segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Resquícios da ventura adormecida

 
Aviário de Hong Kong, by Gonçalo Lobo Pinheiro.


Soam bitolas perdidas
Nos rastos da incongruência
Bandeiras do esquecimento

Ultraje compensador
Ultimando outros lavores
Na doença assaz patente
Que invade tantos corpos
Metamorfoseados no tempo

Dissabores de alimento
Onde se secam as sílabas
Em percalços de tanta dor
Por tanto assentimento

Paladares sem outro sabor
Que não sejam amargura
Nesta gesta demais sofrida
Respirando aos soluços
Numa contenção desmedida
Intragável a cada segundo
Onde a espera então suscita
O receio de tanta demora

Jaz o sentido do grito
Num reclamar contínuo e forte
Onde dormem os pruridos
Que nos orientam o norte

Há um afago perdido
No caminhar sem sentido
Na crise que nos atormenta

A solução está escondida
Na luta que não aparece
Neste povo que adormece
Hipnotizado pela alma
E pelas vozes do mundo

E nesta acalmia madura
Rastreio de tantas mágoas
Sua ambição perdura
Sonhando com a liberdade

E esse sonho acontece
No voo da planura
Onde as aves fazem silêncio

 
António MR Martins

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