Abafam-se as ondas deste mar
e os ruídos da noite escura,
brilhando nas águas o luar
por entre sedutora brandura.
Sonham-se enredos de magia
entre as palavras e os gestos,
suprem-se máculas na nostalgia
e esquecem-se tantos protestos.
Sintonizam-se pelos semblantes
num olhar de mútuo consenso,
vislumbrando doce harmonia.
Brade o mar os sons latejantes
em aromas de puro incenso
e com a lua leva a noite fria.
António MR Martins
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
[Poeta é aquele que, ao ouvir o uivo do lobo...]
Poeta é aquele que, ao ouvir o uivo do lobo, não segue o seu caminho
Uiva com ele...
O poeta entende as flores e seus vocábulos de pólen
O poeta inventou as ondas do mar porque não conseguia dormir
O poeta é o vento que retira as máscaras das montanhas para lhes beijar os lábios
Um poeta consegue vislumbrar o sexo dos cometas e a marturbação faiscante dos astros
Poeta é aquele que oferece mel aos mortos para que não chorem
Transforma em fogo as lápides do cemitério e os obituários no voo do morcego
Os poetas constroem catacumbas de palavras pela madrugada da cidade
Só os poetas conseguem furtar o canto do bicho-da-seda
E guardá-lo para alguém, sob a forma de uma rosa
O poeta brilha dentro dos olhos do gato pela noite
O poeta é da mesma cor da sinfonia da terra
Poeta são dois sonhos que se encontram num sonho maior
Segredos libertados como poalha fosforescente das crinas do cavalo
Um poeta é o filho pródigo das paisagens, a língua morna do tempo
Um poeta é a frágil porcelana de um sorriso.
Ser poeta é saber morrer quando é preciso.
Pedro Vieira Magalhães
in livro "Imaginários Corvos de Sangue", página 45, edições Edita-me, Porto, 2011.
Nu da palavra
Amarrado singelo
Despido na plataforma
Desguarnecido da eloquência
Desembainhado no nó
Tosco no melindre
E na nudez da envolvência
Detido a descoberto
Não disfarçado de nada
Patente de toda a proveniência
Apreendido só
Da metáfora desprovido
Destituído de qualquer saliência
Preso na desprotecção
E de toda a alienação
No sentido da conveniência
Algemado ao pó
Da escrita não vestido
A cumprir rude penitência
António MR Martins
Despido na plataforma
Desguarnecido da eloquência
Desembainhado no nó
Tosco no melindre
E na nudez da envolvência
Detido a descoberto
Não disfarçado de nada
Patente de toda a proveniência
Apreendido só
Da metáfora desprovido
Destituído de qualquer saliência
Preso na desprotecção
E de toda a alienação
No sentido da conveniência
Algemado ao pó
Da escrita não vestido
A cumprir rude penitência
António MR Martins
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
"neste rio do país das águas"
Mas nunca a subjugação
No apêndice da decência
Seja qual for seu timbre
Ou toda a absorção
Jamais as palavras ofendem
Sendo ditas pela verdade
Ou na razão que se tenha
Mesmo sendo diferente
Daquela de quem ouve
E nesse possível desacordo
Deve assumir-se a contenção
Para não gerar confusão
Em cada discordar de ideias
Mas nunca a subjugação
António MR Martins
Seja qual for seu timbre
Ou toda a absorção
Jamais as palavras ofendem
Sendo ditas pela verdade
Ou na razão que se tenha
Mesmo sendo diferente
Daquela de quem ouve
E nesse possível desacordo
Deve assumir-se a contenção
Para não gerar confusão
Em cada discordar de ideias
Mas nunca a subjugação
António MR Martins
domingo, 19 de fevereiro de 2012
O meu livro "Águas de Ternura", a ser lido em Valongo
Maria Laurinda, uma amiga da Profª. Maria Alexandra Garcez (que adquiriu o livro), lendo
"Águas de Ternura", no Salão de Chá do Continente, em Valongo.
