terça-feira, 14 de março de 2017

JAM SESSION DE POESIA / BRANCO & VERMELHO - 14 de Março, pelas 21H30


6.º Festival Literário de Macau - Rota das Letras 2017


Hoje irei dizer a minha poesia, durante cinco minutos, na sessão "Jam Session de Poesia", que terá lugar no Vasco Bar, no Grand Lapa Macau, pelas 21H30, na programação estabelecida para o 6.º Festival Literário de Macau - Rota das Letras 2017. 
Esta sessão estabelece-se com uma outra "Branco & Vermelho", o que vai dar azo a que ocorra uma interacção plena entre diversas artes, a poesia, a música, o teatro, a declamação, a dança, o gesto, etc.

Se quiser, e puder, apareça! 

E beba um copo, também!...

sexta-feira, 3 de março de 2017

Infinita beleza


Imagem na net.




Tu és a plenitude
do meu anseio,
superior patamar deste caminho.
Árvore sentido para a vida,
expoente da casa
no meu singelo ninho.

Tu és
a janela entreaberta, 
o sal benéfico
da existência,
o nascimento estratégico
de robustez e potência.

Tu és a palavra amor,
semente-abraço no infinito,
abrigo ao frio e ao calor.

Para mim,
o Ser mais bonito!...



António MR Martins

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A minha participação no 6.º Festival Literário de Macau - Rota das Letras 2017





4 de Março

20H30

舊法院大樓  | Edifício do Antigo Tribunal | Old Court Building

詩人咖啡館 | Café dos Poetas | The Poets’ Café

陳黎 Chen li, António MR Martins, 陸奧雷Rai Matsu, 王家新 Wang Jiaxin, 及澳門其他詩人 |e poetas de Macau | and other poets from Macau




19 de Março

14H00

何東圖書館 |  Biblioteca Sir Robert Ho Tung Sir Robert | Ho Tung Library

言葉之庭 ﹣ 詩歌朗誦會 |  Jardim das Palavras - Sessão de Poesia | The Garden of Words - Poetry Reading

James Shea, António MR Martins 及本地詩人 | e Poetas Locais | and local poets




19 de Março

15H00

舊法院大樓 | Edifício do Antigo Tribunal | Old Court Building

作家和他們的作品 | Autores e os Seus Livros | The Writers and Their Books

José Manuel Simões - "Deus Tupã"

Carlos Morais José -  "O Arquivo das Confissões: Bernardo Vasques e a Inveja"

António MR Martins - "Empresta-me a Palavra"  



Consulte a agenda completa do festival aqui

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Wenceslau de Moraes


Wenceslau de Moraes (1854-1929)



Aqui

Aqui, entre os juncos e as flores do lótus,
compreendi que o inferno e o céu,
por mais que os deuses e os livros nos levem
a pensar o contrário, estão no coração do homem.
Eu conheci ambos deambulando por dentro de mim
e fazendo boa sombra um desejo de luz
e da luz um secreto desejo de sombra.
Não foi o sol que me queimou o rosto,
foi o lume das inquietações fatais,
e quedei-me assim, apátrida e só,
numa terra a que chamo minha
mas que faz o longe tornar-se fatalidade.

Apego-me à sabedoria volátil e certa dos provérbios
e aprendo neles que sou, que sempre fui,
um insecto do estio a voar para a chama
e que após a neve vem o Nirvana.
Sempre encaminhei os meus passos na direcção da luz,
mas foi a treva que encontrei, fixando os pedaços
de reboco que se soltam do tecto
presos ao voo dos besouros, enquanto
eu me perco no labirinto da minha solidão.

Vê como eu morro devagar
enquanto a chuva desenha de poeira
as metáforas do Outono e do assombro.
Vê como eu apodreço à ilharga da música
que sai do interior das conchas
junto à rebentação das ondas,
no sítio onde os poetas há muito
deixaram de escrever e de sonhar.
Vê como eu me torno estrangeiro absoluto
numa terra que quer ser minha
mas que eu não consigo guardar no coração
como coisa essencial da minha vida.

