quinta-feira, 5 de março de 2009

Guerras

Corpos despojados
na terra,
resquício de
rude batalha.
Esquecida a primavera
no frio ocultar
humano...
entendimento
que falha
por consciente
desengano.
Cadáveres de
seres antes vivos,
que nada pediram
para sucumbir...
mas dos comandos
altivos
veio a ordem
que não rejeitaram.
Dos que orientam
a guerra,
dos que mandaram
partir...
de forma abrupta
e severa.
A morte de um
semelhante,
pela cor da
sua farda
é deveras
ultrajante...
conclusão
que tanto tarda!...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Inquietações da alma


Inquietações da alma
Que não suporta o vazio
De um lugar frio...

Que não esquece
Que não quer esquecer
O que em tempos foi riso
Vida
Alegria

E que hoje...
...é apenas uma sombra
Que deambula nos escombros
De uma casa vazia
Tão fria...!

Por isso chora
E lambe o sal
Que lhe escorre da face
Em silêncio...

E prefere sentir
O frio lancinante
Do vazio
Que lhe trespassa o corpo
Com o gume
De uma espada
Afiada
Com que se vai alimentando...

Ao nada
Que a deixasse morrer
De fome
Por nada mais
... sentir!


Lurdes Dias "Cleo"

Lançamento do meu primeiro livro de poesia "Ser Poeta"

Era um sonho, desde há muito tempo, que agora perspectiva concretização.
E assim, faço o convite (a todos, sem excepção) para o lançamento do meu primeiro livro de poesia "Ser Poeta", que terá lugar no próximo dia 14 de Março, pelas 19 horas, no Campo Grande, 56 (ao lado da Unimed), em Lisboa.
A apresentação estará a carga do ilustre poeta Xavier Zarco (originário de Coimbra).
Agradeço, desde já, a quem queira (e possa) estar presente.

António MR Martins

terça-feira, 3 de março de 2009

Folhas caídas ao vento



E as folhas caídas
da árvore,
aquela que deu
fruto a seu tempo,
movimentam-se
embaladas pelo vento,
num percurso irregular
e sem sentido.
Outrora
outras folhas
vindas da mesma,
sujeitaram-se a
semelhante trajecto,
sem sentido e irregular,
e foram pisadas
pelo tempo.
Agora
neste lugar,
onde habita
aquela árvore,
despida das caídas
folhas,
aguardando nova
folhagem...
depois elas cairão
e,
ajudadas pelo vento,
percorrerão o espaço
envolvente
e encaminhar-se-ão
para poisos distantes,
num esvoaçar,
impelido pelo vento,
num sentido irregular!...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Confissões de uma Vítima de Violência Doméstica

Sou um corpo que deambula ao acaso,
Que vive com medo todo o dia.
Amostra de ser mal amado
Sem conhecer felicidade e alegria.

Uma mulher constantemente criticada
Que chora apenas escondida,
Consciente que não vale nada,
E a imagem totalmente denegrida.

Escondo os hematomas como sei.
Habituei-me há muito a mentir...
Vivo uma vida como nunca pensei,
Com a maior parte do tempo a fingir.

Esta mão, assim queimada, e a doer,
É porque sou tão distraída...
Meti-a numa panela a ferver
E fiquei tão arrependida.

Tapo as nódoas negras com roupa
De Inverno, mesmo no Verão.
Apenas porque sou meia louca
Passo a vida a cair ao chão.

A boca, assim cortada,
Foi apenas porque sorri...
Não sei estar calada...
Apanhei porque mereci.

Quando parti o braço direito,
Foi porque me maquilhei nesse dia.
Mas afinal, foi bem feito,
Porque parecia uma vadia.

O meu corpo está tão cansado
Não aprendo a me comportar
Para viver bem com meu amado,
Que tudo faz por me amar.