Foto por obséquio da Profª. Maria Alexandra Mendonça Garcez.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
O MENSAGEIRO - EL MENSAJERO
As rugas do teu rosto são as linhas
visíveis da mensagem
lê-se em cada linha
as ruínas da vitória
Com sandálias molhadas pelos rios
com os pés febris, vens de longe
com os olhos, como espelhos
da mensagem
e tocas outras distâncias com o olhar
o coração desocupado, só
a mensagem que carregas
de Maratona é o que importa
Chegas ao teu reino e a tua calma
virá depois da morte.
* Versão portuguesa.
--------------------------------
Las arrugas de tu rostro son las líneas
visibles del mensaje
se lee en cada línea
las ruinas de la victoria
Con sandalias mojadas por los ríos
con los pies febriles, vienes de lejos
con los ojos, como espejos
del mensaje
y tocas otras distancias com el mirar
el corazón desocupado, sólo
el mensaje que traes
de Maratón es lo que importa
Llegas a tu reino y tu sosiego
vendrá tras la muerte.
* Versão castelhana.
----------------------
J. T. Parreira
in livro "Encomenda a Stravinsky" - "Encomienda a Stravinsky", págs. 32 e 33, edições El Taller del Poeta S. L., Fernando Luis Pérez Poza, Pontevedra (Espanha), 2011.
Dito e feito ou simples impertinência
Ao calar da noite fria
Se encolhe o rubor
Num aperto consensual
No leito condicional
Onde se aquecem os corpos
Que permanecem
Sujeitos à espera
Da artimanha de novos condimentos
No ecoar de outras vozes
Eis o regresso
Onde os pensamentos
Questionam as mentes
No calor adquirido
E no mútuo emanar
A dimensão de um retorno
O dos sentidos ao rubro
Sem quantificações
Por esse caminhar não estéril
Resulta o apogeu
Da consumação da espécie
António MR Martins
imagem da net
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Apresentação dos livros "Máscara da Luz", de António MR Martins e "Memória das Cidades", de Vítor Cintra, em Guimarães, no Tribunal da Relação, dia 16 de Fevereiro de 2012, pelas 16H30
Caros amigos,
A convite do Presidente do Tribunal da Relação de Guimarães, Dr. António Ribeiro, vimos, deste modo, solicitar-vos o prazer da vossa companhia na sessão de apresentação dos livros “Máscara da Luz”, de António MR Martins e “Memória das Cidades”, de Vítor Cintra, a ter lugar no respectivo Tribunal, Sala de Audiências, sito no Largo João Franco, 248, em Guimarães, no âmbito das festividades de "Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012", no próximo dia 16 de Fevereiro, pelas 16H30.
Obras e autores serão apresentados pelo Dr. António Ribeiro e pelo escritor José Ilídio Torres, respectivamente.
Aguardamos a vossa presença nesta salutar sessão de empatia com a palavra e com a poesia.
Tragam mais amigos convosco, todos serão bem vindos.
Agradecemos.
Nosso abraço
Poeta, minha Poeta!
Tua poesia é um jardim
que me encanta e invade minha alma
e de teu coração saltam palavras
de tua alma vêm flores
com um aroma especial
de grande carinho e amor,
que eu abraço
e meu coração pulsa
como coração poeta
provocando em mim
poemas e mais poemas,
para a Poeta e a Mulher,
que já vivem em meu corpo e alma
e serão momentos de intenso amor
por ti querido, sentido
e por mim desejado
num tempo que é o nosso “mundo”
sonhado, prometido
e agora concretizado!
José Manuel Brazão
* Quando vejo neste “mundo poético” grandes talentos retirarem-se desta vida activa fico triste muito triste e sinto um vazio na minha alma de poeta! *
A utopia do teu existir
Há um traje domingueiro
nas vestes que te adornam,
nesse traço tão ligeiro
que tantas visões afloram.
A quem te visse menina
saltitando campos fora,
te guardaria na retina
desde então até agora.
