terça-feira, 31 de agosto de 2010

[não se despede a luz quando a noite]


não se despede a luz quando a noite
nasce ao sabor das sílabas dos dias
antes se inventa
com seu traje de breu e de sombras
e seus lábios doces
de amoras silvestres que esperam
do filho pródigo o regresso
à terra que o viu nascer

a luz é como esta flor
que se recusa a ser olhada
porque é desejo sonho primavera
bolso de criança que
traz todos os segredos que há no mundo

não se despede a luz quando a colhes
mesmo que água seja entre os dedos
desenhando o caminho que desenhas
quando no chão semeias teu cansaço


Xavier Zarco

A minha simples referência pelos prémios recentemente conseguidos por este extraordinário poeta e amigo. Pelo seu inédito: "Anotações sobre os olhares no óleo sobre tela 'Retrato de Mulher ou le déjeuner' de Manuel Jardim"; uma Menção Honrosa no Prémio Literário Afonso Duarte - 2010 e na obra inédita "Dizer do Pó", foi distinguido com o Prémio de Poesia Manuel Maria Barbosa du Bocage - 2010. 

3 comentários:

jorge vicente disse...

um grande poeta o nosso xavier!!!

grande abraço aos dois!
jorge vicente

Xavier Zarco disse...

Camarada,
O penteadinho da fotografia sou eu?
Lá se vai a minha imagem!
Obrigado por esta referência.
Um abraço
Xavier Zarco

Humana disse...

Parabéns Xavier Zarco!
Ver o talento e o trabalho de quem merece, valorizado, é sempre muito gratificante.
Obrigada António pr mais um belo poema que aqui partilha connosco neste seu espaço.
Cumprimentos aos dois com amizade.