Há um mar intenso e profundo
Na bravura da incandescência
Roteiro de um percurso inacabado
Nele existem ondas de ternura
Mas também as há bravias e agrestes
Nesse viajar acomodado a teu lado
Há um sol caminhante que se reflecte
Com o movimento do dia para a noite
E se vê nesse mar de ânsias filtrado
Projectando a plenitude delirante
Em fogos melodiosos no seu crepitar
Pelo sabor salgado mas sempre salivado
Há uma calmaria de um intenso desejo
Resplendor que pontifica todo o sentir
Que me percorre como rubor idolatrado
Sensação de paladar jamais saboreado
Que integra esse conteúdo marítimo
Tão balsâmico e a cada dia mais desejado
São as águas do viver
Em movimentos de espuma e saliência
É a almofada onde adormeço
Num afago de constante envolvência
É o mais belo sonho
Do qual nunca queremos acordar
É o mais forte sentido
Na mais bela conjugação do verbo amar
Ai como é bom descansar
Nas ondas do teu mar
António MR Martins
imagem da net
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.
Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.
Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados. É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.
E o leite faz-se tenro durante
os eclipses. Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,
esta rede de jardins diante dos incêndios. E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.
Herberto Helder
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.
Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.
Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados. É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.
E o leite faz-se tenro durante
os eclipses. Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,
esta rede de jardins diante dos incêndios. E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.
Herberto Helder
Pura amizade
Chorava um menino sentado por algo que havia perdido,
quando outro se senta ao lado
e lhe dirige a palavra sentido.
Porque choras assim amigo,
quando está um dia de sol?...
Logo ele se sente em abrigo
e desembrulha o seu lençol.
Perdi o meu carrinho de lata
que era o único que eu tinha!...
O outro ouve e então desata
a sua ideia muito fresquinha.
Fica com o meu deste bolso
que no outro há um segundo;
não preciso de reembolso
és o melhor amigo do mundo!
António MR Martins
imagem da net
quando outro se senta ao lado
e lhe dirige a palavra sentido.
Porque choras assim amigo,
quando está um dia de sol?...
Logo ele se sente em abrigo
e desembrulha o seu lençol.
Perdi o meu carrinho de lata
que era o único que eu tinha!...
O outro ouve e então desata
a sua ideia muito fresquinha.
Fica com o meu deste bolso
que no outro há um segundo;
não preciso de reembolso
és o melhor amigo do mundo!
António MR Martins
imagem da net
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
LAMENTO SURDO
Já corri por becos sombrios
Um desejo
De me esconder
Para lá de um nome
E tu encontras-me
Nas tristes madrugadas
E choro
Por não te ver
O grito agudo dos ventos
Que se esconde
Para lá das marés
Está inactivo
E os meus olhos
Abrem-se num foco
Que se estende
Por entre as dunas esquecidas
Sou eu
Num lamento
Surdo
Dolores Marques
in livro "Subtilezas da Alma", página 36, edições Edium Editores
Um desejo
De me esconder
Para lá de um nome
E tu encontras-me
Nas tristes madrugadas
E choro
Por não te ver
O grito agudo dos ventos
Que se esconde
Para lá das marés
Está inactivo
E os meus olhos
Abrem-se num foco
Que se estende
Por entre as dunas esquecidas
Sou eu
Num lamento
Surdo
Dolores Marques
in livro "Subtilezas da Alma", página 36, edições Edium Editores
asas bravias
batem
sem contenção
num movimento rudimentar
as asas
da contradição
não aceitam conformismos
não têm a beleza
de um majestoso voar
não têm a riqueza
que embeleza a visão
não são simétricas
na sua envolvência
não registam
o agrado dos semblantes
mas são a força pura
da liberdade
António MR Martins
imagem in http://www.fotoplatforma.pl/pt/fotos/5176/, na net
sem contenção
num movimento rudimentar
as asas
da contradição
não aceitam conformismos
não têm a beleza
de um majestoso voar
não têm a riqueza
que embeleza a visão
não são simétricas
na sua envolvência
não registam
o agrado dos semblantes
mas são a força pura
da liberdade
António MR Martins
imagem in http://www.fotoplatforma.pl/pt/fotos/5176/, na net
