segunda-feira, 9 de março de 2009

Naquela praia

Descansaram
nossos corpos,
debilitados,
pelo caminhar
extasiante
e continuo
no imenso
areal...

Descansaram
nossos seres,
numa duna
daquela praia,
exaustos
por a percorrer
ao sol quente
que em nós
se instala...

Descansaram
nossos físicos,
desta vez
constrangidos,
naquele espaço
amplo e terno,
eleito
para a poesia
ideal...

Descansaram
nossos portes,
depois de
muitas lacunas,
num fugir...
a sofrer
e na saudade
que nos
abala...

foto em cima, à direita, de Paulo A. Lopes

domingo, 8 de março de 2009

O Sonho (de "Amores")

Levas-me a mão
e, contigo, sou inteira.
Flutua a sensação
de que o reflexo
dos meus olhos
nos teus olhos
vale mais que uma vida.
Canto-te e pinto-te…
E, enquanto sonho,
adio a despedida.
Diana Correia

Simplesmente Mulher

Mulher
que tanto queria...
não fosses escrava
do tempo,
não agisses
por sequência,
não lutasses
por contratempo,
não fosses sujeito
por eminência!...
Mulher
que tanto queria...
pudesses sê-lo
a preceito,
pudesses ignorar
um defeito,
pudesses ultrapassar
o conceito e
proceder sempre
do teu jeito!...
Mulher
que enalteço
nestas singelas
palavras,
a quem humildemente
peço,
pela tua vivência
que agravas,
não pensando
sequer em ti,
de quem às vezes
esqueço
e por quem
nunca morri...
jamais de ti
me despeço!...
Mulher
mais belo jardim
do mundo,
suporte da
natureza,
ser sem ter
um rival...
celebras
por desengano
este dia
sem a certeza
de um dia te verem
por igual!..
À minha mulher, à dos outros e a todas as outras...
Ninguém é de ninguém, ou seja... Alguém a ninguém pertence.
Dia Internacional da Mulher
(Que não deveria existir... para bem da própria mulher!)
Domingo, 8 de Março de 2009

sábado, 7 de março de 2009

Momentos

Estou aqui,
mas por momentos,
saio, voo,
procuro novos caminhos,
novas mentes,
novas ideias.
Paro
e contemplo o horizonte,
parece-me infinito!
Não vejo ninguém,
mas sinto alguém!
É o amor
que não me deixa
e partilho-o:
com quem encontro;
uns sorriem,
outros perturbam-se!
Reflexos:
dum mundo distraído,
egoísta,
de costas voltadas,
com poucos guerreiros,
na luta dum mundo melhor!
São momentos,
para a minha esperança.
De tristeza,
mas com a certeza,
que sou um dos guerreiros …
José Manuel Brazão

Eliminado

Castram-me
os desígnios da mente!

Atam-me
os membros e sou gente!

Ofuscam-me
o pensar permanente!

Logram-me
o evoluír influente!

Sugam-me
o sangue das veias!

Exploram-me
pelo fogo que ateias!

Devoram-me
como se fossem alcateias!

Prendem-me
no emaranhado das teias!

Tapam-me
os olhos, não vejo!

Negam-me
um último desejo!

Findam-me
como não prevejo!

Matam-me
e eu não antevejo!...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Lábios, flor de Maio


Chegas-te a mim, teu corpo de corça
Delineado pelas mãos que te percorrem,
Minhas, ávidas e perscrutantes,
Sedentas que ansioso te escorrem
Nos teus lábios flor de Maio
Saboreio a primavera em flor
Arrebato-te, penetras-me a alma
Entrego-me a ti nesse ardor
O beijo surge vindo do nada
Num roçagar de lábios e afectos
Línguas procuram-se em suave alento
Flores desabrocham em caules rectos
Sentes-me a germinar ao teu toque
Sinto teu corpo tomado ao meu, encostado
Tua pele que me inebria por baixo da camisa
Na sala tudo se aquietou, o tempo ficou parado
Só o teu sorriso gorjeia entretanto
Quando sentes que te quero…tanto.
José Alberto Valente "Jaber"

