quarta-feira, 25 de março de 2009

Aprazada reconciliação

Ainda me recolhem na mente
aqueles pontificantes momentos,
que nos fizeram sentir gente
sem rancores e sem lamentos!...

Foram apaziguadoras situações
que fortaleceram empatias...
apagando as velhas questões
onde terão faltado sintonias.

Pacificou-se o entendimento
desde o último contratempo,
sem qualquer razão de ser...

Síntese proveitosa a rever,
nas próximas conjunturas,
esquecendo todas as amarguras!...

terça-feira, 24 de março de 2009

As nossas crianças










* Bebé de 9 meses morre por asfixia, esquecido pelo pai, dentro do carro
* Criança de 10 anos violada repetidamente pelo padrasto com a conivência da mãe
* Criança de 9 anos aborta de gémeos, depois de repetidas violações pelo padrasto. A irmã, de 14 anos, deficiente mental, sofria dos mesmos abusos.
Estas foram, nos últimos dias, algumas das notícias que ocuparam os jornais. Vou juntar mais umas, algumas do meu conhecimento pessoal, outras das notícias que vieram a lume nos últimos tempos.
- Criança de 4 anos atirada da ponte de Sidney, Austrália, pelo pai
- Pais drogam criança com Atarax ou Actifed para poderem sair à noite enquanto o filho dormia em casa
- Bebé de poucos dias de idade salva pela polícia, depois de ter sido deixada dentro do carro pela mãe que foi ao centro de saúde
- Pai esquece-se de filho de 5 anos, sozinho em casa, e só se lembra dele quando o Jardim de Infância lhe telefona a perguntar pela criança
- Bebé de 17 meses morre vítima de maus tratos por parte da mãe e do padrasto
Quantos mais exemplos se poderiam aqui dar, de situações em que seres ditos humanos maltrataram, violaram ou mataram outros seres que deles dependiam? Que futuro estará reservado para o ser humano, enquanto espécie, se, cada vez mais, os descendentes são tratados desta maneira inqualificável e inacreditável.
Que futuro?
Dizem, os cientistas, que o ser humano é um ser racional. E que os animais são irracionais. Que racionalidade existe neste tratamento que é dado às crianças?
Os animais, os tais que são irracionais, não o fazem. Então, afinal, quem é racional?
Por nove meses carreguei cada um dos meus filhos, protegendo-os para que se pudessem formar em segurança. A minha responsabilidade enquanto mãe não terminou no dia em que nasceram. Antes pelo contrário. A responsabilidade dos progenitores de protegerem os seus filhos é uma realidade desde o dia em que são concebidos, até ao dia em que falecemos. Protegê-los com amor, com dedicação e com atenção. Amá-los de forma incondicional como eles nos amam. Por mais que me esforce, por mais que tente, não consigo entender como é que, quem devia proteger as crianças, não o faz e põe em risco, deliberadamente, a sua integridade física e psíquica.
Serei a única a não entender e a não aceitar?
Magda Pais "Pedra Filosofal"

Assassinato da fome



Certeiro no seu disparo...

atingido o centro do alvo;

sem definir um reparo

se colocou, ávido, a salvo.

Sugeriu a sua presa...

para consumar a desfeita;

liquidou com subtileza,

de uma forma perfeita.

Urge colocar-se a milhas,

para perseguido não ser;

foi no cacilheiro a Cacilhas

para o almoço comer!...

foto, em cima, de Luís Rodrigues (Kristo) - Cacilhas (manhã)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Site Oficial

Acabo de criar, com a ajuda do meu filho, o meu site oficial. Mais um local onde me podem encontrar com novidades acerca da minha poesia.

Apareçam!


