quinta-feira, 19 de abril de 2012

Rosa Negra


Vestiu-se de negro a rosa
No velório da paixão
Lonjura de miragem
Que não pode alcançar.

As encostas desertas…áridas
De negrume esculpidas
Sem perfume pétalas enrugadas
Lágrimas derramadas
Nos espinhos viçosos do caule.

No dorso aguilhão cravado
Sedução sem pudor
Dança a marcha fúnebre
Há muito sem melodia ficou

Um canteiro sem terra ou água
Em dor e desamor
Desilusão sem morada
Na ilusão só por si procurada.

De véu caído no abismo
No altar da iniquidade
Assim findou
No nu da alma
De negro pintada…


Ana Coelho

1 comentário:

Natalia Nuno disse...

Gosto muito deste poema Ana, me lembra a vida e seus espinhos, a ilusão que sempre se cria através das recordações, a cinza que somos e que o tempo vai consumindo,o pranto e o múrmurio do passado, a desmedida tristeza que é ter apenas vislumbres de esperança.

Boa escolha Poeta A.Martins.