sábado, 10 de dezembro de 2011
Poeta por um dia
Um dia acordei e disse:
A partir de hoje, vou ser poeta…
Poeta, tu?
Sim, porque não?
Basta somente que eu sinta borboletas,
saltitando em meu coração,
que, por mais que tu digas…
Poeta, tu?
Virás um dia segredar-me ao ouvido…
Por favor, as tuas palavras fazem-me falta.
Luísa Simões Martins
FLORES - estrelícia
lembro-te pérola da ilha
onde o sol também transpira
do oceano que te banha
emerges em galanteios
sonhados pelas vivências
que se sentem amarguradas
António MR Martins
Imagem na net, em muitasflores.blogs.sapo.pt
Busca de Mim
Entraste assim na minha vida
como asa ferida desta solidão
sopraste como o vento do norte
e rompeste a bruma da minha paixão
deixando-me transfigurada
e o peito magoado sem saber voar
porque o eco dos passos sendo viajantes
vão-me visitar
no mar, no horizonte vago, na rua dos dias
onde me passeio
cruzando ramos, estrelas, algas
areias quentes soltas em meu seio
e as vestes que cobrem meu corpo
parecem gemer
sentindo as tuas mãos
rasgadas pelo teu olhar
pelo aroma quente
do beijo a faltar
ternuras que de espanto dormem
em mim
e solto a vida
inebriada
muda
como quem morde o sonho
e abraça o som do vento
rompendo o azul.
Tu ficas no abraço
eu fico no cansaço
do tempo!
Aí, repouso os sentidos
na busca de mim...
Dalila Moura Baião
FLORES - papoila
no campo te entendo mais
entre uma denúncia de charme
improviso ondulante
na rubra cor que te invade
salpicos de muitas lendas
iluminas em tantas memórias
António MR Martins
Imagem na net, em naturezaearte-nature.blogspot.com
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Palavras Loucas
As palavras
dançam a dança do ventre
nas hostes de uma memória
que o tempo despe
na sedução das horas,
movem-se
em oscilantes vibrações
que os dedos obedecem em silêncio
com o olhar parado
na folha branca
de uma ilusão
vestida de rubro,
o sentir de uma emoção
oculta no vento
e vociferada
em sílabas mudas
num traço impulsivo
com o tacto dos versos sem nexo…
Todos os poros da epiderme
se arrepiam no calor
do momento
em danças que o suor
beija em jubilo…
Tudo se queda na sedução
inebriante destas palavras
loucas por um toque quente!
Ana Coelho
FLORES - rosa
há uma rosa num cheiro
como aperto que sufoca
êxtase de um sentimento
em espinhos de descoberta
por vezes nada mais resta
apenas um suspiro
António MR Martins
Imagem na net, em mundodeflores.com
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Espero...
Vem…
Enlaça-me nos teus braços
Levanta-me do chão
Enleia-me nos teus beijos
Que o meu coração
Já pulsa na tua mão
Vem,
meu cavaleiro andante
Fruto da minha imaginação
Faz-me princesa dos teus contos
No suave entoar da tua canção
Vem, toma-me…
Faz deste momento o leito
Em que todos os sonhos
Se tecem em doces suspiros
Arrepio…
Vem…
E juntos descobriremos o êxtase
vivido … na concha que respira
E é fruto saboreado
Nos lábios que por ti se abrem
Com ou sem razão…
Espero…
Ana Fonseca Sousa
FLORES - margarida
sei de um passo que é dado
em solos da indiferença
onde acalentas a fragilidade
tens a graça da presença
ora branca ora rosada
crescendo sem artimanhas
António MR Martins
imagem da net, em culturamix.com
domingo, 20 de novembro de 2011
Pétalas de felicidade
Poema premiado com uma Menção Honrosa
no XVI Concurso de Poesia da APPACDM, de Setúbal – 2011
Rasga o sol o novo dia
Na aurora que desponta
O sentido para a palavra
Aconchego eminente
Entre o elo bem humano
Que as relações entrelaçam
No afago incorporado
É o selo que é da vida
Num sorriso que empolga
O percurso de quem caminha
A atenção que se aflora
O apoio que enobrece
Por essa vida fora
Onde o abraço da amizade
Ilumina os semblantes
Das crianças prometidas
Um gesto que permanece
Em contraste radiante
Da palavra que se diz
Entre olhos bem abertos
Que inspiram sedução
E companhia até mais não
O carinho não entorpece
O sentido que é das coisas
Naquilo que elas não são
São crianças bem despertas
Pólos de tanto amor
Sorrisos inesquecíveis
Reflectores de felicidade
Que com muito mais sabor
Salpicam a Humanidade
António MR Martins
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Obtive uma Menção Honrosa, no Brasil
A árvore da vida
A árvore é a casa
O seio de cada regresso
A fonte de inúmeras vidas
A sombra ao sol que queima
A afago do aconchego
António MR Martins
Poema premiado com uma Menção Honrosa no
3º Concurso “Poetizar o Mundo”, em português,
na modalidade Minimalista (Brasil),
organização da escritora e poeta Isabel F. Furini - 2011
A árvore é a casa
O seio de cada regresso
A fonte de inúmeras vidas
A sombra ao sol que queima
A afago do aconchego
António MR Martins
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Lançamento em simultâneo dos livros de poesia "Máscara da Luz", de António MR Martins e "Memória das Cidades", de Vítor Cintra, no dia 4 de Dezembro (domingo), pelas 16 horas, no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa
Estimados(as) amigos(as),
O lançamento do meu novo livro aproxima-se, aliás um projecto que se encontrava já encaminhado, nesse sentido, aguardando a abertura da porta que o pudesse libertar. Assim, tal vai acontecer no próximo dia 4 de Dezembro (um domingo), pelas 16 horas, no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa.
