Há um canto bem amargo
pela voz de um sofredor,
alheio a qualquer cargo
insuspeito por tanta dor.
Pelo soluçar da sua voz
se ferem tantos sentidos,
duma vida sempre atroz
e dos dias mal paridos.
Sua melodia inventada
desfere sons aziagos
na rudeza do seu estar.
A garganta maltratada
da saliva bebe tragos
enquanto puder cantar.
António MR Martins
Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
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