sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

VÉNUS ANTIGA


Chamaram-te Vénus
não se percebe por que razão.

O teu rosto é de terra
e dos seios pesados que acaricio
emana o eflúvio esmaecido
das águas de mosto onde vegeta a vida.

Toco-te o ventre
iluminado por tantas promessas
e o teu som é cavo e mudo
como a seiva invadindo as árvores

Mas os homens
lançam sem cessar teu nome escuro
à chama do desejo:
acreditam talvez que,
por fim,
não tenham de regressar
ao útero matricial
que coroa a tua escultura silenciosa

Sara Timóteo

1 comentário:

Sara Timóteo disse...

Muito me honra este seu miminho!

Obrigada pela leitura maravilhosa que fez do meu poema «Vénus Antiga».

Fiquei comovida e agradavelmente surpreendida!

Cumprimentos calorosos para o amigo poeta,

Sara Timóteo