Desta feita, será uma sessão um pouco diferente, do habitual, pois serão lançados dois livros em simultâneo, o meu “Máscara da Luz”, uma obra de pendor social, abordando muitos dos assuntos que nos vão envolvendo, nos últimos tempos, mas não só, e o livro “Memória das Cidades”, de Vítor Cintra, um poeta amigo, de quem tenho a felicidade de ser também amigo, numa obra onde se apresentam histórias, mitos e lendas, que andam à volta das origens, e não só, de muitas das nossas cidades, tudo em poesia, sob a chancela Temas Originais.
Dois autores que editam o seu 5º livro pela editora Temas Originais.
A apresentação de obra e autor, relativamente a “Máscara da Luz”, estará a cargo da Drª. Catarina Boavida e no que se refere a “Memória das Cidades” serão apresentados pela escritora e poetisa Vera Sousa Silva.
Será uma sessão de plena empatia, cooperação, colaboração, sã interacção e, sobretudo, enorme amizade.
Se puder estar connosco, agradecemos.
Abraço
SONHOS
Os sonhos
são tantas vezes segredos...
Esvoaçam breves,
como aves,
atravessando a solidão,
em proezas subtis.
São halos poéticos
que, como os raios de sol,
se dissipam em breves horas.
O que resta,
é a invernia polar !...
Lita Lisboa
Há sempre vida até à morte
Há uma esquina sentida
como talismã da sorte,
onde desfila o consenso,
outrora imagem perdida,
de quem perdeu seu norte
pelo momento suspenso.
Há um encontro passado
no tempo que é de Deus
e nesta mostra que é a vida,
um sorriso para quem é nado
no leito que vem dos seus
entre uma lágrima perdida.
Há um sentir em cada peito
no caminho da verdade
e na razão da existência,
nada se tome por defeito
onde há a sensibilidade
no amparo desta vivência.
Há uma mente abençoada
no porvir da distância
e uma face que também ri,
outra vida festejada,
uma nova fragrância
e uma criança que sorri.
Há um ser que então desperta
com as forças que possui
que é preciso alicerçar,
lhe tenhamos a porta aberta
verificando se não dilui
o amor que temos para lhe dar.
Há conceitos bem diversos,
pensamentos tão diferentes
e ideias de muito rigor,
mas anseio que estes versos
aos mentais deficientes
tragam um pouco mais de amor.
António MR Martins
como talismã da sorte,
onde desfila o consenso,
outrora imagem perdida,
de quem perdeu seu norte
pelo momento suspenso.
Há um encontro passado
no tempo que é de Deus
e nesta mostra que é a vida,
um sorriso para quem é nado
no leito que vem dos seus
entre uma lágrima perdida.
Há um sentir em cada peito
no caminho da verdade
e na razão da existência,
nada se tome por defeito
onde há a sensibilidade
no amparo desta vivência.
Há uma mente abençoada
no porvir da distância
e uma face que também ri,
outra vida festejada,
uma nova fragrância
e uma criança que sorri.
Há um ser que então desperta
com as forças que possui
que é preciso alicerçar,
lhe tenhamos a porta aberta
verificando se não dilui
o amor que temos para lhe dar.
Há conceitos bem diversos,
pensamentos tão diferentes
e ideias de muito rigor,
mas anseio que estes versos
aos mentais deficientes
tragam um pouco mais de amor.
António MR Martins
sábado, 5 de novembro de 2011
A Castidade com que Abria as Coxas
A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estrita, como se alargava.
Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres
em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.
Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.
Carlos Drummond de Andrade
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