quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Singela porta

 
Alfama (Lisboa), by Gonçalo Lobo Pinheiro.


Aquela porta escondia
o que lá fora se perdia,
receios de não ter mais nada.
Era chegada ou partida,
entre tanta vida perdida,
sem nela ter sua entrada.

Tinha chave bem diferente
que a chave de tanta gente,
para entrar em sua casa.
Só lá entrava quem podia
e nunca quem isso queria,
por aquela porta tão rasa.

Sua textura de madeira,
aberta da mesma maneira
que uma outra porta qualquer.
Lá dentro o conforto quente
num aconchego permanente
pelo abraço duma mulher.

Só ele tinha chave dela
e lhe abria a janela
tendo o sol no seu esplendor.
À noite olhava pr’a lua
e a ela na cama nua,
naquele doce ninho d’amor.

 
António MR Martins

Sem comentários: