quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Vou estar presente no 6.º Festival Literário de Macau - Rota das Letras 2017
Hélder Beja, sub-director do Festival, anunciou na sua página pessoal do Facebook:
"Sérgio Godinho, Pedro Mexia, Raquel Ochoa, Bruno Vieira Amaral, Djamilia Pereira de Almeida, Filipe Melo, Henrique Raposo, Jessica Faleiro, José Manuel Rosendo, Inocência Matta, José Rodrigues dos Santos, Hannah Tunnicliffe, Abraão Vicente, João Nuno Azambuja, Grace Chia, João Morgado (Oficial), Abdulai Silá, António MR Martins, Benjamin Moser, Philippe Graton, Krys Lee, Brian Castro, Clement Baloup, Xu Xi, Ciwanmerd Kulek, Clara Law, Eddie Fong, Sanaz Fotouhi, Chen Li, Lo Yi-Chin, Wang Cong-wei, Dorothy Tse, Liu Waitong, Wang Jiaxin, btr, Ouyang Jianghe, Zhang Yueran, Qin Wenjun, Graeme Macrae Burnet, Madeleine Thien, Konstantin Bessmertny, John Young, Ka Long Wong, Christine Hsu, Gil Mac e DEMO, Eric Chau, Rai Matsu, José Manuel Simões, Lawrence Lei, o grande Yu Hua e mais - não é fácil listar todos estes autores que aceitaram fazer parte da edição deste ano da Rota das Letras. Obrigado a todos. Vemo-nos em Março."
Mais informação poderá ser obtida no seguinte link.
Rui Rocha
Rui Rocha, foto de Gonçalo Lobo Pinheiro.
na cor sedenta da chuva
as margens dos teus braços
gritam à passagem das minhas mãos
que se balançam no teu corpo húmido.
apenas me lembro do eco ainda soando
não sei se da noite se da tua boca
quando naufraguei em silêncio
nas horas longas do teu ventre.
Rui Rocha, in “A Oriente do Silêncio”, página 40 (in “a noite dos dias”), edições Esfera do Caos Editores, Janeiro de 2012.
Pelos caminhos das Ruínas de S. Paulo
Ruínas de S. Paulo, Macau. Foto de António Martins.
São multidões caminhantes,
sobem e descem as escadas
e as ruas sujas de milhões de passos.
Ecoa o prurido das vozes
salpicado de sorrisos ambulantes,
o silêncio também por lá passa.
Mas ninguém vê, ninguém sente.
Tiram-se fotos, modo “selfies”, a torto e a direito,
individuais ou em grupo,
apalhaçadas, sorridentes,
sensualizadas, entredentes,
harmonizadas, pertinentes, satirizadas, evidentes
ou mais estudadas pelas mentes.
Mas ninguém vê, ninguém sente.
E tanta, tanta gente
olha, observa
e às vezes detém-se por instantes.
Há quem toque as expostas paredes
e transmita expressões risonhas,
sérias, bacocas, tontas ou de mera surpresa.
Mas ninguém vê, ninguém sente.
Pela escadaria se sentam,
se alimentam e se inventam.
Os telemóveis (agora de tantos nomes)
que todos têm, falam para o próximo
e para o distante…
e fotografam a pele, que um dia enrugará.
Mas ninguém vê, ninguém sente.
Na Tcha ladeia o monumento,
tal como a sobra das muralhas da defesa
e a Fortaleza do outro lado,
os canhões em silêncio permanecem,
perfilados num tempo…
de todos os tempos.
Mas ninguém vê, ninguém sente!…
António MR Martins
sábado, 28 de janeiro de 2017
António Duarte Mil-Homens
António Duarte Mil-Homens
Navegarei um dia
numa urna final,
não num mar de prantos
- morrer é tão natural -
mas numa enseada de espantos,
rumo às chamas libertantes
das memórias do futuro
no espelho do que fui antes.
Não me chorem, antes lembrem,
se algo houver a lembrar,
colham histórias nas estantes
de quem procurei amar…
António Duarte Mil-Homens, in “Vida ou Morte duma Esperança Anunciada”, página 28, edição do Autor, Macau, 2010.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
À Biblioteca Sir Robert Ho Lung
Biblioteca Sir Robert Ho Lung, em Macau. Foto de António Martins
Os jardins prestavam vassalagem
aos passos dos visitantes,
em adormecida contemplação.
Os bambús predominavam com elegância,
num galanteio sem arestas
preconceituosas.
