terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Pela Casa do Mandarim


Na Casa do Mandarim. Foto de António Martins.



Sobram salas e corredores
nas fileiras de tanta riqueza,
sonhei amores e desamores
pelos anéis impuros da perdição.

A submissão terá estado presente
em cada concubina 
da sentida espera,
os despojos das vestes perdidas
aromatizaram
a fragilidade das memórias 
e as flores quase decoram
toda a (im)perfeição.

As gaiolas desabitadas
potenciam o desalento
da inconveniência
e de tanto espaço frio
na imprudência humana,
onde o calor se esfumou.

Há rituais que se não cumprem
e um passado inquietante,
talvez alheio,
a tamanha riqueza sem palavras.

Os corredores ultimam
uma sã imagem da ilusão. 


António MR Martins

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Complementaridades


Imagem da net.


No limite de tanta cena
apogeu de tanto porvir,
num céu que nos acena
até ao momento de partir.

Ténue luz
sem condimento,
truz, truz…
bater sem fundamento.

A vida não é só estar
num anseio sem limites;
é canseira a desbravar
por renovados apetites.

Tanto passo dado em falso…
sustos, surpresas e ilusões
e por cada mero percalço
lá vêm extensos sermões.

Caminharei neste dilema
que me ilumina o caminho,
avançar é como emenda
que tratarei com carinho.

Cá estarei sempre a lutar
com armas de que disponho,
que passo a referenciar
porque delas me componho:

Mãos, coração,
pernas, braços,
mente…
ou seja: eu!


António MR Martins

Autores participantes no 6.º Festival Literário de Macau - Rota das Letras 2017


No site da Rota das Letras, no item Autores, estão indicados todos os participantes no 6.º Festival Literário de Macau 2017, por ordem alfabética, pode conhecê-los aqui

domingo, 12 de fevereiro de 2017

António MR Martins em escritores.online


O meu perfil na plataforma online escritores.online pode ser visto aqui.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Entrevista ao jornal "Ponto Final", de língua portuguesa, em Macau


1.ª página do jornal "Ponto Final", com alusão
à entrevista nas páginas 4 e 5, edição de 2017.02.10 (sexta-feira).
Um trabalho de Sílvia Gonçalves (entrevista) e
Eduardo Martins (fotos).

Página 4.


Página 5.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Henrique Levy


Henrique Levy



morri para ser teu

procura na terra
desbravada imersa
na solidão da noite
o meu corpo transformado
na aurora luminosa
cada manhã
envolta em branco
noiva viúva
viverás nesse encanto
procura amor nas minhas mãos
o sabor onde a tua alma repousa

e a luz meu deus!

tão branca parece a manhã
já clara dos teus olhos em êxtase
quando a minha boca
a tua percorria ardente

fui teu
morri para ser teu
tu ressuscitaste
deixando-me só
morto
envolto no meu burel
de noivo prometido
à vida 
que já tarda


Henrique Levy, in “O Silêncio das Almas”, página 23, edições CriarInovar, Macau, 2015.

Pelo Café Caravela




Café Caravela. Foto de António Martins.



Ao centro uma mesa vazia
e um expresso pedido ao balcão,
depois gente
algumas mesas cheias
outras com gente, também.

A caravela é presença
nas paredes daquele espaço
e há uma na vitrina exposta
semi tapada
pela ementa do dia.

A maior parte das palavras sopradas
soa a uma linguagem diferente,
aquela em que se diz saudade,
sem uma tradução sentida 
em tantas outras línguas.

Olham-se chegadas e partidas,
fala-se de quem acabou de sair
e da sua incapacidade pendente.

Quando alguém entra
também se ouvem tecer elogios, 
que feitios, que artimanhas,
que insensatez,
que mesquinhez…

Existe uma esplanada no exterior,
onde o silêncio não se tolera
e a roupa mais mal lavada
se tenta sujar um pouco mais, 
consecutivamente.

Entretanto chega o expresso,
Delta, cremoso,
mas sem o sabor da saudade.

Olho para o lado
e lá vejo, outra vez,
a ementa do dia tapando uma caravela,
daquelas dos descobrimentos…

Mais uma descoberta!


António MR Martins 

Cartaz oficial do 6.º Festival Literário de Macau - Rota das Letras 2017


Uma obra fantástica do artista Eric Fok.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

António MR Martins no Facebook


Para aceder à minha página oficial no Facebook, clique aqui.