quinta-feira, 5 de março de 2009

Guerras

Corpos despojados
na terra,
resquício de
rude batalha.
Esquecida a primavera
no frio ocultar
humano...
entendimento
que falha
por consciente
desengano.
Cadáveres de
seres antes vivos,
que nada pediram
para sucumbir...
mas dos comandos
altivos
veio a ordem
que não rejeitaram.
Dos que orientam
a guerra,
dos que mandaram
partir...
de forma abrupta
e severa.
A morte de um
semelhante,
pela cor da
sua farda
é deveras
ultrajante...
conclusão
que tanto tarda!...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Inquietações da alma


Inquietações da alma
Que não suporta o vazio
De um lugar frio...

Que não esquece
Que não quer esquecer
O que em tempos foi riso
Vida
Alegria

E que hoje...
...é apenas uma sombra
Que deambula nos escombros
De uma casa vazia
Tão fria...!

Por isso chora
E lambe o sal
Que lhe escorre da face
Em silêncio...

E prefere sentir
O frio lancinante
Do vazio
Que lhe trespassa o corpo
Com o gume
De uma espada
Afiada
Com que se vai alimentando...

Ao nada
Que a deixasse morrer
De fome
Por nada mais
... sentir!


Lurdes Dias "Cleo"

Lançamento do meu primeiro livro de poesia "Ser Poeta"

Era um sonho, desde há muito tempo, que agora perspectiva concretização.
E assim, faço o convite (a todos, sem excepção) para o lançamento do meu primeiro livro de poesia "Ser Poeta", que terá lugar no próximo dia 14 de Março, pelas 19 horas, no Campo Grande, 56 (ao lado da Unimed), em Lisboa.
A apresentação estará a carga do ilustre poeta Xavier Zarco (originário de Coimbra).
Agradeço, desde já, a quem queira (e possa) estar presente.

António MR Martins

terça-feira, 3 de março de 2009

Folhas caídas ao vento



E as folhas caídas
da árvore,
aquela que deu
fruto a seu tempo,
movimentam-se
embaladas pelo vento,
num percurso irregular
e sem sentido.
Outrora
outras folhas
vindas da mesma,
sujeitaram-se a
semelhante trajecto,
sem sentido e irregular,
e foram pisadas
pelo tempo.
Agora
neste lugar,
onde habita
aquela árvore,
despida das caídas
folhas,
aguardando nova
folhagem...
depois elas cairão
e,
ajudadas pelo vento,
percorrerão o espaço
envolvente
e encaminhar-se-ão
para poisos distantes,
num esvoaçar,
impelido pelo vento,
num sentido irregular!...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Confissões de uma Vítima de Violência Doméstica

Sou um corpo que deambula ao acaso,
Que vive com medo todo o dia.
Amostra de ser mal amado
Sem conhecer felicidade e alegria.

Uma mulher constantemente criticada
Que chora apenas escondida,
Consciente que não vale nada,
E a imagem totalmente denegrida.

Escondo os hematomas como sei.
Habituei-me há muito a mentir...
Vivo uma vida como nunca pensei,
Com a maior parte do tempo a fingir.

Esta mão, assim queimada, e a doer,
É porque sou tão distraída...
Meti-a numa panela a ferver
E fiquei tão arrependida.

Tapo as nódoas negras com roupa
De Inverno, mesmo no Verão.
Apenas porque sou meia louca
Passo a vida a cair ao chão.

A boca, assim cortada,
Foi apenas porque sorri...
Não sei estar calada...
Apanhei porque mereci.

Quando parti o braço direito,
Foi porque me maquilhei nesse dia.
Mas afinal, foi bem feito,
Porque parecia uma vadia.

O meu corpo está tão cansado
Não aprendo a me comportar
Para viver bem com meu amado,
Que tudo faz por me amar.

