segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dueto com o meu cão

O meu nome é Gaspar
Sou um libertino Podengo
Já devem ter ouvido falar
Deste cão que não é trengo
O Zé Torres, esse febril
É o meu dono sem ser
Foi-me buscar ao canil
Mesmo antes de eu nascer

Que o seu desejo por um cão
Era uma coisa do destino
Lida na palma da sua mão
Por uma cigana sem tino

Ainda me lembro quando cheguei
Embrulhado do enjoo
Do susto enorme que apanhei
Neste meu primeiro voo

Lá onde eu estava hospedado
Nunca avistei o céu
Era uma espécie de condenado
Sem antes ter sido réu
Hoje vivo perto do paraíso
Sou dono e senhor do lugar
Agradeço ao poeta sem juízo
Tudo o que me fez ganhar

Eu, é que aqui te agradeço
Gaspar que não és cão
O mais homem que conheço
Neste mundo sem perdão

Sou o Zé Torres poeta
Disso podes ter a certeza
Uma espécie de pateta
Sem direito a sobremesa

E estas nossas conversas
Nem precisam de sofá
Basta o olhar com que versas
Na conversa que não é vã

Também eu bem me lembro
Quando aqui chegaste agoniado
Seria Agosto ou Setembro
E fui eu que limpei o vomitado

Recordas-te do texto que te dei(1)
Em conversas já passadas?
Do primeiro livro que editei
Nas tuas lágrimas molhadas?


Eras como hoje, cão mais homem
Que muito homem que por aí anda
Sem esperança que o retomem
No canil de quem nele manda


José Ilídio Torres

1 comentário:

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