sábado, 24 de agosto de 2013

Clara Maria Barata




Despedida

 
Despedida
é saudade carpida
no cais da tristeza

é alongar os olhos na lonjura
cegar a luz
e anoitecer

é um barco que dói
e se demora
no escoar lento das horas

é guitarra a gemer
em dedos de solidão
no pano rasgado do sonho
coração ao relento
grito sufocado na raiz

é voo de ave
derramando penas

 
Clara Maria Barata, in “O sol disse-me que amanhã acorda cedo”, página 44, edições Temas Originais, Coimbra, 2012.

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