Numa das mesas do exterior
um desconhecido jogo
atiçava a pele de jovens alunos,
em ócio de final de semana.
Enquanto os livros descansavam
no retiro compensador das palavras,
acomodados em estantes dos sonhos,
nos seus conteúdos
repousavam tantas vidas inquietas.
No interior o silêncio era mestre
e nem as compenetradas mentes
desferiam um suficiente sopro
que possibilitasse ouvir
qualquer folha em movimento.
Ao deixar este magnífico palco
um grito de alegria soa em cada ímo
e um sorriso nos faz seguir em frente,
na saudade de tantos cheiros misturados.
António MR Martins
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Camilo Pessanha
Camilo Pessanha (1867-1926)
ESTÁTUA
Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.
Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.
E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correto
Desse entreaberto lábio gelado…
Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.
Camilo Pessanha (Coimbra, 1867-Macau, 1926), in “Clepsidra”, página 16, edição bilingue, com tradução de Yao Feng, Instituto Internacional de Macau, 2016.
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
À Deusa A Má
Monumento à Deusa A Má, em Coloane, Macau.
Foto de António Martins
Ergueram-te,
de modo soberbo,
na divindade do taoísmo,
observando Coloane,
onde os traços crescem gigantescos,
ali mesmo defronte,
e te enevoam o horizonte.
Às tuas costas, a praia
onde deixaste de proteger
navegantes e pescadores,
já que os mercadores
se mostram, agora,
arredios destas paragens.
Ligam-te às origens de Macau:
Má Chou, Tui Han ou Néong-Má,
te enredam nesse sentido,
pelas metáforas, mais longínquas,
das simples alcunhas electivas
ou na vastidão dos teus pseudónimos.
A tua imagem “Mãe”,
essa, mantém-se intacta
em pleno realce no topo
da ilha de Coloane.
António MR Martins
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
caminho a prosseguir
Imagem da net, em: O nosso rasto.
te enlevo
no pensamento penetrante
das minhas íntimas vozes
e
das origens bacocas
desprotegidas
te
incendeio
nas
chamasdo aconchego relevante
com
os apetrechos
que
invento pelas madrugadas
te
exalto
na
subtileza do sere na desmedida fonte
da riqueza de todas as águas
a
tua permanência
me
apara o desânimo e me ilumina
o doce caminho
que devo prosseguir
nesta centelha da vida
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Gregorio Duvivier
não para não para não
para não
a
palavra para que antes fazia pessoas
pararem
agora já não tem acento igualà palavra para que indica que as pessoas
estão indo para algum lugar geralmente
sem parar isso é um sinal dos tempos
o que antes parava agora não para não
Gregorio Duvivier, in “ligue os pontos (poemas de amor e big bang)”, página
75, edições Companhia das Letras, 2013 (São Paulo – Brasil).
Paradoxos
Imagem da net, em: paradoxosdoedu.blogspot.PT
Amarrotada
a folha mensageira
onde a novidade
se expõe,
sem amarras.
A
janela aberta
serviu
de arremessonum indelicado,
e defeituoso, jeito
do ser.
Perdem-se,
assim,
as
palavras nunca lidase o vento
desembrulha a liquidez
de todos os parágrafos.
Um
subtil arrepio
intimistaprevalece
e tudo segue em frente,
de um outro modo.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
João Carlos Esteves
REFLEXO IMPERFEITO
viste
nos meus olhos o mistério dos silêncios
mas
neles não vislumbraste o oceano adormecidonem os rios que o beijam em devoção
não
percebeste o cintilar da minha noite
nem
a vontade que desponta na alvoradaapenas viste as nuvens que percorrem os meus dias
e que projectam sombras
nos sorrisos que se soltam
olhaste-me
sem
veres as ilhas que abraçam o meu marnem as falésias que lhe acalmam o furor
guardaste
em ti
um
reflexo imperfeito
João Carlos Esteves, in “ Inventei-te as manhãs”, página 71, edições Chiado
Editora, Julho, 2013.
Jeito de ser feliz
Imagem da net, em: www.mensagenscomamor.com
Dei por ti
na esquina da vida,
depois de tanta omissão contida.
Dei por ti
numa mensagem já lida,oprimido num beco sem saída.
Dei por ti
pelos dias passivos,no quintal dos versos cativos.
Dei por ti
pelos silêncios sofridos,no encontro dos prantos esquecidos.
Senti-te
num abraço verdade,ante o teu sorrir da felicidade.
Encontrei-te
semente do universo,tema amor do meu único verso.
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