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
hoje é noite de não pensar
hoje é noite em que não quero pensar
de sacudir o espantalho da ansiedade
tenho os pensamentos arrumados na gaveta
não quero o pó das sensações
espalho ao vento a consciência
e conscientemente durmo livre dela
ou me remeto ao silêncio do meu casulo
ou a água escorre nua no meu corpo
e tu delicadamente vens sorvê-la gota a gota
é melhor não ficar estátua perdida sem jardim
António Paiva
de sacudir o espantalho da ansiedade
tenho os pensamentos arrumados na gaveta
não quero o pó das sensações
espalho ao vento a consciência
e conscientemente durmo livre dela
ou me remeto ao silêncio do meu casulo
ou a água escorre nua no meu corpo
e tu delicadamente vens sorvê-la gota a gota
é melhor não ficar estátua perdida sem jardim
António Paiva
Obs. - Hoje o António foi pai! Existe uma nova LUZ no seu seio e de sua companheira. Um momento grandiosamente feliz para estes novos pais. O António é um enorme amigo... da palavra e sobretudo da humanidade. Admiro-o! Tenho-o dito, amiúde. O poema aqui publicado faz parte da obra "70 poemas por um sorriso", publicado na página 38, edições Reditep. A totalidade da receita deste livro foi doada pelo António, revertendo a favor da APPACDM, de Setúbal. O António é, também, um homem de causas e está sempre disponível. Obrigado António por seres como és e por seres quem és, um escritor que cada vez mais admiro e não me canso de referenciar. Obrigado António Paiva! Minhas felicitações!
Corre por ti a água
Por ti corre a água
Em abundante fluir
Água de emoções
Às vezes contradições
Mas sempre verdadeira
Por ti corre
Em afagos carinhosos
Em melodias das mais simples
Mas de vibrar concludente
Anónima no seu carácter
Água imensidão
Que brota em todos os cantos
Projectada por todos os poros
Como pura manifestação
Da tua grandiosidade
Por ti sem ter volteio
Desliza na plenitude
Proveniência de aguaceiro
Ou de um jorrar possante
Nas margens do teu talude
Por ti correm as águas
Do eterno e bom sabor
Regando sempre a preceito
Com nuances de puro amor
No teu interiorizado jeito
Águas de todas as fontes
De rios que correm num leito
Entre vales e muitos montes
Numa ternura constante
Que se torna cativante
Por ti corre esse líquido
Porventura precioso
Num deleite consentido
Que te eleva a ser majestoso
Por tudo o que é permitido
São os tentáculos do amor
Em múltiplas rias do sentir
Onde as águas permanecem
Após terem corrido de ti
Em lagoas que enlouquecem
António MR Martins
imagem na net
Em abundante fluir
Água de emoções
Às vezes contradições
Mas sempre verdadeira
Por ti corre
Em afagos carinhosos
Em melodias das mais simples
Mas de vibrar concludente
Anónima no seu carácter
Água imensidão
Que brota em todos os cantos
Projectada por todos os poros
Como pura manifestação
Da tua grandiosidade
Por ti sem ter volteio
Desliza na plenitude
Proveniência de aguaceiro
Ou de um jorrar possante
Nas margens do teu talude
Por ti correm as águas
Do eterno e bom sabor
Regando sempre a preceito
Com nuances de puro amor
No teu interiorizado jeito
Águas de todas as fontes
De rios que correm num leito
Entre vales e muitos montes
Numa ternura constante
Que se torna cativante
Por ti corre esse líquido
Porventura precioso
Num deleite consentido
Que te eleva a ser majestoso
Por tudo o que é permitido
São os tentáculos do amor
Em múltiplas rias do sentir
Onde as águas permanecem
Após terem corrido de ti
Em lagoas que enlouquecem
António MR Martins
imagem na net
sábado, 8 de janeiro de 2011
[Incerto e obscuro é o destino]
Incerto e obscuro é o destino
e o mais certo é o que nele há de fatal
Mas se a pátria for um valor tudo será pior
porque ter-se-á perdido o sentido da unidade
A separação será mais funda mais fundo o desatino
sem o sustentáculo de uma comunidade
e a chama da pátria não será a rosa viva
do coração de cada homem como verdade ou valor
Ao silêncio de Deus podem os homens responder
com as constelações que só a pátria gera
porque ela é o valor que outros valores promove
Por ela a estranheza do mundo torna-se familiar
constituindo um lugar habitável e ameno
e um lugar será a terra e um lugar será o mundo
Poderá ele ser na mão a tensão pacífica de um arco
ou a verde ondulação de uma anca transparente
e uma lúcida mulher com o aroma do horizonte?
