os sons estão impedidos de voar.
segunda-feira, 17 de outubro de 2022
[nunca colherei da primavera]
os cheiros dos versos
inexistentes
em meados de um Outono
António MR Martins
sábado, 8 de outubro de 2022
J. Coelho Bação
Consultamos nossa história em pensamento;
Regressando ao passado nessa hora,
Evitamos, que algo caia em esquecimento.
Das conquistas, que fizemos, com saber;
Somamos tempo à vida, que tivemos;
Solucionando e existindo com prazer.
E marcar com firmeza a consistência;
Levamos em pensamento o amor; para afirmar,
Que tudo, o que tivemos subsiste em permanência.
Tudo isto, é somatório do viver. É tudo isto a própria vida.
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
[este chão não mereço]
nem a palavra
pedra escondida receosa de tanto amor
que deixou de convocar
tambores
em melodias tão actuais
onde o rebanho se tresmalha
a cada pico do ruído
ou a expressiva palavra nunca dita
esvaio-me numa opressão sem limites
domingo, 25 de setembro de 2022
Na "Hora da Poesia", Rádio Vizela, 97.2 FM - 28 de Setembro de 2022, 4.ª Feira, 21H00
A convite da Conceição Lima, participarei na “Hora da Poesia”, Rádio Vizela, 97.2 FM, na próxima 4.ª Feira, dia 28, pelas 21 horas.
Link: htpp://radiovizela.pt/radiovizela.ask
Vamos falar de POESIA!...
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
Hirondina Joshua
esse menino é terrível ao tocar no cabelo da mãe
deixa fogo e brasa ao redor
o segundo acredita nos animais da cidade:
esse menino imagina a mãe.
o terceiro traz magnetismo no dedo anelar:
constrói deus fora de deus.
o menino constrói a nave usando a língua.
imagina a mãe, deixa fogo, cria deus, acredita, toca no cabelo.
quarta-feira, 14 de setembro de 2022
Banalidades constantes
costume brando, lerdo pensamento,
cortina sempre fechada, é morte
lucidez abnegada, é lamento.
Translúcida a pele tão lavada
incrementa ciclos temerários,
pela palavra nunca declamada
denominaram todos de otários.
Semáforo de luzes incolores
rastreia tantos sólidos amores
alimentando confusões prescritas.
Doce será a virtude da razão
suspendendo a fuga em foguetão
omitindo as raízes malditas.
António MR Martins
segunda-feira, 22 de agosto de 2022
Ante a indiferença das pedras
A pedra soletra
perante ervas e silvas selvagens
que germinam nas suas bermas
liberta-se de todas as raízes
e se inquieta suavemente
na origem de cada anoitecer
estabiliza
na acalmia de cada alvorada
omitida
junto à ultimada solidão da noite
renasce o soletrar
onde a sonora palavra não é vã
lançando-a com desmedida força
se empolga a plenitude do vento
e o sopro memorial
do tronco de milhares de vidas.
sábado, 13 de agosto de 2022
helicópteros
pela hélice
do helicóptero
se desvanece o perdido
pela aterragem soberba
se afastam
num assustado voo
o resto fica
em permanência
sucede o inverso
como antes
segunda-feira, 13 de junho de 2022
Faleceu António Correia, aos 73 anos (1948-2022)
Das mais diversas obras publicadas por António Correia, que tem colaborado igualmente com a imprensa, destacam-se, na poesia, “Amagao Meu Amor” (sonetos), Macau, 1992, “Rua Sem Nome” (romance), Lisboa, 1999, e, “Lisboa, em Haiku”, edição trilingue, em português, inglês e japonês, Lisboa, 2015. Participou ainda em diversas antologias de poesia de onde se destaca a última, editada em 2020 em Macau, intitulada “Rio das Pérolas”, com a chancela da Ipsis Verbis e coordenada pelo poeta português António MR Martins.
Mas não navego; deixo-me voar
Na emoção de saber que não me importo
De ser quem sou, sem nada desejar.
Que me enleve e me inspire esse poema
De amor à vida, no desprendimento
Das coisas que bem podem ser algema.
Basta não ficar preso a nenhum chão...
O corpo pode ser lodo e raiz;
Já a mente, seguramente não!
António MR Martins
domingo, 12 de junho de 2022
A voz da sapiência
que trago neste lume
onde as fagulhas se consomem
numa incerteza que me amanha
os sentidos adormecidos,
sem contextos de qualquer ordem
num expandir de sensações
que roçam o inexplicável.
de sentenças invariáveis,
de esplendor e outras não,
remendando pensamentos
que precipitam conceitos
de imparável solução.
desenredando interesses
que com a paixão dos deuses
exprime o desígnio final:
de uma sublime expressão.
terça-feira, 17 de maio de 2022
O esfumar da Fé
ávido de um expoente,
na Fé não conseguida
num calcorrear premente,
entre as esquinas do pensamento
onde quase tudo me assiste,
a todo e qualquer momento.
nos passeios da eloquência,
pela razão que já não tenho
na volta da penitência,
vivem passos desconformes
rastejando a Fé aos céus
e a tantos uniformes.
onde algo puro se adivinha,
nos pulos desta existência
na terra que também é minha,
nesta marcha eu fico à ré
por teimosias dispersas.
Ah! Quem me dera ter Fé!...
sábado, 14 de maio de 2022
Pedro Ludgero
primavera
o
sabão caído
na
bacia cheia
água
na boca do poeta
pimenta
na língua
distintos
os resultados
num
povo e na criança
a
flor stradivarius
sua
pétalas são fricções
de
um caule
pois
tudo é consoante
as
vogais não são vogais
na
hierarquia do canto
ainda
são páginas
na
primavera
as
folhas das árvores
Pedro Ludgero, in “um pouco mais ou menos serenidade”, página 26, edição
de autor, 2019.
Um livro que recomendo à leitura.
sábado, 23 de abril de 2022
Querendo-me
que nos aborda todos os dias.
Esta a luta diária do acervo
que nos é permitido.
Este é o ensaio da rotina a cada manhã.
e o palpitar assumido de cada imo,
em sensações ávidas de esperança.
em cada tempo de nós,
no seio das vidas permitidas.
Esta a ineficácia obrigatória
da desordem a que nos obrigam.
e nesta labuta contínua
surge o anseio de nos querermos,
cada vez mais, para sempre…
para todo o nosso sempre!...
a cada outono de nossas vidas.
quinta-feira, 7 de abril de 2022
A candeia das remotas memórias
Da candeia se apagam
as rédeas da visibilidade
e as gotas de petróleo secam seu desvario
numa acendalha descabida
onde outrora o azeite fazia sua escalada
as imagens ternas e aconchegantes
entre o denodo persistente do frio
e o pavio da concordância
que repele todas as máculas da tristeza breve
pousada no desvario da memória
se ungem os sentidos
através da tangente da sobrevivência
ante a espera do porvir
o calor único e a luz ténue
metamorfoseiam
a palidez incandescente
de um passado nunca esquecido
sobram tantos pedaços de história
na simplicidade do seu manusear
entre as esferas da solidão
e a negrura de tantas noites
cresce a escuridão do ocaso
na presença de tantos anseios
que aguardam ansiosamente
a claridade de um novo dia












