sábado, 8 de novembro de 2014

Ângelo Alves





O RIO, DO ELÉTRICO

Vejo o rio Mondego e não se movem
As águas opacas, misteriosas.
Nascem longe, na Estrela, e ociosas
Passam por Coimbra, pela Portagem.

Olho as águas, deste rio, vaidosas
(A minha alma fechada é sua imagem),
Enquanto, o elétrico de passagem
Vai com elas cintilantes, e rosas.

Vou a pensar em mim e neste rio,
Com tantos olhos postos sobre mim,
Sem sentir a humildade do contágio.

Sou eu o rio no meio do festim,
Insondável e brilhante e com brio
Correndo suavemente até ao fim.

Ângelo Alves, in “Falo Do Fundo”, página 54, edições Papiro Editora, Janeiro de 2014.

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