Wenceslau de Moraes (30 de Maio de 1854 - 1 de Julho de 1929), in “O Profeta do Orvalho”.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Antologia de Poetas Portugueses, na Roménia

Já tenho em minhas mãos um exemplar da "Antologia poeților portughezi", uma obra da qual tive o privilégio de ser coordenador. O livro, com chancela da Editura Pim, trata-se de uma publicação bilingue (Português-Romeno) e mostra o trabalho poético de 11 autores portugueses, Edgardo Xavier, Conceição Oliveira, Alvaro Giesta, Lília Tavares, Maria Jorgete Teixeira, António MR Martins, Conceição Bernardino, Severino Moreira, Teresa Brinco de Oliveira, Joaquim Pessoa e Gonçalo Lobo Pinheiro, com a tradução de Daniel Dragomirescu, edição de Janeiro de 2017.




Sima Xiangru


Sima Xiangru (179 a.C.-117 a.C.), imagem da net.



31. Prosa Ritmada

Com seda autêntica se compõe o poema
E com garantia é exposto o brocado.
Cada urdidura, cada trama,
Cada mandarim, cada comerciante,
Tais os traços da prosa ritmada.

O pensamento do poeta de prosa ritmada
Abarca o universo.
Tudo observa nas personagens.
Isto só pode ser obtido através do interior,
Nunca obtido segundo a tradição.

(tradução Alexandre Li Ching)

Sima Xiangru (179 a.C.-117 a.C.), in “Quinhentos Poemas Chineses”, de diversas épocas e dinastias, vários autores, vários tradutores, página 61, coordenação de António Graça de Abreu e Carlos Morais José, edições Livros do Meio / Casa de Portugal em Macau, Setembro de 2013.

Sobre Sima Xiangru:

Inovador no trabalho poético, de vida agitada e complexa, é um dos grandes poetas do período inicial da dinastia Han. Proibido de casar com a sua apaixonada Zhuo Wenjun, por ser filha de um milionário, os dois amantes acabaram por fugir e sobreviver graças a uma pequena taberna, onde durante um período trabalharam. (na referida obra)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

apogeu


Imagem da net.



não logres
a oportunidade de partir
quando a floresta
se abre sem temores
aos olhos da perturbação

não mendigues
lonjuras
quando tudo o que te envolve
é o sentir profundo
de todas as ocorrências

não pressiones
domicílios
na resiliência desprotegida
ante a insegurança
que habita em teu redor

não vilipendies
a sorte
se o sol te assegurar
a luminosidade
crescente da vida

não te sufoques
no ar da inexistência
desabita teu estado amorfo
que logo serás desabitada
e rumarás ao máximo livre sentir


António MR Martins

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Tao Yuanming


Tao Yuanming (365-427). Imagem da net.


XIII

dois homens partilham a mesma casa
cada um rejeita aquilo de que o outro gosta
vivem em mundos opostos
um está sempre embriagado,
o outro sempre sóbrio
ambos, zombam um do outro
só nisso estão de acordo
embora nenhum deles compreenda
seja o que for das palavras do outro
ser circunspecto! não será isso estúpido?
e ser exaltado? não será muito mais judicioso?
só um conselho para aquele que se dedica ao vinho
e assim se embriaga,
quando o Sol se deitar que ele não se esqueça
de acender as velas.

Tao Yuanming (365-427), in “Poemas de Tao Yaunming”, página 97, edição bilingue, versão portuguesa e prefácio de Manuel Afonso Costa, uma edição Livros do Meio / Instituto Cultural do Governo da RAEM, Macau, Junho de 2013.

Sobre Tao Yuanming:

“Não há muitos anos, os deuses da poesia decidiram convidar os maiores poetas da China para um banquete de príncipes e letrados, algures num terraço entre nuvens pendurado numa das montanhas mágicas do velho Império do Meio. Vieram Qu Yuan (343-278 a. C.) nostálgico e triste, Tao Yuanming (365-427), precocemente envelhecido, sereno, sobraçando um ramo de crisântemos, Li Bai (701-762), imortal no exílio, com uma botija de vinho (…)”, António Graça de Abreu, in Prefácio, “Poemas de Han Shan”, citação de Manuel Afonso Costa no seu prefácio a “Poemas de Tao Yuanming”.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Han Shan



Han Shan (séc. VIII?), Dinastia Tang. Imagem na net.



