas nós somos todos diferentes e todos iguais, ou não?!... Mas ela queria, ele queria… não sei o quê?! Vai daí, ele e os seus súbditos e a nação que os sustentava decidiu espezinhar, dizimar, chacinar, exterminar, das formas mais rudes, cruéis e impensáveis por qualquer sociedade de partilha ou membro da mesma, minimamente humana. Isto aconteceu mesmo! Jamais poderemos esquecer, jamais! Foi na década de quarenta do século passado, infelizmente.

A Dalila traz-nos, no seu recente livro editado, “No Fio da Memória (o holocausto na cáustica manta do tempo)”, sob a chancela da Lua de Marfim, esse enredo duro, impensável… mas aconteceu. Uma poética sublime, intensa, muito bem construída, sofrida, plena de versos imagéticos, que nos embrenham na realidade, uma história negra, pontificada por um dos maiores ditadores de sempre: Hitler!...

Aconselho que leiam esta grandiosa obra poética, e nunca esqueçam tal passagem negra da História da Humanidade… porque isto aconteceu, mesmo!  

12.

As bestas, NÃO!
Eram crianças, meu Deus!
Tinham pássaros no peito
a esvoaçar…
A morte a gritar: Deixem-nos viver!
E o homem a impor o martírio
na crueldade dos instantes
perversos
bestializados na sombra
onde as aves sem gorjeios
ousavam soltar lamentos de esperança.
Olhos de paz – crianças –
rasgo de inquietação a pulsar:
Nos olhos, no tempo, na mágoa do desconhecido…
Na casa esventrada e no choro aniquilado,
na tortura.

Dalila Moura Baião, in “ No Fio da Memória (o holocausto na cáustica manta do tempo)”, página 24, edições Lua de Marfim, Maio de 2016.  

Equívoco



Imagem da net, em: pt.wikipedia.org



Não digas nada, meu amor, agora!
Anoitece nas terras donde saí!…
Sou bruma, percalço da demora,
que ao chegar, no sentir, logo parti!...

Ante o luar nem minha sombra vi,
pelo teu rosto  a lágrima caiu;
vendo os enfeites envoltos em ti…
minh’alma… logo desta terra partiu!...

Tua expressão, assim, disse a graça…
sentindo que esta mera trapaça
se escondeu em metafóricos véus.

Pernoitando em singela poesia…
do contentamento ficou arredia
num epílogo de bradar aos céus!...

 
António MR Martins

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Apresentação do livro "Empresta-me a Palavra", em Coimbra, a 3 de Setembro de 2016.

 
O autor, António MR Martins, e o Café Santa Cruz têm o prazer de o(a) convidar a assistir à apresentação do livro “Empresta-me a Palavra”, que terá lugar no Café Santa Cruz, sito na Praça 8 de Maio, em Coimbra, no próximo dia 3 de Setembro, pelas 16H00.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco.

Serão lidos alguns textos da obra pela poetisa Yolanda Villar de Menezes.

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O Café Santa Cruz localiza-se na praça 8 de Maio, na freguesia de Santa Cruz, na cidade e concelho de Coimbra, distrito de Coimbra, em Portugal. É um dos mais tradicionais café-restaurantes da cidade.

Após a sua dessacralização, o edifício conheceu diversas f...unções, sendo utilizado como armazém de ferragens, esquadra de polícia, armazém de canalizações, estação de bombeiros e mesmo como casa funerária.
Classificado como Monumento Nacional desde Outubro de 1921, no início da década de 1920 o imóvel foi adaptado às funções de café-restaurante, por iniciativa dos empresários Adriano Ferreira da Cunha, Adriano Viegas da Cunha Lucas e Mário Pais. Com uma nova fachada em estilo neo-manuelino, o projeto foi assinado pelo arquitecto Jaime Inácio dos Santos. A inauguração do Café Santa Cruz ocorreu a 8 de Maio de 1923.
Em 2002 teve lugar uma renovação do espaço, com projeto dos arquitetos Luísa Marques e Miguel Pedreiro. A intervenção procurou clarificar e potenciar a utilização deste espaço, de qualidades arquitectónicas invulgares, como pólo cultural privilegiado da cidade de Coimbra.
 
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.