terça-feira, 13 de dezembro de 2011
FLORES - jasmim
trepas pelo odor interno
no exterior da tua fragrância
onde se origina a mais valia
revisitada pelos tempos
onde teu perfume se inala
na pujança de tanta viagem
António MR Martins
Imagem na net, em casa da cultura.org
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Entre quatro paredes…
Entre quatro paredes falo contigo
A cada sombra lanço um sorriso
Á luz mortiça que pende do tecto
Lanço um olhar e um feitiço
Falo de mim do que já foi
Daquilo que espero ser
Falo da sombra e de quanto dói
O silêncio no entardecer
Falo de um tempo que nunca vi
Das tardes calmas do luar de Janeiro
Falo dos dias que vivi
Procurando breve sombreiro
Entre quatro paredes perco a razão
É sempre assim quando a solidão
Entra pela porta e me dá a mão
Falo de tudo comigo a sós
Desfolho dores e alguns sorrisos
Enquanto teço roliços nós
Em cada lágrima que me cai aos pés
A todas elas eu dou abraços
São a companhia que faço em estilhaços
Do peito me pende grosso cordão
Que o silêncio abraça e me estende a mão.
Antónia Ruivo
FLORES - camélia
espanta a beleza maior
entre o abismo do ser
ornamento sedutor
há um sentido perfeito
na origem do seu jeito
no mais perfeito valor
António MR Martins
Imagem na net, em imotion.com.br
domingo, 11 de dezembro de 2011
Para esquecer
Agora, que acabaram os segredos
Nascem-me vazios nos dedos
Enquanto a boca me sabe a silêncio
O caminho alonga-se pela espera
A madrugada despe-se a sorrir
Enquanto a noite lhe deseja os lábios
Amanhã o sol vai aparecer quente
O peito vai florescer de saudades
E o poema volta para esquecer
Vanda Paz
FLORES - cravo
te saúdam em tantas cores
mas no vermelho te afrontas
com uma pureza fraterna
teu cheiro tão desconcertante
é o aconchego do âmago
no apogeu da liberdade
António MR Martins
Imagem da net, em fotoeimagens.blogs.sapo.pt
ESTÁ TUDO DITO

A palavra não se diz e entre cada letra… sorris
Num mergulho de suor, esqueces o frio, a dor
E nas frases por dizer vives e fazer viver
A palavra não se quer mas não se deixa esquecer
E dos vazios faz leito, rio correndo a eito
Atropelo de beijo que não queima o desejo
A palavra não se escreve, flutua mágica e breve
Não quer poiso nem lugar, não se deixa capturar
Livre que é, vai e vem e não se dá a ninguém
A palavra, não se diz
A palavra não se quer
A palavra não se escreve
No silêncio do teu olhar
Afinal
Está tudo dito….
Goreti Ferreira
FLORES - malmequer
és desígnio fictício
em sonho que não acontece
bem me quer de algum jeito
mal me quer por outro lado
tuas pétalas te retiram
até à nudez completa
António MR Martins
Imagem na net, em canais.sol.pt
sábado, 10 de dezembro de 2011
Poeta por um dia
Um dia acordei e disse:
A partir de hoje, vou ser poeta…
Poeta, tu?
Sim, porque não?
Basta somente que eu sinta borboletas,
saltitando em meu coração,
que, por mais que tu digas…
Poeta, tu?
Virás um dia segredar-me ao ouvido…
Por favor, as tuas palavras fazem-me falta.
Luísa Simões Martins
FLORES - estrelícia
lembro-te pérola da ilha
onde o sol também transpira
do oceano que te banha
emerges em galanteios
sonhados pelas vivências
que se sentem amarguradas
António MR Martins
Imagem na net, em muitasflores.blogs.sapo.pt
Busca de Mim
Entraste assim na minha vida
como asa ferida desta solidão
sopraste como o vento do norte
e rompeste a bruma da minha paixão
deixando-me transfigurada
e o peito magoado sem saber voar
porque o eco dos passos sendo viajantes
vão-me visitar
no mar, no horizonte vago, na rua dos dias
onde me passeio
cruzando ramos, estrelas, algas
areias quentes soltas em meu seio
e as vestes que cobrem meu corpo
parecem gemer
sentindo as tuas mãos
rasgadas pelo teu olhar
pelo aroma quente
do beijo a faltar
ternuras que de espanto dormem
em mim
e solto a vida
inebriada
muda
como quem morde o sonho
e abraça o som do vento
rompendo o azul.
Tu ficas no abraço
eu fico no cansaço
do tempo!
Aí, repouso os sentidos
na busca de mim...
Dalila Moura Baião
FLORES - papoila
no campo te entendo mais
entre uma denúncia de charme
improviso ondulante
na rubra cor que te invade
salpicos de muitas lendas
iluminas em tantas memórias
António MR Martins
Imagem na net, em naturezaearte-nature.blogspot.com
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Palavras Loucas
As palavras
dançam a dança do ventre
nas hostes de uma memória
que o tempo despe
na sedução das horas,
movem-se
em oscilantes vibrações
que os dedos obedecem em silêncio
com o olhar parado
na folha branca
de uma ilusão
vestida de rubro,
o sentir de uma emoção
oculta no vento
e vociferada
em sílabas mudas
num traço impulsivo
com o tacto dos versos sem nexo…
Todos os poros da epiderme
se arrepiam no calor
do momento
em danças que o suor
beija em jubilo…
Tudo se queda na sedução
inebriante destas palavras
loucas por um toque quente!
Ana Coelho
FLORES - rosa
há uma rosa num cheiro
como aperto que sufoca
êxtase de um sentimento
em espinhos de descoberta
por vezes nada mais resta
apenas um suspiro
António MR Martins
Imagem na net, em mundodeflores.com
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Espero...
Vem…
Enlaça-me nos teus braços
Levanta-me do chão
Enleia-me nos teus beijos
Que o meu coração
Já pulsa na tua mão
Vem,
meu cavaleiro andante
Fruto da minha imaginação
Faz-me princesa dos teus contos
No suave entoar da tua canção
Vem, toma-me…
Faz deste momento o leito
Em que todos os sonhos
Se tecem em doces suspiros
Arrepio…
Vem…
E juntos descobriremos o êxtase
vivido … na concha que respira
E é fruto saboreado
Nos lábios que por ti se abrem
Com ou sem razão…
Espero…
Ana Fonseca Sousa
FLORES - margarida
sei de um passo que é dado
em solos da indiferença
onde acalentas a fragilidade
tens a graça da presença
ora branca ora rosada
crescendo sem artimanhas
António MR Martins
imagem da net, em culturamix.com
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