António Ramos Rosa
in livro "Pátria Soberana seguido de Nova Ficção", Prémio Literário de Sintra - Ruy Belo/2001, página 29, edições Quasi
e o mais certo é o que nele há de fatal
Mas se a pátria for um valor tudo será pior
porque ter-se-á perdido o sentido da unidade
A separação será mais funda mais fundo o desatino
sem o sustentáculo de uma comunidade
e a chama da pátria não será a rosa viva
do coração de cada homem como verdade ou valor
Ao silêncio de Deus podem os homens responder
com as constelações que só a pátria gera
porque ela é o valor que outros valores promove
Por ela a estranheza do mundo torna-se familiar
constituindo um lugar habitável e ameno
e um lugar será a terra e um lugar será o mundo
Poderá ele ser na mão a tensão pacífica de um arco
ou a verde ondulação de uma anca transparente
e uma lúcida mulher com o aroma do horizonte?
António Ramos Rosa
in livro "Pátria Soberana seguido de Nova Ficção", Prémio Literário de Sintra - Ruy Belo/2001, página 29, edições Quasi
Tanto sofres linda criança
Sentida!...
Na face o rosado de suas bochechas,
embora minguadas.
A boca curvando suas linhas
em desígnios de tristeza.
Uma gota
lhe caiu de um dos olhitos.
O soluçar,
do vai e vem,
se apodera de seu semblante…
enquanto desliza
aquela pequena e ferida lágrima.
Rosto de criança!…
Não daquelas que temos connosco,
em casa.
Outra menina?
Outro menino?
Outro mundo?
Outra existência?
Mas tudo isto se passa ao nosso lado!
Criança filha,
que não tem pais.
Criança neta,
que não tem avós.
Criança sobrinha,
que não tem tios.
Criança prima,
que não tem primos.
Ai como é dura a vida
e como é tão rude subsistir!
Ai como é diferente a medida
de todo o universo no existir!
E ainda há crianças felizes!...
António MR Martins
imagem (criança asiática de rua), na net.
Na face o rosado de suas bochechas,
embora minguadas.
A boca curvando suas linhas
em desígnios de tristeza.
Uma gota
lhe caiu de um dos olhitos.
O soluçar,
do vai e vem,
se apodera de seu semblante…
enquanto desliza
aquela pequena e ferida lágrima.
Rosto de criança!…
Não daquelas que temos connosco,
em casa.
Outra menina?
Outro menino?
Outro mundo?
Outra existência?
Mas tudo isto se passa ao nosso lado!
Criança filha,
que não tem pais.
Criança neta,
que não tem avós.
Criança sobrinha,
que não tem tios.
Criança prima,
que não tem primos.
Ai como é dura a vida
e como é tão rude subsistir!
Ai como é diferente a medida
de todo o universo no existir!