Obrigado!

terça-feira, 17 de março de 2009

Lançamento do livro "Ser Poeta" de António MR Martins



Aconteceu no passado dia 14 de Março, no Campo Grande, nº 56, em Lisboa.
Numa sala repleta de familiares, amigos e conhecidos, António MR Martins, apresentou com a chancela da Temas Originais, o seu primeiro livro de poesia intitulado "Ser Poeta".
Um livro que reúne 52 poemas e nos dá a conhecer a poesia de António MR Martins, novo nestas andanças das edições de livros, mas já velhote no que concerne à escrita de poesia, que faz com regularidade desde os anos 70, tendo no meio disto tudo, arrecadado em 1993 o 1º lugar do Prémio de Poesia da Feira do Livro da Amadora.
As fotos, em seguida, mostram um pouco do que se passou naquele dia.


















Fotos de Gonçalo Lobo Pinheiro

Mulher

Tão leve como uma pena
passa um tempo sem destino
tão leve… na pura cena
nasce ao som do sino
a Mulher…

Tão leve,
nasce cada dia por preencher
e na essência de como se deve
ouso olhar para a mulher
que no silêncio caminha
dá,
entrega-se ao momento
e numa voz ausente
nada teme
quando leva o barco
pelo leme
ao seu porto seguro.

Tão leve nesse corpo angelical
moram os fragmentos
dos caminhos cortados
das insónias da vida
dos incómodos das palavras…

Tão leve…
Nasce cada sorriso matinal
que se perpétua
se mostra
e se diz feliz
no rosto de Mulher.

Paulo Afonso Ramos

segunda-feira, 16 de março de 2009

Nem com todo o dinheiro do mundo

Pedem-se alvíssaras...
pela entrega dos criminosos,
seres mesquinhos, asquerosos,
sombrios e impetuosos,
mesmo muito numerosos.

Dão-se alvíssaras...
por colecção de muitos desses seres.
Estão prontos para os prazeres
e para outros afazeres...
ou para aquilo que apeteceres.

Não dou nem quero dinheiro...
não os quero por preconceito,
não estou nada satisfeito.

Levem-nos daqui!...
porque não vão embora?
Não gostei nada do que vi...
saiam já daqui para fora!...

Se não quiserem, permaneçam,
desde esta curta hora.
Fiquem pela vida fora,
mas por favor não me enlouqueçam!...

domingo, 15 de março de 2009

Melhor o Silêncio

Não pretendo saber segredos,
Ungir as chagas dos feridos,
Nem perder-me nos sentidos
Dos insanos beijos-torpedos,
E d'amores malsucedidos...

Silencie seus versos vinhedos,
De poemas d'alma despidos,
Com tintos tons deprimidos,
E seus paladares azedos,
Que só estimulam as libidos!

Quero silêncios e degredos,
Solidões dos fracos gemidos,
Quero os abraços reprimidos,
Cravados de gelos e medos,
No meu peito enfim diluídos...

Betha M. Costa

O Cavalo Lusitano

Registo elegante
no seu saltar,
sua montada
estonteante,
bem dotada
a improvisar.
A sua origem
vem de Portugal,
outro não há,
assim, igual...
utilizado para
o trabalho,
para o desporto
e Alta Escola...
nas lezírias
do Ribatejo
e nos montes e planícies
do Alentejo.
Rigoroso na
aprendizagem...
pelos campinos
cavalo amado,
já os Romanos
o tinham pelo melhor...
na sela estava provado!
Todos o querem
nas cudelarias,
Alter do Chão
sua razão!...
Na elegância
é um primor,
para o hipismo
é espectacular,
mas no toureio
ele é exímio...
seu rodopiar
é de encantar,
apresenta-se na cara do touro,
sem medo, sem receio,
dando ao cavaleiro
saboroso louro.
Como é belo
seu soberbo porte,
elevativa
sua pujança,
tanto a galope
como a trote...
na cavalgada
com substância.
Como são esbeltos
estes cavalos,
preferidos pela
instância,
no decurso
de milhares de anos...
são Lusos...são Lusitanos!