65

O homem vive na poeira, no caos,
como um verme num caldeiro.
Dia após dia, sempre às voltas,
incapaz de sair lá de dentro.
Imortais, estamos a falar de quê?
Tanta inquietação e desassossego!
Os meses, os anos, a água a correr,
de repente, acordamos já velhos.

Han Shan (séc. VIII?), in “Poemas de Han Shan”, página 99, tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, colecção Letras do Meio, edição COD, Macau, 2009. Apoio da Fundação Jorge Álvares.  

Sobre Han Shan, do prefácio:

“…Do Poeta e da Bruma
Não foram estas as razões. Han Shan não veio porque ninguém sabe ao certo quem foi o poeta, quando viveu, ninguém sabe onde o encontrar. O seu nome, que significa “Montanha Fria”, corresponde por certo a um pseudónimo e, por detrás destes dois caracteres, esconde-se um letrado estranho, evanescente, quase ignorado pelas muitas e desvairadas gentes que têm vivido debaixo do céu.

No entanto, numa China que, pelo menos desde o século II a. C., se acostumou a biografar os seus filósofos, poetas, letrados e mandarins, Han Shan acabou também por ser objecto de uma curiosa nota biográfica, acredita-se que redigida no século IX por um tal mandarim Liu Qiuyin de cuja existência real igualmente se duvida, apesar dos títulos imperiais que ostenta…”, por António Graça de Abreu.

Ponto de vista


"As ondas desfazem-se na areia...", praia de Cheoc Van. Foto de António Martins.



Ponto nascente
ponto mistério
ponto presente
um caso sério.

Ponto resistente
ponto intermédio
ponto poente
simples assédio.

Ponto tangente
ponto adultério
ponto descrente
gesto silvério.

Ponto indiferente
ponto médio
ponte dolente
enorme tédio.

Ponto ideal
ponto do prédio
ponto final
fim do remédio.


António MR Martins

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Yu Xuanji


Yu Xuanji (844-869), poetisa chinesa da Dinastia Tang. Imagem da net.



Uma alegoria

A primavera às flores de pêssego espalha-se
Em todo pátio à lua cintilam os salgueiros
Cá em cima estou, no quarto, perfeita a maquiagem
recém-vestida, à espera da noite, o silêncio
Ao lago sob as flores de lótus os peixes
Em volta do arco-íris revoam pardais
Tudo nesta vida é sonho, alegria ou pena
vêm-nos aos pares; possa eu por fim acordar


Yu Xuanji (844-869), in (Poesia completa de Yu Xuanji), página 61, tradução, organização, apresentação e notas de Ricardo Primo Portugal e Tin Xiao, edição da Fundação Editora da Unesp (FEU), São Paulo, Brasil, 2011.  

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Pela Casa do Mandarim


Na Casa do Mandarim. Foto de António Martins.



Sobram salas e corredores
nas fileiras de tanta riqueza,
sonhei amores e desamores
pelos anéis impuros da perdição.

A submissão terá estado presente
em cada concubina 
da sentida espera,
os despojos das vestes perdidas
aromatizaram
a fragilidade das memórias 
e as flores quase decoram
toda a (im)perfeição.

As gaiolas desabitadas
potenciam o desalento
da inconveniência
e de tanto espaço frio
na imprudência humana,
onde o calor se esfumou.

Há rituais que se não cumprem
e um passado inquietante,
talvez alheio,
a tamanha riqueza sem palavras.

Os corredores ultimam
uma sã imagem da ilusão. 


António MR Martins

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Complementaridades


Imagem da net.


No limite de tanta cena
apogeu de tanto porvir,
num céu que nos acena
até ao momento de partir.

Ténue luz
sem condimento,
truz, truz…
bater sem fundamento.

A vida não é só estar
num anseio sem limites;
é canseira a desbravar
por renovados apetites.

Tanto passo dado em falso…
sustos, surpresas e ilusões
e por cada mero percalço
lá vêm extensos sermões.

Caminharei neste dilema
que me ilumina o caminho,
avançar é como emenda
que tratarei com carinho.

Cá estarei sempre a lutar
com armas de que disponho,
que passo a referenciar
porque delas me componho:

Mãos, coração,
pernas, braços,
mente…
ou seja: eu!


António MR Martins