E ainda há crianças felizes!...
António MR Martins
imagem (criança asiática de rua), na net.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
IMPULSO!
o impulso inicial
se viesse de fora
tinha força contínua
se viesse do âmago
teria velocidade
e aspecto de pândego...
o impulso que dei
aos saberes de outros
levou de vencida
sem fugir da lei
uns quantos de poucos
a enaltecer a vida!
(ainda se ao menos tivesse sido assim...)
Fernando Morais
in livro "Ao Povo do Mundo", página 45, edições Temas Originais
se viesse de fora
tinha força contínua
se viesse do âmago
teria velocidade
e aspecto de pândego...
o impulso que dei
aos saberes de outros
levou de vencida
sem fugir da lei
uns quantos de poucos
a enaltecer a vida!
(ainda se ao menos tivesse sido assim...)
Fernando Morais
in livro "Ao Povo do Mundo", página 45, edições Temas Originais
Existe a força que vem de nós
Existe um prazo em cada hora
neste tempo que se demora,
por onde só trovejam sinais
muitos deles somente virtuais.
São ríspidas chamadas à razão
e ao tempo de cada humano
pelo seu uso e sua duração.
São gritos castigadores mas reais
que tentam manobrar no engano
e no moderar de todos os capitais.
Existem sinais no que penso
que não transponho à palavra
pelo significado que não teriam
nas desconexas ideias do mundo.
Utopia de todos os mares
e do céu que os acompanham
num grito revolto e profundo.
São desencadeados tremores
que sentem a tristeza parceira
neste vulgar corrupio de dissabores.
Existe um espectro dissonante
neste corpo também pensante,
materializado em som estático
que se mantém assaz apático.
São as presas inconstantes
que nos envolvem galopantes
e se tornam dilacerantes.
São os meios que nos revoltam
e nos fazem sentir nada
no nada que realmente somos.
Existe sempre a esperança
entre tanto contratempo
e nos traz sempre à lembrança
termos sido criança num tempo.
Lutemos com as nossas mãos
pela força que vem da mente
e com a arma que nos pertence.
Urge quanto antes decidir
que neste mundo de interesses
a coragem da razão é que vence.
António MR Martins
imagem da net
neste tempo que se demora,
por onde só trovejam sinais
muitos deles somente virtuais.
São ríspidas chamadas à razão
e ao tempo de cada humano
pelo seu uso e sua duração.
São gritos castigadores mas reais
que tentam manobrar no engano
e no moderar de todos os capitais.
Existem sinais no que penso
que não transponho à palavra
pelo significado que não teriam
nas desconexas ideias do mundo.
Utopia de todos os mares
e do céu que os acompanham
num grito revolto e profundo.
São desencadeados tremores
que sentem a tristeza parceira
neste vulgar corrupio de dissabores.
Existe um espectro dissonante
neste corpo também pensante,
materializado em som estático
que se mantém assaz apático.
São as presas inconstantes
que nos envolvem galopantes
e se tornam dilacerantes.
São os meios que nos revoltam
e nos fazem sentir nada
no nada que realmente somos.
Existe sempre a esperança
entre tanto contratempo
e nos traz sempre à lembrança
termos sido criança num tempo.
Lutemos com as nossas mãos
pela força que vem da mente
e com a arma que nos pertence.
Urge quanto antes decidir
que neste mundo de interesses
a coragem da razão é que vence.
António MR Martins
imagem da net
domingo, 2 de janeiro de 2011
Assumo-te
Sou eu quem te chama.
Aclama por ti dia e noite.
Apelo para te ver.
Cheirar a tua pele e
sentir o teu corpo suave.
Loucura que me mostras, inocente,
esta mistura doce do teu cabelo entre os meus dedos.
Solitário sou quando não te tenho
mas anseio.
Amo-te na passagem de todas as horas
mesmo quando fechado neste armário que é o meu corpo.