Farta dos meus erros e maldade
Subo até ao vigésimo andar!
Salto, enfim, para a liberdade,
E já sou feliz... a voar!
Vera Sousa Silva

domingo, 1 de março de 2009

Acordo (Dueto António MR Martins/"Mim" Cristina)


Acordar

Durmo
num sono profundo, percorrendo o mundo
navegando em alto mar, viagem
de uma quimera que me espera, começo
de um nascer ao gritar, num mundo
de pessoas que se abraçam num beijo
procurando nos sonhos navegar…

Sonho
com o esplendor em verdes campos,
pequenas aves saltando em seu solo,
borboletas transportando colorido...
noites com as luzes dos pirilampos,
supremas fragâncias de outro pólo
e o puro aroma de um ar fluído!...

Durmo
num sono leve que me atormenta
do mal que nos rodeia descabidamente,
procuro sossegar o sofrer de tanta gente
que só procura o amanhecer sem vadiar,
nuvem que tapa o sol que chora por um sorrir
entorpecido de se cansar na procura de encontrar.

Sonho
com um amanhã mais forte e sadio
permitindo a todo o homem sonhar
na procura de profícua realidade...
o esquecer de um trauma vadio,
nas vidas que se conseguem amar
em promessas da sonhada felicidade!...

Acordar


Dueto: António MR Martins (Sonho) e “Mim” Cristina (Durmo)

Articular a utopia (Dueto com Vóny Ferreira)


Quando o circular
passa a quadrado...
é porque o compreender
passou para outro lado,
o absorver
tornou-se igualado
e o retratar
idolatrado!...

Quando o sonho
passa a decepção
é porque perfuramos os limites
transversais da alma,
como quem atravessa
a voragem dos temporais
Num reencontro de estrelas
No imenso céu da Poesia!

Quando o esférico
passa a quadrado...
é porque o mesmo
fica enfeitado,
concerteza
adulterado,
mas nunca
confiscado!...

Confiscado, nunca…
Porque a nossa vontade
passa o oráculo da gramática
que nos arde nos olhos crentes
em rios de fumo e chamas
E no renascimento
das palavras!

Quando a esfera
se transforma em cubo...
é porque a mente
se mostra versátil,
responde com
prontidão,
o "pc" não é mais
portátil
e todos passam
a dizer não!...

Porque é argúcia da mente
que nos reencontramos!
Entre cubos, quadrados,
e esferas…
Como grânulos transparentes
A perpetuar uma quimera!...


Poema elaborado em dueto por Vóny Ferreira (2º, 4º e 6º) e António MR Martins (1º, 3º e 5º).

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Serra da Lousã

Com as árvores e o vento,
Me sento num penedo.
A água no rio, fresca e cristalina,
Afoga o meu lamento.
Me liberto das raízes,
Não mais quero sufocar.
Apenas nas carumas e terra fina me deitar.
Respiro o teu ar!
Calor, sol em pleno brilhar.
Quero sentir a brisa passar
Por entre dedos e gritar!
Ouves o eco?
Por entre folhas e flores,
Aclamo ao teu raiar.

27 de Fevereiro de 2009
© Gonçalo Lobo Pinheiro

(um poema do meu filho sobre a região dos nossos antepassados)

Terrenos pisados (in)sentidamente


Soalho desencorajador
pelo suplício
suportado pelo peso,
superado
pelo regozijo
de uma saída ileso.

Terra de descontentamento
desânimo dos infelizes,
agrado dos petizes...
ainda inconsequentes
no seu pensar
e com muito
para os contentar.

Solo de virtudes
não generalizadas,
promessa de etapas
aguardadas...
ainda não conseguidas,
jamais vencidas!...

Chão pleno de rubor
e de outras esperanças,
descabidas de entusiasmo,
permitindo novas
andanças
para prosseguir
no marasmo.

Piso calcorreado
sem sentido,
múltiplas vezes pisado
em sítio que não é o mesmo...
fuga de um ser já partido,
nunca por nunca igualado
e foi explorado a esmo!...

quarta-feira, 4 de abril de 2007

O Fotojornalista e a sua Máquina Fotográfica

Numa minúcia o disparo,
Ocorre incessantemente...
Manuseia-a sem reparo
E fotografa inteligentemente!...

Boneco, atrás de boneco...
Ávido de novas imagens,
O carisma predilecto
Anexando mais reportagens!...

Azáfama de controlo e perícia,
Numa empatia com o instrumento
No intuito de fazer história...

No culminar... a notícia...
A euforia, alegria ou lamento,
Para sempre na memória!...

10 de Setembro de 2005 (Ao meu filho Gonçalo)

quinta-feira, 22 de março de 2007

Trotes e Cortesias Galopantes


Se "sempre que um homem sonha, o Mundo pula e avança!..."

Porque não saltar de sonho em sonho, avançar de desejo em desejo
e colocar a alma e o espírito ao rubro!...

Seja pela cortesia na sua elegância, delicadeza e esplendor,
no sentido de contemplar um sonho de sentido vivo e presente!...

A trote na procura de novos e diferentes prazeres,
ou de sentimentos mais profundos!...

Ou mesmo galopando sem norte, indiferente aos alinhamentos,
em busca da surpresa, da novidade, do desconhecido,
mesmo que produtores de inconveniências!!!

É que, na realidade, "sempre que um homem sonha, o Mundo pula e avança!..."

A cada hora, a cada minuto, a cada segundo!...

Há sempre uma "Maria" que espera por si!!!

Ao amigo Mário Nóbrega, que tem uma Maria (de boa casta) que monta amiudadas vezes... (Novembro/2001)

sábado, 10 de março de 2007

Dádiva de Deus


Ter tudo, ou nada ter...
Ser pai, papá, paizão ainda.
Ser nosso, ou não ser...
É ter uma filha linda!...

É como sentir de novo
a emoção em nosso peito...
Ao dizer ó filha minha,
às vezes fico sem geito!...

Mas abro os braços meus
com enorme alegria!
Josi de olhos lindos,
a filha que tanto queria!...

A Deus muito agradeço,
junto do filho que é meu...
Surge uma filha querida
para um pai que sou eu!

Para a Josilene, com dedicação, carinho e amor do "pai" sempre amigo (Dezembro/2006)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Derivações (às vezes)

Às vezes
Não vêm à tona
Os valores mais importantes,
Embora significantes,
Que por lapsos se diluem!...

Às vezes
Não se iluminam
Os aspectos relevantes,
De todo integrantes,
Originandoque flutuem!...

Às vezes
Não se ressalvam
Os factos inebriantes,
Que mesmo intrigantes,
Na existência se constituem!...

Às vezes
Impensadamente se tomam
Atitudes estonteantes,
Que sendo espontâneas,
Nos caminhos não evoluem!...

Por vezes
Nada é como dantes,
Num presente com futuro,
E permanecemos constantes
Onde o amor e a paz se situem!...

Sempre
Na vida com alegria ou dor,
Neste mar de sensações,
Te elogio Ser mais belo
Construtor de forte elo, que é nosso amor!...

À "Lili", 8 de Março de 2003 (Dia Internacional da Mulher)

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Infrequência

Que faço aqui?
Sonolento, sobranceiro,
inoperante, ligeiro,
rabujento, altaneiro,
tolerante, passageiro!...

Que faço aqui?
Alheado, trabalhador,
transpirante, pensador,
idolatrado, animador,
militante, sofredor!...

Que faço aqui?
Operador, enunciante,
estratégo, caminhante,
pagador, financiante,
hébrio e estudante!...

Que faço, eu, aqui?!...

Algures na Faculdade de Letras em Fevereiro/2000

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Rapsódias do Natal de 2006


Brota em vaso brilhante
uma flor com teu nome!...
Cresce sobre as ameias
de um castelo adornado!...
Torna-se resplandescente
numa mescla colorida,
eis o êmbolo da partitura
que dá som à minha vida!...

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Fortaleza voadora
por entre serras e vales...
Esgrima portentosa
numa luta sem rival!...
Retrato de imagem nossa,
filme em pequeno esboço
de uma lente virtuosa...
valores de um filho, nosso!!!

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Me encantam teus olhos!...
Caminhos do infinito,
luzes do Paraíso...
Soberbo o teu olhar,
sublime essa visão...
Nados de ti, para nós,
membros de nosso seio...
Da flor que aqui nasceu,
a filha que Deus nos deu!...

Dezembro de 2006