foto em cima, à direita, de Gonçalo Lobo Pinheiro

quarta-feira, 11 de março de 2009

Simbiose

És Boca e eu Sorriso
És Brisa e eu sou Ar
És o Tudo que eu preciso
Nesta História de Encantar
És lenha e eu sou lume
És Fogo e eu sou Frágua
És Montanha e eu o Cume
És a Sede e eu sou a Água
És Areal e eu Maresia
És Onda e eu sou Mar
És Júbilo e eu Alegria
Nesta História de Encantar
És Deserto e eu Oásis
És Beleza e eu Flor
És a Folha e eu o Lápis
Que escreve este doce Amor
És Sentimento e eu Sentidos
Sou a História e tu o Tempo
Destes tantos instantes vividos
Que me invadem Coração adentro!!!!
Eu e Tu somos assim
Somos Loucura e Cumplicidade
Somos Simbiose sem fim
De Amor, Ternura e Verdade
Sandra Nóbrega "Fly"

Janela de luz

Permanecias
por entre a luz,
dimensionando
a luminosidade,
que se reflectia
através
daquela velha
janela.

Lembranças
de um passado
remoto
na quantificação
da minha
existência
terrena.

Momentos
de contornada
ternura
pela leitura
da poesia
mais bela.

Saudades
de outras horas
sumidas,
pelo declinar
da vida,
por pena...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Faço vinho das tuas lágrimas

Falo uma língua tão antiga
Que trago as mãos em calos
Nascem letras para uma cantiga
Nos enxertos dos teus bardos
Amo-te mulher em todas as prosas
Sou o maior dos perversos
Não despedaço corações, nem faço mossas
mas nascem-me espinhos nos versos
Tua alma espreita-me na poda
É mosto a fermentar os segredos
vício de vinho que não sai de moda
Por isso esmago com os pés os medos
Por isso sou farinha nesta roda
E o pão cresce no teu corpo de vinhedos
José Ilídio Torres

Naquela praia

Descansaram
nossos corpos,
debilitados,
pelo caminhar
extasiante
e continuo
no imenso
areal...

Descansaram
nossos seres,
numa duna
daquela praia,
exaustos
por a percorrer
ao sol quente
que em nós
se instala...

Descansaram
nossos físicos,
desta vez
constrangidos,
naquele espaço
amplo e terno,
eleito
para a poesia
ideal...

Descansaram
nossos portes,
depois de
muitas lacunas,
num fugir...
a sofrer
e na saudade
que nos
abala...

foto em cima, à direita, de Paulo A. Lopes

domingo, 8 de março de 2009

O Sonho (de "Amores")

Levas-me a mão
e, contigo, sou inteira.
Flutua a sensação
de que o reflexo
dos meus olhos
nos teus olhos
vale mais que uma vida.
Canto-te e pinto-te…
E, enquanto sonho,
adio a despedida.
Diana Correia

Simplesmente Mulher

Mulher
que tanto queria...
não fosses escrava
do tempo,
não agisses
por sequência,
não lutasses
por contratempo,
não fosses sujeito
por eminência!...
Mulher
que tanto queria...
pudesses sê-lo
a preceito,
pudesses ignorar
um defeito,
pudesses ultrapassar
o conceito e
proceder sempre
do teu jeito!...
Mulher
que enalteço
nestas singelas
palavras,
a quem humildemente
peço,
pela tua vivência
que agravas,
não pensando
sequer em ti,
de quem às vezes
esqueço
e por quem
nunca morri...
jamais de ti
me despeço!...
Mulher
mais belo jardim
do mundo,
suporte da
natureza,
ser sem ter
um rival...
celebras
por desengano
este dia
sem a certeza
de um dia te verem
por igual!..
À minha mulher, à dos outros e a todas as outras...
Ninguém é de ninguém, ou seja... Alguém a ninguém pertence.
Dia Internacional da Mulher
(Que não deveria existir... para bem da própria mulher!)
Domingo, 8 de Março de 2009