Espalha em mim a delicadeza do seres mulher,
que te assumo, urgente,
no meu futuro a dois
Gonçalo Lobo Pinheiro
Aclama por ti dia e noite.
Apelo para te ver.
Cheirar a tua pele e
sentir o teu corpo suave.
Loucura que me mostras, inocente,
esta mistura doce do teu cabelo entre os meus dedos.
Solitário sou quando não te tenho
mas anseio.
Amo-te na passagem de todas as horas
mesmo quando fechado neste armário que é o meu corpo.
Espalha em mim a delicadeza do seres mulher,
que te assumo, urgente,
no meu futuro a dois
Gonçalo Lobo Pinheiro
sábado, 25 de dezembro de 2010
Há um abraço para ti que te quero ofertar
Há um tempo do tempo
Que tenho para te dar
Há uma filhós que aloira
No seu suave fritar
Há uma réstia de esperança
Para uma vida de encantar
Há uma luz que nos prende
Para nesta época festejar
Há um amigo do peito
Que está connosco noutro lugar
Há a razão de um destino
Que procurámos alcançar
Há um sentido da vida
Que não queremos amordaçar
Há a fome que invade
E se tende a atiçar
Há um presente que espera
Pelo ávido desembrulhar
Há o sorriso da criança
Impossível de igualar
Há uma família compacta
Separada pelo processar
Há um abraço enorme
Que não conseguimos quantificar
Há uma estrela cadente
Que não pára de brilhar
Há um menino que nasce
Que veio ao mundo para nos salvar
Há tanta gente na Terra
Que não se consegue libertar
Há uma mente que pensa
A forma de elogiar
Há uma mão que cumprimenta
Não se querendo emocionar
Há um coração que saltita
Com a ânsia de poder amar
Há um amigo que espera
O momento de o abraçar
António MR Martins
2010.12.23 (Natal/2010)
Para todos os meus amigos
Que tenho para te dar
Há uma filhós que aloira
No seu suave fritar
Há uma réstia de esperança
Para uma vida de encantar
Há uma luz que nos prende
Para nesta época festejar
Há um amigo do peito
Que está connosco noutro lugar
Há a razão de um destino
Que procurámos alcançar
Há um sentido da vida
Que não queremos amordaçar
Há a fome que invade
E se tende a atiçar
Há um presente que espera
Pelo ávido desembrulhar
Há o sorriso da criança
Impossível de igualar
Há uma família compacta
Separada pelo processar
Há um abraço enorme
Que não conseguimos quantificar
Há uma estrela cadente
Que não pára de brilhar
Há um menino que nasce
Que veio ao mundo para nos salvar
Há tanta gente na Terra
Que não se consegue libertar
Há uma mente que pensa
A forma de elogiar
Há uma mão que cumprimenta
Não se querendo emocionar
Há um coração que saltita
Com a ânsia de poder amar
Há um amigo que espera
O momento de o abraçar
António MR Martins
2010.12.23 (Natal/2010)
Para todos os meus amigos
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
CRIANÇA
Não semeou o trigo
A lágrima secou
Olhos acordados
A lágrima secou
Olhos acordados
[vidrados]
Ausência de vida
[Esperando]
Criança
Não te vás!
Manuela Fonseca
in livro "Poesia sem remetente", edições Temas Originais
Coesão
Dedicado a Marília Inácio
pelo seu aniversário – 2010.12.10
Na espera, o passar de um tempo,
esfumado entre quimeras e abraços;
vestígios ruins em contratempo
na fortaleza da amizade e seus passos.
Passaram muitos anos por nós,
num abraço que contempla o mundo;
de nós ergueu-se, sempre, a voz
num apelativo sentir profundo.
Abraçar-te, amiga, aqui e agora,
em tempos de frágil esperança,
neste viver sem ter o troco.
Fortalecida a amizade se demora,
como simples sorriso de criança
perdido neste mundo tão louco!...
António MR Martins
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