Farta dos meus erros e maldade
Subo até ao vigésimo andar!
Salto, enfim, para a liberdade,
E já sou feliz... a voar!
Vera Sousa Silva

domingo, 1 de março de 2009

Acordo (Dueto António MR Martins/"Mim" Cristina)


Acordar

Durmo
num sono profundo, percorrendo o mundo
navegando em alto mar, viagem
de uma quimera que me espera, começo
de um nascer ao gritar, num mundo
de pessoas que se abraçam num beijo
procurando nos sonhos navegar…

Sonho
com o esplendor em verdes campos,
pequenas aves saltando em seu solo,
borboletas transportando colorido...
noites com as luzes dos pirilampos,
supremas fragâncias de outro pólo
e o puro aroma de um ar fluído!...

Durmo
num sono leve que me atormenta
do mal que nos rodeia descabidamente,
procuro sossegar o sofrer de tanta gente
que só procura o amanhecer sem vadiar,
nuvem que tapa o sol que chora por um sorrir
entorpecido de se cansar na procura de encontrar.

Sonho
com um amanhã mais forte e sadio
permitindo a todo o homem sonhar
na procura de profícua realidade...
o esquecer de um trauma vadio,
nas vidas que se conseguem amar
em promessas da sonhada felicidade!...

Acordar


Dueto: António MR Martins (Sonho) e “Mim” Cristina (Durmo)

Articular a utopia (Dueto com Vóny Ferreira)


Quando o circular
passa a quadrado...
é porque o compreender
passou para outro lado,
o absorver
tornou-se igualado
e o retratar
idolatrado!...

Quando o sonho
passa a decepção
é porque perfuramos os limites
transversais da alma,
como quem atravessa
a voragem dos temporais
Num reencontro de estrelas
No imenso céu da Poesia!

Quando o esférico
passa a quadrado...
é porque o mesmo
fica enfeitado,
concerteza
adulterado,
mas nunca
confiscado!...

Confiscado, nunca…
Porque a nossa vontade
passa o oráculo da gramática
que nos arde nos olhos crentes
em rios de fumo e chamas
E no renascimento
das palavras!

Quando a esfera
se transforma em cubo...
é porque a mente
se mostra versátil,
responde com
prontidão,
o "pc" não é mais
portátil
e todos passam
a dizer não!...

Porque é argúcia da mente
que nos reencontramos!
Entre cubos, quadrados,
e esferas…
Como grânulos transparentes
A perpetuar uma quimera!...


Poema elaborado em dueto por Vóny Ferreira (2º, 4º e 6º) e António MR Martins (1º, 3º e 5º).

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Serra da Lousã

Com as árvores e o vento,
Me sento num penedo.
A água no rio, fresca e cristalina,
Afoga o meu lamento.
Me liberto das raízes,
Não mais quero sufocar.
Apenas nas carumas e terra fina me deitar.
Respiro o teu ar!
Calor, sol em pleno brilhar.
Quero sentir a brisa passar
Por entre dedos e gritar!
Ouves o eco?
Por entre folhas e flores,
Aclamo ao teu raiar.

27 de Fevereiro de 2009
© Gonçalo Lobo Pinheiro

(um poema do meu filho sobre a região dos nossos antepassados)

Terrenos pisados (in)sentidamente


Soalho desencorajador
pelo suplício
suportado pelo peso,
superado
pelo regozijo
de uma saída ileso.

Terra de descontentamento
desânimo dos infelizes,
agrado dos petizes...
ainda inconsequentes
no seu pensar
e com muito
para os contentar.

Solo de virtudes
não generalizadas,
promessa de etapas
aguardadas...
ainda não conseguidas,
jamais vencidas!...

Chão pleno de rubor
e de outras esperanças,
descabidas de entusiasmo,
permitindo novas
andanças
para prosseguir
no marasmo.

Piso calcorreado
sem sentido,
múltiplas vezes pisado
em sítio que não é o mesmo...
fuga de um ser já partido,
nunca por nunca igualado
e foi explorado a esmo!...