6.º Festival Literário de Macau - Rota das Letras 2017




Jornal Tribuna de Macau, 2017.02.07

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Vou estar presente no 6.º Festival Literário de Macau - Rota das Letras 2017





Hélder Beja, sub-director do Festival, anunciou na sua página pessoal do Facebook:

"Sérgio Godinho, Pedro Mexia, Raquel Ochoa, Bruno Vieira Amaral, Djamilia Pereira de Almeida, Filipe Melo, Henrique Raposo, Jessica Faleiro, José Manuel Rosendo, Inocência Matta, José Rodrigues dos Santos, Hannah Tunnicliffe, Abraão Vicente, João Nuno Azambuja, Grace Chia, João Morgado (Oficial), Abdulai Silá, António MR Martins, Benjamin Moser, Philippe Graton, Krys Lee, Brian Castro, Clement Baloup, Xu Xi, Ciwanmerd Kulek, Clara Law, Eddie Fong, Sanaz Fotouhi, Chen Li, Lo Yi-Chin, Wang Cong-wei, Dorothy Tse, Liu Waitong, Wang Jiaxin, btr, Ouyang Jianghe, Zhang Yueran, Qin Wenjun, Graeme Macrae Burnet, Madeleine Thien, Konstantin Bessmertny, John Young, Ka Long Wong, Christine Hsu, Gil Mac e DEMO, Eric Chau, Rai Matsu, José Manuel Simões, Lawrence Lei, o grande Yu Hua e mais - não é fácil listar todos estes autores que aceitaram fazer parte da edição deste ano da Rota das Letras. Obrigado a todos. Vemo-nos em Março."




Mais informação poderá ser obtida no seguinte link.

Rui Rocha


Rui Rocha, foto de Gonçalo Lobo Pinheiro.



na cor sedenta da chuva
as margens dos teus braços
gritam à passagem das minhas mãos
que se balançam no teu corpo húmido.
apenas me lembro do eco ainda soando
não sei se da noite se da tua boca
quando naufraguei em silêncio
nas horas longas do teu ventre.


Rui Rocha, in “A Oriente do Silêncio”, página 40 (in “a noite dos dias”), edições Esfera do Caos Editores, Janeiro de 2012. 

Pelos caminhos das Ruínas de S. Paulo


Ruínas de S. Paulo, Macau. Foto de António Martins.



São multidões caminhantes,
sobem e descem as escadas
e as ruas sujas de milhões de passos.
Ecoa o prurido das vozes
salpicado de sorrisos ambulantes,
o silêncio também por lá passa.

Mas ninguém vê, ninguém sente.

Tiram-se fotos, modo “selfies”, a torto e a direito,
individuais ou em grupo, 
apalhaçadas, sorridentes,
sensualizadas, entredentes,
harmonizadas, pertinentes, satirizadas, evidentes
ou mais estudadas pelas mentes.

Mas ninguém vê, ninguém sente.

E tanta, tanta gente
olha, observa
e às vezes detém-se por instantes.
Há quem toque as expostas paredes
e transmita expressões risonhas,
sérias, bacocas, tontas ou de mera surpresa.

Mas ninguém vê, ninguém sente.

Pela escadaria se sentam,
se alimentam e se inventam.
Os telemóveis (agora de tantos nomes)
que todos têm, falam para o próximo
e para o distante…
e fotografam a pele, que um dia enrugará.

Mas ninguém vê, ninguém sente.

Na Tcha ladeia o monumento,
tal como a sobra das muralhas da defesa
e a Fortaleza do outro lado,
os canhões em silêncio permanecem,
perfilados num tempo…
de todos os tempos.

Mas ninguém vê, ninguém sente!…


António MR Martins

sábado, 28 de janeiro de 2017

António Duarte Mil-Homens


António Duarte Mil-Homens



Navegarei um dia
numa urna final,
não num mar de prantos
- morrer é tão natural -
mas numa enseada de espantos,
rumo às chamas libertantes
das memórias do futuro
no espelho do que fui antes.
Não me chorem, antes lembrem,
se algo houver a lembrar,
colham histórias nas estantes
de quem procurei amar…


António Duarte Mil-Homens, in “Vida ou Morte duma Esperança Anunciada”, página 28, edição do Autor, Macau, 2010.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

À Biblioteca Sir Robert Ho Lung


Biblioteca Sir Robert Ho Lung, em Macau. Foto de António Martins



Os jardins prestavam vassalagem
aos passos dos visitantes,
em adormecida contemplação.

Os bambús predominavam com elegância,
num galanteio sem arestas
preconceituosas.

Numa das mesas do exterior
um desconhecido jogo 
atiçava a pele de jovens alunos, 
em ócio de final de semana. 

Enquanto os livros descansavam
no retiro compensador das palavras,
acomodados em estantes dos sonhos,
nos seus conteúdos
repousavam tantas vidas inquietas.

No interior o silêncio era mestre
e nem as compenetradas mentes
desferiam um suficiente sopro
que possibilitasse ouvir
qualquer folha em movimento.

Ao deixar este magnífico palco
um grito de alegria soa em cada ímo
e um sorriso nos faz seguir em frente,
na saudade de tantos cheiros misturados.


António MR Martins