Ai cachopa, tua alegria
sutura feridas antigas,
teu sorriso é fantasia
princesa das raparigas.
Emerge assim a virtude
no despoletar sensações,
questionando a saúde
pelo bater dos corações.
Teu carisma prevalece
no decurso de cada dia,
desde que tal amanhece
até à noite mais sombria.
Tantos te adoram assim,
graciosa no belo ser
e eu tenho cá para mim:
- Ainda estás por nascer!
São as miragens de sempre
da utopia e da negação,
olhares de tanta gente
quando têm tudo à mão.
António MR Martins
imagem da net
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
VÉNUS ANTIGA
Chamaram-te Vénus
não se percebe por que razão.
O teu rosto é de terra
e dos seios pesados que acaricio
emana o eflúvio esmaecido
das águas de mosto onde vegeta a vida.
Toco-te o ventre
iluminado por tantas promessas
e o teu som é cavo e mudo
como a seiva invadindo as árvores
Mas os homens
lançam sem cessar teu nome escuro
à chama do desejo:
acreditam talvez que,
por fim,
não tenham de regressar
ao útero matricial
que coroa a tua escultura silenciosa
Sara Timóteo
Entre o calor e o frio
No descobrir da tua pele
já nada se tem por igual,
neste âmago que repele
teu caminhar acidental.
Tuas mãos junto às minhas
em afago bem evidente,
a melhor das mezinhas
com efeito previdente.
Neste trilho relevante
donde esqueço moradas,
fica um olhar penetrante
entre as faces rosadas.
São pedaços supremos
num cortejar tão saliente,
pelo gotejar fiquemos
num sentido muito quente.
Tudo por aí se demora
rolando ou saltitando
e por esses tempos fora
felizes vamos andando.
Neste frio que tanto fere
sosseguemos na caminha,
quando o calor confere
retiramos a roupinha.
São gestos de influência
que nos levam a palpitar,
enredos de apetência
e outros de simples sonhar.
São mosaicos desta vida
onde se pintam paisagens,
de uma tela proibida
ou em laivos de miragens.
António MR Martins
já nada se tem por igual,
neste âmago que repele
teu caminhar acidental.
Tuas mãos junto às minhas
em afago bem evidente,
a melhor das mezinhas
com efeito previdente.
Neste trilho relevante
donde esqueço moradas,
fica um olhar penetrante
entre as faces rosadas.
São pedaços supremos
num cortejar tão saliente,
pelo gotejar fiquemos
num sentido muito quente.
Tudo por aí se demora
rolando ou saltitando
e por esses tempos fora
felizes vamos andando.
Neste frio que tanto fere
sosseguemos na caminha,
quando o calor confere
retiramos a roupinha.
São gestos de influência
que nos levam a palpitar,
enredos de apetência
e outros de simples sonhar.
São mosaicos desta vida
onde se pintam paisagens,
de uma tela proibida
ou em laivos de miragens.
António MR Martins
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Portugal
Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que te dou.
Mostro aos olhos que não te desfigura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.
E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço:
Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.
Miguel Torga, in 'Diário X'
Efeitos e sentidos do amor
Entre a luz
E o brilho intenso
Há a diferença da cor
E da luminosidade
Aquela que vemos
E a que não conseguimos ver
Tal como na paixão
E no amor
Há a diferença da dor
E da intensidade
Aquela que é intensa
E a que não o sendo
Nos fica para sempre
Apensa
Como tudo o que não temos
Mas que sempre sentimos nosso
Tão nosso como esse tudo
Ou o nada
Que tudo representa
António MR Martins
E o brilho intenso
Há a diferença da cor
E da luminosidade
Aquela que vemos
E a que não conseguimos ver
Tal como na paixão
E no amor
Há a diferença da dor
E da intensidade
Aquela que é intensa
E a que não o sendo
Nos fica para sempre
Apensa
Como tudo o que não temos
Mas que sempre sentimos nosso
Tão nosso como esse tudo
Ou o nada
Que tudo representa
António MR Martins
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